Bellingham
Futebol Copa do Mundo

Bellingham explode na Copa do Mundo após mudança de Thomas Tuchel e vira protagonista da Inglaterra

Jude Bellingham sempre foi tratado como um fenômeno do futebol mundial, mas a Copa do Mundo de 2026 mostra uma versão ainda mais completa do meia do Real Madrid. Sob o comando de Thomas Tuchel, o camisa 10 ganhou mais liberdade para atacar, passou a jogar mais próximo de Harry Kane e se transformou em uma das principais armas da Inglaterra na luta pelo título mundial.

Os números deixam isso muito claro. Com quatro gols em cinco partidas, Bellingham já superou sua marca somada nas duas últimas grandes competições pela seleção inglesa e aparece entre os principais candidatos à Chuteira de Ouro do torneio. Mais do que um meio-campista que organiza o jogo, ele virou um jogador decisivo dentro da área adversária, mostrando que a principal mudança promovida por Tuchel aconteceu justamente na forma como ele é utilizado.

Tuchel mudou o posicionamento e potencializou o camisa 10

Desde que assumiu a seleção inglesa, Thomas Tuchel deixou claro que queria uma Inglaterra mais agressiva e dinâmica. Para isso, percebeu rapidamente que Jude Bellingham poderia oferecer muito mais do que intensidade e qualidade na construção das jogadas. Em vez de mantê-lo como um meio-campista que participa da saída de bola, o treinador decidiu colocá-lo mais próximo do gol.

A diferença é evidente quando se compara esta Copa do Mundo com os torneios anteriores. No Mundial de 2022, Bellingham passava boa parte do jogo próximo da linha do meio-campo, auxiliando na marcação e na distribuição da bola. Na Eurocopa de 2024, ganhou alguns metros, mas ainda aparecia preso principalmente pelo lado esquerdo. Agora, sob Tuchel, circula por praticamente todo o último terço do campo, atuando como um verdadeiro camisa 10, com liberdade para aparecer entre os zagueiros, atacar os espaços e infiltrar constantemente na área.

Essa mudança também permite que o inglês receba a bola em regiões muito mais perigosas, tornando-se uma ameaça constante para qualquer defesa. O resultado aparece não apenas nas estatísticas, mas na confiança com que ele joga cada partida.

Estatísticas mostram uma evolução impressionante

A evolução de Bellingham não é apenas uma impressão para quem acompanha os jogos. Os números comprovam que o meia vive sua melhor competição pela seleção inglesa.

Sua média de finalizações saltou para 2,67 por jogo, um crescimento enorme em relação às últimas competições internacionais. Na Euro 2024, por exemplo, essa média era de apenas 0,8 chute por partida. Já na Copa do Mundo de 2022, o número chegava a 1,08. Ou seja, Tuchel praticamente dobrou a presença ofensiva do jogador.

Outro dado importante envolve os gols esperados (xG), indicador que mede a qualidade das chances criadas. Além de finalizar mais vezes, Bellingham está chegando em situações muito mais favoráveis para marcar. O número de toques dentro da área também aumentou significativamente, consequência direta do novo posicionamento adotado pela comissão técnica.

Não por acaso, o meia já soma quatro gols no torneio e ocupa lugar de destaque entre os principais artilheiros da Copa, atrás apenas de nomes como Lionel Messi, Kylian Mbappé, Erling Haaland e Harry Kane.

Parceria com Harry Kane virou uma das grandes armas da Inglaterra

Se existe um jogador que também se beneficiou dessa mudança, esse atleta é Harry Kane. A proximidade entre os dois fortaleceu uma parceria que já vinha sendo construída há alguns anos e hoje representa o principal trunfo ofensivo da seleção inglesa.

Contra o México, nas oitavas de final, essa sintonia apareceu de maneira clara. No primeiro gol, Kane atacou o primeiro poste e arrastou a marcação, abrindo espaço para que Bellingham aparecesse livre e cabeceasse para o fundo das redes após cruzamento de Bukayo Saka.

Pouco depois, os papéis se inverteram. Bellingham iniciou a jogada, encontrou Kane, continuou infiltrando na área e recebeu novamente a bola para marcar seu segundo gol na partida. Foi uma jogada que resumiu perfeitamente a dinâmica construída entre os dois jogadores durante esta Copa do Mundo.

A parceria já havia dado resultado na fase de grupos, quando Bellingham cruzou para Kane marcar de cabeça contra o Panamá. Somados, os dois participaram diretamente de dez dos onze gols marcados pela Inglaterra até aqui, mostrando como a dupla se tornou praticamente inseparável no sistema ofensivo de Tuchel.

Rice e Elliot Anderson permitem que Bellingham jogue solto

Toda essa liberdade ofensiva, porém, só é possível porque existe um meio-campo extremamente equilibrado por trás.

Declan Rice e Elliot Anderson exercem papel fundamental para garantir a sustentação defensiva da equipe. Enquanto os dois controlam os espaços, recuperam bolas e iniciam a construção das jogadas, Bellingham recebe liberdade para atacar constantemente sem comprometer o equilíbrio coletivo.

Mesmo assim, seria injusto dizer que o camisa 10 participa apenas da fase ofensiva. Sua intensidade continua sendo uma das características mais marcantes do seu futebol. Quando a Inglaterra perde a posse, ele retorna rapidamente para pressionar, ajuda na marcação e participa da recuperação da bola, algo constantemente elogiado por Thomas Tuchel e também pelos companheiros.

Harry Kane, inclusive, destacou recentemente que a entrega de Bellingham impressiona tanto quanto sua qualidade técnica. Segundo o atacante, poucos jogadores conseguem combinar tanta força física, inteligência e capacidade de aparecer nos momentos decisivos.

Muito além dos gols: o trabalho “invisível” faz diferença

Embora os gols chamem naturalmente mais atenção, existe um lado do jogo de Bellingham que muitas vezes passa despercebido para quem acompanha apenas os lances decisivos.

Dados divulgados pela FIFA mostram que o inglês lidera toda a Copa do Mundo em movimentações para oferecer opção de passe aos companheiros. Foram 347 ações desse tipo ao longo do torneio, número superior ao de qualquer outro jogador participante da competição.

Na prática, isso significa que Bellingham está constantemente procurando espaços, oferecendo alternativas para quem está com a bola e facilitando a circulação ofensiva da Inglaterra. É justamente essa capacidade de aparecer em diferentes setores do campo que permite a Tuchel conceder tanta liberdade ao meia.

Fisicamente, o desempenho também impressiona. O camisa 10 aparece entre os jogadores que mais realizaram sprints durante a Copa do Mundo, ficando atrás apenas do marroquino Ismail Saibari e do belga Timothy Castagne. Isso explica por que ele consegue participar tanto da construção ofensiva quanto da recomposição defensiva sem perder intensidade.

Inglaterra encontra em Bellingham um líder para sonhar com o título

A Inglaterra chega às quartas de final acreditando que pode finalmente encerrar um jejum que já dura décadas na Copa do Mundo. Muito desse otimismo passa pelo trabalho desenvolvido por Thomas Tuchel, que conseguiu montar uma equipe organizada coletivamente, mas sem abrir mão do talento individual de seus principais jogadores.

Nesse cenário, Jude Bellingham talvez seja o maior símbolo dessa evolução. O treinador alemão encontrou uma maneira de potencializar as principais características do meio-campista, aproximando-o do gol, dando liberdade para circular pelo ataque e fortalecendo sua conexão com Harry Kane.

O resultado é uma Inglaterra muito mais perigosa ofensivamente e um Bellingham que parece jogar a melhor Copa do Mundo de sua carreira. Se antes ele já era considerado um dos grandes nomes da nova geração, agora mostra que também pode decidir partidas nos maiores palcos do futebol mundial. E, se continuar mantendo esse nível de atuação, dificilmente deixará de ser um dos protagonistas da reta final do torneio.