Na tarde deste domingo (09), pela 28ª rodada da Lega Serie A, a Atalanta goleou a Juventus, fora de casa, em uma atuação brilhante. Por 4 a 0, os Bergamaschi construíram o placar mais elástico da história entre as equipes, sendo uma das mais vexatórias da história da Juve. A equipe de Gasperini conseguiu se aproveitar dos desfalques da “Velha Senhora” e teve paciência para construir as jogadas de ataque. Veja como a “Dea” articulou seus ataques:
Primeiro tempo: Resiliência para aguentar o abafa e paciência para chegar ao gol

Ambas as equipes tiveram novidades em seus respectivos onze iniciais. Pela Juventus, Teun Koopmeiners foi sacado, que já vinha sendo criticado pela torcida em razão do baixo rendimento em campo. Os liderados por Thiago Motta tiveram uma extensa lista de desfalques: Savona, Cabal, Bremer, Douglas Luiz, Francisco Conceição, Milik. Além disso, Gatti tinha a presença incerta, mas o defensor italiano iniciou a partida – embora tenha sentido um desconforto e saído no decorrer da partida.
Já na Atalanta, Gasperini surpreendeu a todos e deixou Pasalic no banco de reservas, contrariando todas as expectativas da imprensa italiana, que assegurava a presença do croata entre os titulares. O trio de ataque foi formado por Lookman, Retegui e Cuadrado, que começou no lugar de Charles De Ketelaere. Pelas alas, Bellanova e Zappacosta formaram a dupla que serviria de apoio para os pontas.
Com bola rolando, era esperado que a Juventus começaria na pressão e Thuram teve a primeira chance da partida. O francês tabelou com Kolo Muani e finalizou por cima do gol com perigo. Na sequência, foi a vez de Lloyd Kelly experimentar. O zagueiro sentiu confiança e arriscou, de canhota, mas a bola passou a direita do gol de Carnesecchi. Depois, foi a vez da Atalanta levar perigo ao gol adversário. Lookman recebeu na ponta canhota e chutou de pé direito para a defesa do goleiro Di Gregorio.
Mesmo que a Juventus tivesse a vantagem de jogar em casa, os Nerazzurri tinham muita tranquilidade para sair jogando, Éderson dominava as ações do meio campo e levava a melhor nos duelos com Khephren Thuram. Além do brasileiro, Cuadrado e Bellanova faziam boas partidas subindo para o ataque no tempo exato e alargavam o campo, obrigando o time de Motta a abrir espaços pelo meio. Somado a isso, Retegui se movimentava constantemente e gerava jogo sempre que aparecia como opção de passe. A fluidez de jogo dos visitantes chamava a atenção e, nos 15 minutos finais, veio o primeiro grito de alegria em Turim.
Após o bate e rebate na área, Éderson quis emendar a bola mal rebatida pela zaga da Juve, mas a pelota acaba desviando na mão de McKennie. O árbitro Simone Sozza apitou para a marca da cal e o pênalti foi marcado para equipe da Atalanta. Na cobrança, Retegui, em uma batida segura, balançou as redes para abrir o placar no Allianz Stadium. Foi o 22° gol do atacante na Lega Serie A, sendo o artilheiro isolado da competição.
Preocupada em proteger os flancos, a Juventus acabou deixando espaços entre as linhas, facilitando as infiltrações dos jogadores da “Dea”. Antes do intervalo, Lookman teve duas grandes oportunidades de ampliar a vantagem, ambas no mesmo lance. Disparando em velocidade — justamente pelo setor central, onde os Bianconeri concediam brechas —, o nigeriano avançou livre e finalizou em cima da defesa. A bola desviada seguiu vagarosamente até a trave. No rebote, Di Gregorio conseguiu dar um tapa para afastar o perigo e impedir a finalização de Éderson. Ainda na sequência, o brasileiro recolocou a bola na área, e, após um bate e rebate, Lookman chutou novamente, mas parou em mais uma grande defesa do goleiro.
Segundo tempo: O verdadeiro atropelo

Na volta para a etapa complementar, as equipes voltaram com modificações. Nos anfitriões, Yildiz deu lugar a Koopmeiners, trocando um atacante por um meia. Tal substuituição indicava uma tentativa de Motta em dominar as ações do meio campo e, assim, anular a construção de jogo da Atalanta, que não teve quaisquer problemas com isso nos primeiros 45 minutos.
Gasperini voltou para o segundo tempo com Brescianini no lugar de Cuadrado. Com a entrada do meio campista — emprestado junto ao Frosinone —, Gian Piero visava colocar mais cadência no meio campo, ao tirar um ponteiro para pôr um homem de ligação no meio campo. Desse modo, por ironia que seja, esta modificação anulou a investida de Thiago Motta, que tentava retomar o controle do jogo, vide os minutos iniciais.
No desenrolar da partida, a Atalanta teve muita tranquilidade em retomar a posse de bola e ligar contra-ataques fatais com Lookman. Essa “paz terrível” em articular lances de perigo pode ser analisada no segundo gol dos Orobici. Éderson, tendo total liberdade e novamente aparecendo como primeiro passador, acionou o velocista, que gingou na frente da marcação de Gatti e chutou de pé esquerdo. O arremate veio em cima de Di Gregorio que espalmou a bola para o meio da área, encontrando Marten de Roon, que só teve o trabalho de empurrar para o fundo do gol.
No terceiro tento, a jogada foi desenhada pelos dois homens de beirada: Kolasinac e Zappacosta. No avanço pela esquerda, a movimentação confundiu a marcação da Juventus e a combinação entre o bósnio e o italiano deixou Sead em condições de chegar a linha de fundo. O lance “tiki taka” foi coroado em uma linda assistência de calcanhar do zagueiro e Zappacosta guardou o dele.
Nos quinze minutos finais, Lookman, para selar sua grande atuação, recebeu um presente de Vlahovic — que falhou clamorosamente e escorregou na hora do passe. Ademola só teve como agradecer e partiu, mais uma vez, pela esquerda e puxou para a perna dominante – direita – e finalizou. O jogador ainda com um pouco de sorte, pois houve um desvio que “matou” Di Gregorio. Fim de jogo: Juventus 0 x 4 Atalanta.
Dia histórico na Lega Serie A!

A Atalanta se mantém na briga pelo Scudetto e volta para Bérgamo com muita moral depois de construir a maior goleada no retrospecto geral do confronto. Pelo lado da Juventus, os jogadores saíram de campo completamente desnorteados, com um sentimento de humilhação. Este foi um dia para entrar para a história do futebol italiano: a Juventus não sofria uma goleada assim, dentro de casa, desde 1967 – havia perdido para o Torino, também pelo mesmo placar. Ademais, desde a inauguração do Allianz Stadium, a Juventus nunca havia sofrido quatro gols.
Ficha técnica da partida
Data e horário: 9 de março de 2025, às 16h45
Local: Allianz Stadium, Turim (ITA)
Árbitro: Simone Sozza (ITA)
Cartões amarelos: Hien (A); Yildiz (J)
Cartões vermelhos: —
Gols: Mateo Retegui (pen), aos 29 minutos do 1°T (A); Marten de Roon, no 1 min do 2°T (A); Davide Zappacota, aos 21 minutos do 2°T (A); Ademola Lookman, aos 32 minutos do 2°T (A)
Juventus: Di Gregorio; Timothy Weah (Costa), Gatti (Kalulu), Kelly e Cambiaso; Khéphren Thuram e Locatelli (c); Yildiz (Koopmeiners), McKennie e Nico González (Mbangula); Kolo Muani (Vlahovic). Técnico: Thiago Motta.
Atalanta: Carnesecchi; Djimsiti, Hien e Kolasinac (Rafael Tolói); Bellanova, de Roon, Éderson (Pasalic) e Zappacosta; Lookman (Samardzic), Cuadrado (Brescianini) e Retegui (De Ketelaere). Técnico: Gian Piero Gasperini.
Agenda dos Bianconeri e Bergamaschi no Campeonato Italiano
Na 29ª rodada da Serie A, a Atalanta terá um confronto direto contra a Inter de Milão na Gewiss Arena, no próximo domingo (16), às 16h45 (horário de Brasília). A Dea ocupa a terceira posição na tabela, com 58 pontos – três a menos que seu próximo adversário e também líder do torneio.
Já a Juventus enfrentará a Fiorentina no Artemio Franchi, também no domingo (16), mas às 14h (horário de Brasília). A Vecchia Signora, atualmente em quarto lugar com 52 pontos, vê sua posição no G4 ameaçada por Lazio e Bologna, ambos com 50 pontos.

