Bernardinho, Paris 2024
Olimpíadas Vôlei

Depois de Paris, Bernardinho deixa futuro como técnico da seleção de vôlei em aberto, mas garante: “Vou estar perto”

Pela primeira vez, Bernardinho participou de uma edição das Olimpíadas como técnico sem conquistar uma medalha. Na última segunda-feira (5), aos 64 anos, ele comandou a seleção brasileira na partida contra os Estados Unidos, mas a equipe foi derrotada e eliminada nas quartas de final dos Jogos de Paris.

Esse revés contra os norte-americanos pode significar a despedida de veteranos importantes da seleção, como Bruninho e Lucão, além do próprio Bernardinho. Em entrevista após a eliminação, o treinador deixou em dúvida seu futuro, embora tenha indicado que não pretende se afastar completamente da equipe nacional.

Eu tenho que ver o que minhas filhas vão dizer. É a minha vida, mas pode ter certeza que, se não estiver como protagonista liderando, vou estar próximo. Não vou me afastar e deixar de contribuir de maneira nenhuma com essa rapaziada e com o novo ciclo que se inicia. Precisamos realmente trabalhar muito bem. Existe um equilíbrio, e a consistência que nos falta só pode ser alcançada de um jeito. É estando na arena nesse nível de jogo, nas competições internacionais, contra as principais equipes do mundo. E esse time precisa disso, jogar, rodar.”

Os Adrianos da vida, os Darlans da vida, todos os meninos precisam viver isso aqui muito mais vezes. E eu tenho que aprender a lidar com a nova geração, ser melhor para ela. Não é gritando mais ou gritando menos. Tenho que ser eficiente.”

— disse Bernardinho, que também ocupa o cargo de coordenador de seleções da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV).

Bernardinho e Seleção Brasileira

Após iniciar a carreira de técnico nos Jogos de Seul em 1988, como auxiliar da seleção brasileira masculina, Bernardinho primeiro comandou a seleção feminina, estando à frente da equipe entre 1994 e 2000. Em 2001, assumiu o time masculino e permaneceu no comando até 2016, conquistando com o Brasil duas medalhas de ouro e duas de prata nas Olimpíadas.

Com a saída de Renan Dal Zotto, Bernardinho retomou o comando da seleção masculina de vôlei no final de 2023, mas só teve a oportunidade de trabalhar com o time durante a Liga das Nações deste ano. Foram aproximadamente três meses até os Jogos, um período curto para implementar seu trabalho, especialmente se comparado à sua outra fase à frente da seleção, que se estendeu por 15 anos.

Apesar da dolorosa eliminação nas quartas de final em Paris – a primeira desde Sydney 2000 – que colocou o Brasil na 8ª posição, a pior desde as Olimpíadas de Munique em 1972, Bernardinho está confiante de que os resultados irão melhorar no futuro.

Pode escrever o que digo aqui. O vôlei masculino vai brigar mais com esses principais times. Não tenho dúvida disso. Vamos ter que trabalhar muito, ralar muito, sentir um pouco mais as coisas. O trabalho lá embaixo mesmo vai ter que começar. Eu nem sei se sou a pessoa ideal para estar. Posso contribuir? Claro que eu posso e vou. Tenho que refletir. Será que sou a pessoa ideal para ser o treinador na próxima geração? Essa é uma questão muito importante. Agora, quero poder voltar para ajudar. Não quero sair do processo com um gosto amargo de ter ficado fora da semifinal das Olimpíadas.”

– avaliou o treinador, bicampeão olímpico com a seleção masculina do Brasil.