O Barcelona já definiu sua prioridade para a próxima janela: contratar um camisa 9. E o nome que lidera essa lista é Julián Álvarez. Aos 25 anos, o atacante do Atlético de Madrid é o favorito da diretoria. O interesse é mútuo: o jogador já sabe que agrada e também vê com bons olhos a possibilidade de defender o clube catalão, mesmo tendo contrato até 2030.
Internamente, o Barcelona acredita ser possível viabilizar a contratação e vê no argentino o perfil ideal. Julián não é apenas um finalizador. É um atacante completo, capaz de atuar dentro e fora da área, associar-se na construção, atacar espaços e cair pelos lados. Um pacote que encaixa no modelo de jogo que o clube busca reconstruir.
Entretanto, antes de qualquer avanço, o Barcelona precisa resolver uma questão central: o fair play financeiro. A expectativa interna é operar dentro da regra 1:1 no verão europeu — isto é, só pode gastar uma quantia equivalente ao que arrecada ou economiza. Desse modo, abriria margem para um investimento de até 100 milhões de euros em um centroavante, considerando valores fixos e variáveis.
Na prática, o clube trabalha com um cenário de:
- €80 a €90 milhões fixos
- restante em bônus por metas
Sem esse encaixe, a operação se torna inviável.
Uma negociação que depende de três lados

Até o momento, não houve contato formal com o Atlético. E, nos bastidores, há um entendimento claro: o clube colchonero não pretende facilitar. Oficialmente, Diego Simeone considera Julián peça importante e não trabalha com a possibilidade de venda. Por isso, o Barcelona sabe que a negociação depende de um terceiro fator: o próprio jogador.
Joan Laporta espera algum gesto do argentino, seja público ou nos bastidores. E alguns sinais já surgiram. Julián declarou, recentemente, que não tem permanência garantida no Atlético para a próxima temporada, repetindo um discurso que já havia adotado meses atrás.
Caso o clube espanhol endureça a negociação, o atacante precisará dar um passo além: manifestar internamente o desejo de sair, conversar diretamente com Simeone e até aceitar um ajuste salarial. A ideia seria um contrato progressivo — com valores menores no início e crescimento ao longo do vínculo — para facilitar o encaixe nas regras financeiras do Barça.
O Atlético, por sua vez, mantém o discurso oficial: Julián não está à venda. Mas o contexto pode abrir brechas. O atacante não vive sua melhor temporada e, caso o clube precise gerar receita para se reforçar, há poucos nomes no elenco com valor de mercado tão alto. Em contrapartida, nos bastidores um possível substituto já é monitorado: Joaquín Panichelli, do Strasbourg.
O efeito no elenco do Barcelona

A possível chegada de um novo camisa 9 impacta diretamente o atual elenco do Barcelona. Robert Lewandowski tem contrato até o fim da temporada, e Laporta já manifestou o desejo de renovação por mais um ano. A decisão, porém, está nas mãos do atacante, que deve definir seu futuro até o fim de abril.
O clube aceita mantê-lo, mas com redução salarial. Hoje, o polonês recebe um dos maiores vencimentos do elenco e já tem propostas da Arábia Saudita, da MLS (com interesse do Chicago Fire) e sondagens do Milan.

Já Ferran Torres vive um cenário diferente. Com contrato até 2027, ele ainda não teve conversas para renovação. A diretoria entende que seu salário atual já é adequado e não pretende oferecer aumento. Mesmo valorizado internamente — especialmente pelo comportamento e pela contribuição ao grupo —, o camisa 7 do Barcelona pode perder espaço. Nesta temporada, atuou mais do que Lewandowski, mas a chegada de um novo centroavante mudaria esse cenário.
No Atlético de Madrid, inclusive, há admiração pelo jogador, principalmente por parte de Mateu Alemany, diretor esportivo do Atleti e aquele quem foi responsável pela ida de Ferrán para Barça em 2021.
O cenário final

O Barcelona tem um plano claro: encontrar seu novo camisa 9. Julián Álvarez é o alvo principal, mas a operação está longe de ser simples. Entre limites financeiros, resistência do Atlético e a necessidade de um movimento do próprio jogador, o desfecho ainda depende de várias peças.
E, caso se concretize, a chegada de um novo centroavante não será apenas uma contratação. Será uma mudança estrutural no ataque do Barça.
Créditos da foto de capa: Oscar del Pozo/AFP