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Barcelona x Real Madrid: Veja 5 fatores que podem decidir o El Clásico

Barcelona e Real Madrid entram em campo neste domingo para um El Clásico que pode ter enorme impacto na disputa pelo título espanhol. Mesmo com apenas dez rodadas sendo completadas, uma vitória catalã colocaria o atual campeão nove pontos à frente do maior rival e aumentaria ainda mais a pressão sobre José Mourinho.

O Barcelona chega com nove vitórias em nove partidas de La Liga e seis pontos de vantagem para o Real Madrid. É a maior distância dos merengues para a liderança nesta altura do campeonato desde a temporada 2012/13. Uma derrota no Camp Nou, portanto, colocaria Mourinho em uma situação bastante complicada.

Do outro lado, o Barça também chega ao clássico depois de sofrer seu primeiro grande golpe da temporada. A equipe de Hansi Flick perdeu por 4 a 2 para o Paris Saint-Germain pela Champions League e mostrou problemas defensivos que podem ser explorados pelos visitantes.

Entre momento das equipes, desfalques e escolhas táticas, cinco fatores aparecem como fundamentais para entender onde Barcelona x Real Madrid pode ser decidido.

Mourinho reencontra o Barcelona

A presença de José Mourinho naturalmente aumenta a temperatura do clássico. O português construiu uma rivalidade intensa com o Barcelona durante sua primeira passagem pelo Real Madrid e agora terá seu primeiro grande duelo contra os catalães desde que retornou ao Santiago Bernabéu.

Seu retrospecto mostra uma evolução importante. Mourinho começou sua história nos clássicos sofrendo uma goleada por 5 a 0 em 2010, mas deixou o Real Madrid em 2013 acumulando cinco partidas consecutivas sem derrota diante do Barça.

Caso mantenha essa sequência, poderá se tornar apenas o terceiro treinador da história madridista a passar seis clássicos consecutivos sem perder, juntando-se a Miguel Muñoz e Vicente del Bosque.

O contexto, porém, aumenta a necessidade de resultado. Mais do que a rivalidade pessoal, Mourinho precisa evitar que o Barcelona abra nove pontos de vantagem e transforme o início da disputa pelo título em uma perseguição extremamente complicada.

Barcelona é praticamente imbatível em casa

O Camp Nou se transformou em uma fortaleza sob o comando de Flick. O Barcelona venceu os quatro jogos como mandante nesta edição de La Liga depois de conquistar as 19 partidas em casa na campanha anterior.

Isso representa uma sequência de 23 vitórias consecutivas no campeonato dentro de seus domínios. Além dos resultados, a produção ofensiva impressiona: em cinco partidas no Camp Nou nesta temporada, o time já marcou 22 gols.

O desempenho do Real Madrid como visitante está bem distante disso. Foram quatro jogos fora de casa em La Liga, com duas vitórias e duas derrotas. Os tropeços aconteceram justamente contra Betis e Atlético de Madrid, equipes que terminaram entre as cinco melhores da temporada passada.

Até mesmo as vitórias sobre Espanyol e Elche exigiram gols de Carlos Espí aos 90 minutos. O Real, portanto, ainda precisa mostrar que consegue apresentar o mesmo nível longe do Bernabéu diante de adversários fortes.

Defesa do Barcelona pode ser explorada

Ofensivamente, poucos times começaram a temporada melhor. Lamine Yamal participou diretamente de gols em dez partidas consecutivas pelo clube, enquanto Raphinha lidera a artilharia de La Liga com 12 gols em nove rodadas.

O Barcelona marcou 50 vezes em apenas 12 compromissos considerando todas as competições. No entanto, a derrota para o PSG mostrou que a defesa continua oferecendo espaços.

Os franceses produziram oportunidades equivalentes a 3,7 gols esperados no triunfo por 4 a 2. Para um Real Madrid que marcou quatro gols em cada uma das últimas três partidas, esse desempenho defensivo certamente chamará atenção.

Flick também utilizou quatro adolescentes como titulares na Champions: Lamine Yamal, Marc Bernal, Xavi Espart e Pau Cubarsí. O treinador poderá optar por acrescentar experiência ao time para evitar que a derrota em Paris se transforme em uma sequência negativa.

Real Madrid terá de sobreviver sem Vinicius

A principal ausência do clássico será Vinicius Júnior. Suspenso depois da expulsão contra o Villarreal, o brasileiro ficará fora justamente de uma partida na qual sua velocidade normalmente seria importante para atacar a linha defensiva alta do Barcelona.

Apesar disso, a vitória por 4 a 1 sobre o Sevilla mostrou que o Real consegue continuar produzindo pelo lado esquerdo. Mesmo sem Vinicius, metade das ações ofensivas aconteceu naquela região e 66,7% das oportunidades foram criadas por ali.

Yan Diomande foi o grande destaque. Aos 19 anos, tornou-se o primeiro jogador com menos de 20 a marcar e dar assistência pelo Real Madrid em uma partida de La Liga neste século. Depois, repetiu a combinação de gol e assistência contra o RB Leipzig pela Champions.

A responsabilidade maior, porém, estará com Kylian Mbappé. O francês marcou seis gols em seis clássicos desde sua chegada ao clube, média de um gol a cada 75 minutos. Jude Bellingham também possui ótimo histórico, com quatro gols e duas assistências em seis confrontos.

Pressionar ou esperar? Mourinho terá decisão crucial

Talvez a principal escolha de Mourinho aconteça sem a bola. O Barcelona utiliza uma linha defensiva extremamente adiantada e começa seus ataques, em média, a 45,5 metros do próprio gol, maior marca de La Liga.

Essa postura deixa espaço nas costas da defesa, algo que pode favorecer Mbappé. O francês, entretanto, conhece os riscos de enfrentar a armadilha de impedimento catalã. No primeiro clássico de Flick, foi flagrado em posição irregular oito vezes.

Uma opção para Mourinho seria defender mais baixo, entregar parte da posse ao Barcelona e tentar atacar rapidamente os espaços. É uma estratégia compatível com vários dos grandes jogos da carreira do treinador.

Mas o PSG mostrou outra possibilidade. Os franceses pressionaram a saída catalã, recuperaram bolas próximas da área e criaram oportunidades dessa maneira. Em La Liga, apenas o Levante sofreu mais gols depois de perdas provocadas por pressão alta do que o Barcelona.

O Real Madrid, por sua vez, lidera o campeonato em recuperações altas que terminam em finalização, com 19. Isso cria um dilema interessante: Mourinho pode explorar a velocidade de Mbappé esperando mais atrás ou assumir riscos e atacar a saída de bola adversária.

A resposta pode decidir o clássico. O Barcelona entra favorito pelo momento, pela liderança e pelo desempenho em casa, mas o Real Madrid possui armas para explorar suas fragilidades. Com nove pontos potencialmente separando os rivais ao fim da rodada, dificilmente haverá um El Clásico comum neste domingo.

Foto: Divulgação