Beraldo Luis Enrique
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Beraldo: A última invenção de Luis Enrique no clube parisiense

A evolução do PSG sob o comando de Luis Enrique ganhou um novo capítulo com a transformação de Lucas Beraldo, que deixou de ser apenas um zagueiro promissor para assumir um papel híbrido no sistema parisiense. Essa mudança ilustra a habilidade do treinador espanhol em redefinir funções dentro de um modelo coletivo altamente dinâmico. Em um cenário no qual o clube busca consolidar uma identidade baseada na mobilidade posicional e na superioridade técnica no meio-campo, Beraldo surge como uma solução inesperada, mas que reflete com precisão o projeto tático em curso.

Formado originalmente como defensor no São Paulo, Lucas Beraldo chegou ao PSG com características típicas de um zagueiro construtor, destacando-se pela qualidade no passe e pela leitura de jogo. No entanto, a análise de Luis Enrique foi além do convencional ao enxergar no brasileiro atributos compatíveis com a função de volante organizador — papel historicamente associado a Sergio Busquets. Essa comparação vai além da estética, representando uma tentativa clara de reproduzir, em outro contexto, a figura do jogador responsável por conectar defesa e ataque, ditar o ritmo e controlar espaços.

Essa adaptação ganhou destaque recentemente, quando Lucas Beraldo atuou no meio-campo e teve participação direta em todos os gols na vitória do PSG por 3 a 0 sobre o Angers, pela Ligue 1. Com um gol, uma assistência e envolvimento ativo na construção das jogadas, o brasileiro foi eleito por Luis Enrique como o melhor em campo. Mais do que os números, sua atuação simboliza a consolidação de um experimento tático que já vinha sendo desenvolvido, reforçando sua versatilidade e a flexibilidade do sistema coletivo da equipe, cada vez mais adaptável.

Ao afirmar que Lucas Beraldo é “mais um Sergio Busquets do que Vitinha, Luis Enrique evidencia que não se trata de uma adaptação pontual, mas de uma redefinição estrutural dentro do elenco do PSG. Enquanto Vitinha representa um meio-campista mais dinâmico e vertical, Beraldo assume um papel de equilíbrio, funcionando como ponto de apoio na circulação da bola e oferecendo cobertura defensiva nas transições — algo essencial no modelo de pressão alta adotado pelo clube parisiense ao longo da temporada, garantindo maior controle territorial e estabilidade nos momentos mais exigentes.

Essa reinvenção também se conecta diretamente com a filosofia de Luis Enrique no PSG, marcada pela valorização da versatilidade e pela quebra de hierarquias tradicionais. Desde sua chegada, o treinador promoveu uma mudança significativa, priorizando o coletivo em detrimento do protagonismo individual. Nesse contexto, Beraldo se encaixa perfeitamente: jovem, tecnicamente qualificado e taticamente flexível, capaz de desempenhar diferentes funções sem comprometer a consistência da equipe, contribuindo tanto na organização quanto na proteção defensiva e na saída de bola sob pressão.

Além disso, sua utilização no meio-campo amplia as possibilidades estratégicas do PSG em competições como a UEFA Champions League e a própria Ligue 1. Ter um jogador com características defensivas na base do setor proporciona maior proteção à linha defensiva sem prejudicar a saída de bola, criando um equilíbrio funcional que pode ser decisivo em jogos de alto nível. Além disso, essa configuração favorece a manutenção da posse sob pressão, melhora a ocupação de espaços e amplia as alternativas táticas diante de diferentes estilos de adversários ao longo da temporada.

Dessa forma, Lucas Beraldo deixa de ser apenas uma alternativa circunstancial para se tornar um reflexo da evolução tática do PSG. Sua transformação em volante organizador evidencia a capacidade de Luis Enrique de ir além das posições tradicionais e construir um sistema em que a função se sobrepõe ao rótulo. Assim, o jogador revelado pelo São Paulo se consolida como uma das principais “invenções” do treinador espanhol no clube parisiense, incorporando em campo princípios de inteligência, adaptabilidade e controle coletivo no mais alto nível competitivo europeu.

Foto: Getty Images

Como Beraldo se tornou titular do PSG nos últimos jogos, após ficar no banco de reservas

A sequência recente de partidas do PSG revela uma mudança importante no status de Lucas Beraldo dentro do elenco, transformando um jogador que antes era opção secundária em presença frequente entre os titulares. Essa evolução não aconteceu por acaso, mas como resultado de fatores estruturais, decisões técnicas de Luis Enrique e, principalmente, da capacidade de adaptação do próprio atleta. Sua leitura de jogo, versatilidade e consistência tática contribuíram para ampliar seu espaço, consolidando-o como peça relevante no funcionamento coletivo do clube parisiense ao longo da temporada.

Durante grande parte da temporada 2025/26, Lucas Beraldo enfrentou forte concorrência na defesa do PSG. A solidez da dupla formada por Marquinhos e Willian Pacho, aliada à chegada de reforços como Ilya Zabarnyi, reduziu significativamente seu espaço. Com isso, o brasileiro passou a acumular jogos no banco e períodos com poucos minutos em campo, gerando até especulações sobre uma possível saída do clube, em meio a um cenário de alta competitividade interna e constantes ajustes promovidos pela comissão técnica ao longo da temporada.

A mudança começou a partir de uma necessidade do próprio sistema. O meio-campo sofreu com desgaste físico e falta de opções em momentos decisivos, especialmente pela sobrecarga de jogadores como Vitinha. Foi nesse cenário que Luis Enrique identificou em Beraldo qualidades pouco exploradas até então, como a capacidade de organização, leitura de jogo e eficiência na saída de bola. A solução foi reposicioná-lo como volante.

A resposta foi imediata. Após testes positivos, Beraldo passou a ganhar sequência e assumiu a titularidade em partidas importantes, tanto na Ligue 1 quanto na UEFA Champions League. Ele iniciou jogos contra equipes como Toulouse, Liverpool, Lyon, Nantes e Angers, consolidando uma presença constante que contrasta com seu período anterior no banco.

Seu desempenho individual também foi decisivo nesse processo. Na vitória sobre o Angers, por exemplo, teve atuação de destaque com gol, assistência e alto índice de acerto nos passes, sendo eleito o melhor em campo pelo treinador. Atuações desse nível reforçaram a confiança da comissão técnica e justificaram sua permanência entre os titulares.

Outro fator relevante foi o contexto físico do elenco do PSG. A ausência de Vitinha em algumas partidas abriu espaço para que Lucas Beraldo se firmasse ainda mais no meio-campo, aproveitando a oportunidade para ganhar protagonismo. Nesse cenário, o treinador Luis Enrique pôde testar novas soluções táticas, reforçando a versatilidade do brasileiro em diferentes funções. A resposta positiva do jogador contribuiu para aumentar sua confiança e importância dentro do elenco, especialmente em jogos de maior exigência competitiva.

Assim, sua trajetória recente no PSG representa um claro processo de reinvenção. De reserva em um setor competitivo, Lucas Beraldo encontrou espaço ao se adaptar a uma nova função alinhada às exigências táticas do treinador Luis Enrique. Sua ascensão não é fruto apenas de circunstâncias, mas resultado de desempenho consistente e inteligência tática, que o permitiram se encaixar em um modelo que valoriza a versatilidade, o controle de jogo e a capacidade de atuar em diferentes zonas do campo sem perda de equilíbrio coletivo.

Foto: AFP/Getty Images

Será que Beraldo ainda vai terminar a temporada em alta no PSG?

A tendência para o restante da temporada indica que Lucas Beraldo tem boas chances de encerrar o ciclo em alta no PSG. Seu crescimento recente não parece ser apenas uma fase passageira, mas sim consequência de uma mudança estrutural dentro da equipe, promovida pelo treinador Luis Enrique, o que aumenta a probabilidade de continuidade desse bom momento. Com maior confiança, adaptação tática e versatilidade em diferentes funções, o jogador se consolida como uma peça relevante no elenco, especialmente em um cenário competitivo e exigente como o do futebol europeu atual.

O principal fator que sustenta essa projeção é a consolidação de sua nova função no meio-campo. Nas últimas semanas, Beraldo deixou de ser apenas uma opção defensiva para assumir um papel central na organização do jogo. Suas atuações consistentes, incluindo o destaque contra o Angers, reforçam sua importância e ampliam sua relevância dentro do elenco.

Do mesmo modo, a confiança demonstrada por Luis Enrique é um indicativo importante. Ao compará-lo a Sergio Busquets, o treinador sinaliza que vê em Lucas Beraldo um jogador capaz de desempenhar um papel estratégico de longo prazo, e não apenas uma solução emergencial. Essa avaliação reforça sua valorização dentro do PSG, destacando sua inteligência tática, capacidade de organização e leitura de jogo. Assim, o brasileiro passa a ser considerado peça estrutural em um modelo coletivo que prioriza controle, versatilidade e estabilidade competitiva ao longo da temporada.

O contexto competitivo também contribui para sua valorização. O PSG segue disputando títulos na Ligue 1 e competindo em alto nível na UEFA Champions League, o que exige jogadores versáteis e capazes de atuar em diferentes funções. Nesse cenário, Lucas Beraldo se destaca justamente por oferecer essa flexibilidade, alternando entre funções defensivas e de construção, além de se adaptar às exigências táticas impostas por Luis Enrique. Essa característica amplia sua importância dentro do elenco ao longo da temporada.

Sua curva de desempenho recente também reforça essa perspectiva. Após um período de instabilidade, o brasileiro Lucas Beraldo vive seu melhor momento desde que chegou ao clube, impulsionado pela mudança de posição e pela sequência como titular no PSG. Isso demonstra não apenas evolução técnica, mas também maior adaptação ao futebol europeu, com melhor leitura de jogo, confiança nas decisões e consistência nas atuações. Esse crescimento indica maturidade competitiva e capacidade de responder às exigências de alto nível impostas pelo treinador Luis Enrique ao longo da temporada.

Por fim, o modelo de jogo do PSG favorece jogadores com seu perfil. A equipe valoriza posse de bola, mobilidade e inteligência tática — características que se encaixam perfeitamente nas qualidades de Beraldo. Dessa forma, sua permanência em alta não depende apenas de fatores externos, mas de sua capacidade de se integrar a um sistema que potencializa suas habilidades.

Assim, tudo indica que Lucas Beraldo deve encerrar a temporada em evidência no PSG. Seu momento atual é sustentado por desempenho, confiança da comissão técnica de Luis Enrique e encaixe tático, fatores que, juntos, aumentam suas chances de se consolidar como peça importante na fase decisiva do calendário europeu.

(Foto: Getty Images)