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Automobilismo Fórmula 1

Audi aponta o diferencial de Bortoleto que vai além da velocidade na Fórmula 1

Gabriel Bortoleto vem mostrando em 2026 que sua evolução na Fórmula 1 vai muito além dos resultados. Para Allan McNish, diretor de corridas da Audi, o brasileiro reúne uma combinação particularmente valiosa: velocidade natural, capacidade analítica, controle emocional e disposição para trabalhar.

Depois de conquistar os títulos consecutivos da Fórmula 3 e da Fórmula 2, Bortoleto chegou à F1 em 2025 pela então Sauber. Em sua primeira temporada, acabou superado pelo experiente Nico Hülkenberg, que terminou o campeonato com 51 pontos contra 19 do brasileiro.

O cenário mudou completamente em 2026. Na pausa de verão, Bortoleto leva vantagem de 10 a 2 nos resultados de classificação sobre o companheiro de equipe e também vem apresentando uma evolução significativa em ritmo de corrida.

Um dos melhores exemplos apareceu em Spa-Francorchamps. Em um circuito no qual a Audi esperava enfrentar dificuldades com sua nova unidade de potência, Bortoleto conseguiu avançar ao Q3, largou em nono e terminou a corrida na oitava posição. Para McNish, porém, o mais interessante está na maneira como o brasileiro constrói seu desempenho.

Bortoleto alia velocidade a uma abordagem extremamente analítica

Segundo McNish, Bortoleto não depende apenas de talento natural para encontrar velocidade. O brasileiro tem uma abordagem bastante racional para entender o comportamento do carro e construir seu ritmo. Essa característica, na visão do dirigente, ficou evidente ao longo de 2026, especialmente durante as sessões de classificação.

Bortoleto parece tratar cada volta como um processo de aprendizado: identifica onde está perdendo tempo, entende o que precisa mudar e tenta transformar essa informação em desempenho na tentativa seguinte.

Para um piloto de F1, essa capacidade pode ser tão importante quanto a velocidade pura. Com carros cada vez mais complexos e equipes trabalhando com enormes quantidades de dados, compreender por que determinado comportamento acontece é fundamental para extrair o máximo do equipamento. E é justamente a combinação dessas características que chama a atenção de McNish.

O episódio da Fórmula 2 que mostrou sua força mental

O dirigente da Audi também resgatou um episódio da passagem de Bortoleto pela Fórmula 2 para explicar outra qualidade que considera fundamental: a capacidade de reagir rapidamente depois de um erro. Durante a etapa do Catar, Bortoleto liderava uma corrida quando uma situação envolvendo o safety car fez com que os boxes fossem fechados. O brasileiro precisou retornar à pista rapidamente e acabou cruzando a linha branca na saída dos boxes.

O resultado foi uma punição de cinco segundos. Bortoleto ainda recebeu a bandeirada em primeiro, mas a penalidade o relegou à terceira posição em uma disputa apertada pelo campeonato contra Isack Hadjar.

Para McNish, o mais importante não foi o erro em si, mas a maneira como Bortoleto conseguiu se recuperar mentalmente e continuar competindo. Em uma categoria na qual decisões erradas podem comprometer uma corrida inteira, não deixar um incidente afetar as voltas seguintes é uma característica especialmente valiosa.

Experiência começa a transformar potencial em resultados

McNish acredita que Bortoleto já possuía dois elementos fundamentais antes mesmo de chegar à F1: velocidade e capacidade de análise. Agora, o brasileiro começa a acrescentar algo que só pode ser adquirido com tempo de pista: experiência.

Essa combinação é justamente o que pode determinar até onde Bortoleto será capaz de chegar na categoria. O brasileiro tem apenas 21 anos e ainda está em uma fase de aprendizado. Ao mesmo tempo, já passou por situações suficientes para começar a entender melhor como administrar uma temporada de F1, trabalhar com os engenheiros e extrair desempenho em diferentes condições.

Para McNish, é esse processo de amadurecimento que torna o potencial de Bortoleto particularmente interessante.

Trabalho fora da pista também impressiona a Audi

Outro aspecto destacado pelo diretor da Audi é o comportamento do brasileiro longe dos circuitos. McNish descreve Bortoleto como uma pessoa positiva e fácil de trabalhar, algo que considera importante dentro de uma equipe que está construindo um projeto praticamente do zero.

Mas a característica que talvez mais chame atenção seja sua ética de trabalho. McNish dá um exemplo simples: se houvesse uma sessão de simulador marcada para 2 de janeiro, Bortoleto estaria disposto a estar lá trabalhando com seu engenheiro.

Esse comprometimento é particularmente relevante para a Audi neste momento. A equipe ainda está construindo sua estrutura de F1 e precisa de pilotos que não apenas executem o trabalho durante os finais de semana de corrida, mas que também estejam dispostos a contribuir para o desenvolvimento do projeto.

Bortoleto e Hülkenberg formam uma combinação complementar

McNish também vê uma vantagem na atual dupla da Audi. De um lado está Hülkenberg, com uma década e meia de experiência na Fórmula 1 e um conhecimento profundo das particularidades do paddock. Do outro, Bortoleto representa a nova geração, com entusiasmo, velocidade e uma maneira mais analítica de trabalhar.

Em vez de enxergar a diferença de idade e experiência como um problema, a Audi acredita que os dois podem se complementar. Hülkenberg oferece a referência de quem já viveu praticamente todas as situações possíveis na F1. Bortoleto, por sua vez, traz uma perspectiva mais jovem e a disposição para questionar e buscar novas soluções.

E essa troca pode ser especialmente importante para uma equipe que ainda está definindo sua identidade na categoria. É justamente por isso que McNish vê tanto potencial em Bortoleto: o brasileiro não parece depender de uma única qualidade. Ele combina velocidade, inteligência para entender o carro, maturidade para superar erros e uma ética de trabalho que pode acelerar seu desenvolvimento.

Com a experiência acumulada em 2026, o próximo passo será transformar esse conjunto de características em resultados cada vez mais consistentes e provar que o potencial apontado pela Audi pode, de fato, se converter em uma carreira de alto nível na Fórmula 1.

Foto: (Reprodução/ Motor Sport Images)