Seguindo a nossa série com as cinco maiores vitórias da história dos grandes clubes do país, chegou a hora de relembrar ao torcedor do Bahia grandes momentos da história do tricolor de aço.
Entre os jogos temos conquistas nacionais e também clássicos que entraram para a história do maior campeão baiano. Confira.
5. Bahia 1×0 Sport – Final da Copa do Nordeste de 2017 (jogo de volta)

Na final da Copa do Nordeste de 2017, depois de empate fora, por 1 a 1, o Bahia fez o jogo decisivo em Salvador. Com o placar agregado aberto, bastava um resultado simples para garantir o título. O gol solitário de Edigar Junio foi suficiente para consagrar o Tricolor na competição, diante de 40.739 torcedores presentes.
A partida foi marcada por tensão e equilíbrio defensivo. O Sport pressionou, mas o Bahia resistiu com disciplina e fez o gol no momento certo, controlando o segundo tempo com solidez e inteligência, mantendo o sistema defensivo forte até o apito final.
A conquista da taça rompeu um jejum regional de 15 anos e devolveu ao Bahia o prestígio no Nordeste. O título teve efeito simbólico de renovação do clube, reacendendo o orgulho tricolor em solo federal.
Esse jogo representou a retomada de protagonismo do Bahia no Nordestão, consolidando a era moderna de conquistas e reforçando a mística como representante baiano em torneios regionais.
4. Bahia 3×1 Vitória – Final da Copa do Nordeste 2002 (jogo de ida)

A final da Copa do Nordeste de 2002 foi inteiramente baiana: Bahia e Vitória duelaram em duas partidas memoráveis. No jogo de ida, realizado na Fonte Nova, o Tricolor precisava construir um bom resultado diante do rival para administrar a volta no Barradão. E assim o fez, com uma atuação de imposição e talento.
Comandado por Bobô, o Bahia entrou em campo determinado e logo tomou controle do jogo. Sérgio Alves abriu o placar com um belo gol, Nonato ampliou, e Robgol marcou o terceiro, transformando o estádio em festa. O Vitória ainda descontou, mas não conseguiu mudar o panorama da partida.
O 3 a 1 deu ao Bahia a vantagem emocional e estratégica para o segundo jogo. No Barradão, o empate por 0 a 0 garantiu o título inédito da Copa do Nordeste ao Esquadrão. A taça foi ainda mais saborosa por ter sido conquistada em cima do maior rival.
Essa vitória no jogo de ida foi o ponto alto de uma campanha sólida e virou um marco da era moderna do clube. Foi o primeiro grande título regional após o bicampeonato brasileiro, reacendendo a paixão e o orgulho da torcida tricolor.
3. Bahia 1×0 Fast Club – Série C de 2007 (jogo da classificação)

Após viver um dos períodos mais difíceis de sua história, o Bahia amargava a Série C em 2007. Na última rodada da segunda fase, o clube precisava desesperadamente vencer o modesto Fast Club do Amazonas para avançar, qualquer outro resultado seria um desastre, e a eliminação precoce colocaria o futuro do clube em risco.
O jogo foi tenso, travado, e o gol não saía. Aos 50 minutos do segundo tempo, quando parecia que o acesso escaparia, Charles recebeu cruzamento e cabeceou no canto: 1 a 0. O gol foi explosivo, inesquecível. A torcida invadiu o campo da Fonte Nova chorando, cantando e comemorando a vitória mais dramática da década.
Mais do que uma vitória, aquele resultado foi um resgate emocional. O Bahia não apenas avançou na competição como começou ali o processo de reconstrução institucional e esportiva que culminaria com o retorno à Série A anos depois. Foi o momento em que o clube “renasceu” diante de sua torcida.
O gol de Charles virou símbolo de luta, persistência e paixão. É lembrado como um dos momentos mais emocionantes da história do Bahia e como a vitória que salvou o clube da irrelevância definitiva.
2. Bahia 2×1 Internacional – Final do Brasileirão de 1988 (jogo de ida)

Em uma Fonte Nova lotada com mais de 90 mil torcedores, o Bahia enfrentou um Internacional favorito, com estrelas como Taffarel e Tita. O time gaúcho abriu o placar com Leomir, mas o capitão Bobô virou a partida com dois belíssimos gols, dando ao Bahia a vantagem para a decisão no Beira-Rio.
O ambiente era de euforia: a torcida cantava com intensidade, e a equipe tricolor correspondeu com uma atuação coesa, unindo boa marcação e transições rápidas. Bobô era o maestro da virada e se tornou ídolo imediato. A atmosfera era de crença e esperança no título nacional.
A virada foi emblemática porque renovou o fervor da torcida tricolor numa campanha que se tornou histórica. A vitória consolidou a força tática do técnico Evaristo de Macedo e a entrega dos jogadores em campo.
Com a vantagem construída ali, o empate em 0×0 no Beira-Rio garantiu ao Bahia o bicampeonato brasileiro, firmando aquele triunfo como um dos mais decisivos da trajetória nacional do clube.
1. Bahia 3×1 Santos – Final da Taça Brasil de 1959 (jogo decisivo)

Após um jogo vencido pelo Bahia em Santos (3×2) e outro vencido pelo Santos na Fonte Nova (2×0), a Confederação Brasileira de Desportos determinou uma partida de desempate em campo neutro. O palco escolhido foi o Maracanã, no Rio de Janeiro, e a tensão era imensa: de um lado, o badalado Santos de Pelé (que não jogou, lesionado), do outro, o Bahia, representando o Nordeste na primeira grande final do futebol nacional.
O jogo começou com pressão do Santos, que abriu o placar com Coutinho. Mas o Bahia, sob o comando de Carlos Volante, reagiu de forma surpreendente. Vicente empatou, e ainda no primeiro tempo, Léo Briglia virou. No segundo tempo, Alencar marcou o terceiro, sacramentando uma das maiores viradas da história do futebol brasileiro. O Santos, que terminou com vários jogadores expulsos, não conseguiu reagir.
A atuação tricolor foi memorável: intensidade, coragem e disciplina tática diante de um adversário que dominava o futebol brasileiro. Jogadores como Nadinho, Florisvaldo, Marito e Vicente se tornaram lendas. O técnico Carlos Volante, que assumiu antes da decisão, foi apontado como figura decisiva para a organização tática do time.
Com o 3 a 1, o Bahia conquistou a primeira Taça Brasil, tornando-se o primeiro campeão brasileiro da história. Foi também o primeiro clube do Nordeste a disputar a Libertadores (em 1960) e até hoje, essa partida é o maior símbolo da grandeza tricolor. Um feito histórico, de proporções continentais, que colocou o Esporte Clube Bahia para sempre na elite do futebol nacional.
(Imagem de capa: Marcelo Malaquias / EC Bahia)