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Athletico cumpre obrigação contra a Chapecoense, mas goleada mostra alguns problemas; confira as impressões do jogo

O Athletico fez o que se esperava de uma equipe que briga pelas primeiras posições do Brasileirão diante do lanterna da competição. Na Arena Condá, o Furacão venceu a Chapecoense por 4 a 1, construiu uma vantagem confortável ainda no primeiro tempo e voltou a Curitiba com três pontos importantes para suas ambições na temporada. O placar, entretanto, não conta toda a história da partida. Depois de abrir 3 a 0, o time rubro-negro diminuiu excessivamente o ritmo, permitiu que o adversário crescesse e só recuperou o controle de maneira mais clara depois de sofrer um gol.

A vitória tem peso significativo na tabela. O Athletico chegou aos 53 pontos, reassumiu a terceira colocação e abriu cinco pontos de vantagem sobre o Cruzeiro, primeiro clube fora da zona de classificação para a Libertadores. Em uma fase do campeonato na qual cada resultado pode alterar o cenário da disputa continental, vencer fora de casa por uma margem tão ampla representa um impulso importante. O problema é que o desempenho também deixou uma advertência para o próximo compromisso, justamente contra o vice-líder Palmeiras, uma equipe com poder ofensivo para aproveitar os espaços que a Chapecoense encontrou.

A impressão que fica é a de um Athletico que soube explorar a diferença técnica entre as equipes, mas não manteve a mesma concentração quando percebeu que o resultado estava encaminhado. A goleada foi construída com eficiência e boas jogadas individuais, mas a queda de intensidade após as substituições transformou uma partida aparentemente controlada em um teste desnecessário para o sistema defensivo. O Furacão cumpriu a obrigação, mas terminou com lições importantes sobre a maneira como precisa administrar suas vantagens.

Um primeiro tempo de imposição e eficiência

A superioridade do Athletico apareceu desde os primeiros minutos. Ciente das dificuldades da Chapecoense, que ocupa a última posição do Brasileirão, o time rubro-negro entrou em campo com a intenção de assumir o controle e não demorou para transformar essa postura em vantagem no placar. A equipe encontrou espaços para atacar, acelerou quando teve oportunidade e conseguiu construir uma diferença que parecia encaminhar a partida antes mesmo do intervalo.

Leozinho abriu o caminho com um belo gol, nascido de uma jogada individual que mostrou a capacidade do atacante de resolver situações sem depender de uma construção coletiva prolongada. Na sequência, Luiz Gustavo ampliou a vantagem e deixou a Chapecoense em uma situação ainda mais complicada. Viveros marcou o terceiro e consolidou um primeiro tempo no qual o Athletico conseguiu transformar sua superioridade em gols com uma eficiência que nem sempre aparece contra adversários mais fechados.

Abrir 3 a 0 em apenas 30 minutos mudou completamente o cenário da partida. A Chapecoense passou a precisar de uma reação improvável, enquanto o Athletico ganhou a possibilidade de administrar o desgaste físico e pensar também nos compromissos seguintes. Em uma temporada longa, esse tipo de vantagem pode ser útil para preservar jogadores e distribuir minutos entre os integrantes do elenco, sobretudo quando a equipe tem objetivos importantes na reta final.

Foi nessa lógica que Fábio Moreno, substituindo Odair Hellmann pela última vez antes do retorno do treinador após a suspensão, promoveu três alterações ainda durante o intervalo de jogo. Arthur Dias, Esquivel e Leozinho deixaram o campo por questões físicas, em mudanças que tinham uma justificativa compreensível diante do placar e da necessidade de cuidar dos atletas.

O problema não foi necessariamente substituir jogadores ou diminuir a intensidade em algum momento. Com uma vantagem de três gols, seria natural que o Athletico tentasse controlar o ritmo e evitasse correr riscos desnecessários. A questão foi a dimensão dessa queda. O time passou de uma equipe que pressionava e atacava com confiança para outra que parecia acreditar que o jogo estava resolvido, mesmo com mais de um tempo de partida ainda por disputar.

O Athletico relaxou e permitiu que a Chapecoense acreditasse

A mudança de comportamento ficou evidente depois das substituições. Com uma formação modificada e o placar amplamente favorável, o Athletico perdeu parte da agressividade que havia marcado o início do confronto. A equipe passou a conceder mais espaço, encontrou dificuldades para impedir a progressão da Chapecoense e deixou de controlar a partida com a mesma segurança.

A reação dos donos da casa não surgiu apenas de uma melhora técnica repentina. O espaço oferecido pelo Furacão também teve papel importante. Sem a mesma pressão sobre a bola e com dificuldades para proteger determinadas zonas do campo, o Athletico permitiu que a Chapecoense avançasse e acumulasse finalizações. O adversário, que parecia praticamente derrotado aos 30 minutos, ganhou confiança para insistir nas jogadas e começou a testar o goleiro Mycael.

O dado mais incômodo é que a Chapecoense terminou a partida com 22 finalizações, oito delas na direção do gol. Para uma equipe que ocupa a última posição e enfrentava um adversário interessado em consolidar sua presença no G-4, é um volume que merece atenção. O resultado final foi confortável, mas o número de oportunidades concedidas mostra que o Athletico perdeu o controle defensivo por um período considerável.

Mycael precisou trabalhar sucessivas vezes para evitar que a diferença diminuísse ainda mais cedo. A pressão da Chapecoense não significava necessariamente que o Athletico estivesse perto de perder a vitória, mas tornava o jogo muito mais complicado do que deveria ser. Em vez de conduzir a partida até o apito final com tranquilidade, o Furacão passou a depender de intervenções do goleiro e da falta de eficiência do adversário.

O gol da Chapecoense, que reduziu o placar para 3 a 1, foi um reflexo desse cenário. A equipe catarinense encontrou uma recompensa para a pressão que vinha exercendo, enquanto o Athletico recebeu um aviso de que a vantagem construída no primeiro tempo não seria suficiente para garantir o controle do jogo sem uma postura mais concentrada.

A resposta rubro-negra veio com o quarto gol, novamente marcado por Viveros. O atacante ampliou a vantagem e ajudou a encerrar a reação adversária, devolvendo ao placar uma diferença mais compatível com a superioridade demonstrada pelo Furacão no início. Ainda assim, o fato de a equipe ter precisado sofrer para voltar a se impor é um aspecto que não pode ser ignorado.

Contra a Chapecoense, a queda de intensidade não custou pontos. Diante de um adversário mais eficiente, porém, o mesmo comportamento poderia produzir consequências bem diferentes.

A goleada dá confiança, mas o Palmeiras será um teste de outro nível

A vitória tem méritos que não devem ser diminuídos pelas dificuldades do segundo tempo. O Athletico fez três gols rapidamente, demonstrou qualidade para aproveitar os espaços e conseguiu construir um resultado importante fora de casa. Viveros voltou a aparecer como uma referência ofensiva, Leozinho contribuiu com uma jogada individual de destaque e Luiz Gustavo também deixou sua marca. O time mostrou que possui recursos para transformar a superioridade técnica em vantagem no placar.

Além disso, reassumir a terceira colocação e chegar aos 53 pontos fortalece a posição do clube na disputa por uma vaga na Libertadores. A vantagem de cinco pontos sobre o Cruzeiro oferece uma margem relevante, mas não elimina a necessidade de continuar somando. A reta final exige regularidade, e resultados como o obtido em Chapecó podem fazer diferença tanto pela pontuação quanto pela confiança que produzem dentro do elenco.

O alerta, entretanto, chega no momento mais oportuno. O próximo adversário será o Palmeiras, vice-líder do campeonato e dono do segundo melhor ataque da competição. Diferentemente da Chapecoense, o time paulista costuma ter capacidade para transformar espaços em oportunidades de alta qualidade e punir adversários que perdem a organização defensiva.

Por isso, o Athletico precisará levar para o próximo jogo não apenas a confiança da goleada, mas também a consciência de que uma vantagem confortável não autoriza a equipe a abandonar suas responsabilidades coletivas. Controlar o ritmo não significa deixar de pressionar quando necessário, assim como preservar energia não deve ser confundido com permitir que o adversário jogue livremente no campo ofensivo.

A comissão técnica também terá de avaliar como administrar o desgaste dos jogadores sem comprometer a estrutura do time. As substituições feitas por Fábio Moreno tinham uma justificativa física, mas a queda de rendimento mostra que mudanças na escalação podem exigir ajustes na maneira de defender e atacar. Quando uma equipe retira peças importantes de seu funcionamento, precisa garantir que os substitutos consigam manter as distâncias entre os setores e executar as mesmas tarefas coletivas.

O Athletico não precisa jogar todos os minutos no mesmo ritmo para competir em alto nível. Precisa, isso sim, saber quando diminuir a intensidade sem perder o controle da partida. Essa é uma diferença importante para um time que pretende sustentar sua posição entre os primeiros colocados e transformar a campanha no Brasileirão em uma classificação para a Libertadores.

A goleada sobre a Chapecoense cumpre seu papel e dá ao Furacão um novo impulso na tabela. Mas também deixa uma lição que pode ser decisiva nas próximas rodadas: a superioridade técnica ajuda a construir resultados, enquanto a concentração e a disciplina coletiva são necessárias para protegê-los.

O Athletico saiu de Chapecó com quatro gols marcados e três pontos fundamentais. Para que a vitória represente mais do que uma obrigação cumprida, o time precisará transformar o alerta do segundo tempo em aprendizado. Contra o Palmeiras, a margem para relaxar será muito menor, e o Furacão terá de mostrar que consegue manter o mesmo nível de seriedade mesmo quando a partida não estiver resolvida tão cedo.

(Foto: Luís Miguel Ferreira/Athletico)