Bia Mesquita
Lutas UFC

Bia Mesquita, a multicampeã de jiu-jitsu que é a nova esperança do Brasil no UFC

Beatriz “Bia” Mesquita, uma das maiores competidoras da história do jiu-jitsu, assinou contrato com o UFC e poxs estrear oficialmente na organização durante o UFC Rio, marcado para outubro de 2025. A expectativa é que sua presença represente não só o surgimento de um novo nome brasileiro no MMA feminino, mas também o renascimento da conexão entre o jiu-jitsu tradicional e o maior palco das artes marciais mistas do planeta.

Aos 33 anos, Bia carrega um cartel invicto de 4 vitórias no MMA profissional, três delas por finalização. Desde sua estreia, sua trajetória no esporte de combate tem sido acompanhada com atenção, especialmente pela comunidade do jiu-jitsu.

Da faixa preta ao cage: o legado no jiu-jitsu

Beatriz Mesquita é, para muitos, a maior grappler da história do jiu-jitsu feminino. Dona de 10 títulos mundiais da IBJJF na faixa preta, além de ouros em praticamente todos os eventos relevantes da modalidade — Europeus, Pan-Americanos, Brasileiros e ADCC — Bia construiu um currículo que poucos, em qualquer gênero, conseguem igualar. Foi campeã do ADCC em 2017 e medalhista novamente em 2022.

Com um jogo agressivo, técnico e extremamente completo, ela se destacou não apenas como finalizadora, mas também como uma competidora dominante em todos os aspectos do grappling. Seu estilo sempre foi voltado para a eficiência — e é justamente esse traço que ela carrega para o MMA.

Em dezembro de 2022, após vencer uma superluta contra Miesha Tate no UFC Fight Pass Invitational 3, Bia lutou uma última vez no grappling contra Jennifer Maia antes de partir para o MMA.

A transição ao MMA: invicta, dominante e pronta para o UFC

Logo após sua saída do jiu-jitsu competitivo, Bia se mudou para os Estados Unidos e se juntou à American Top Team, na Flórida, uma das maiores academias de MMA do mundo. Lá, passou a treinar ao lado de nomes como Kayla Harrison, Joanna Jedrzejczyk e Amanda Ribas, focando em wrestling, trocação e adaptação ao cenário profissional.

Sua estreia veio em junho de 2024, no evento Spaten Fight Night, em São Paulo. Bia finalizou Jorgina Ramos com um mata-leão no primeiro round, mostrando que o jiu-jitsu continuava sendo seu trunfo. Depois, venceu três combates seguidos no LFA: em outubro, dezembro e março, derrotando adversárias de níveis progressivamente maiores, sempre com domínio técnico e tranquilidade. O cartel de 4-0 a colocou no radar das grandes organizações — e o UFC não perdeu tempo.

Com a vitória agendada sobre Sierra Dinwoodie pelo cinturão vago do peso-galo do LFA, a assinatura com o UFC foi confirmada nos bastidores. A estreia, ao que tudo indica, será em casa: no UFC Rio, em outubro.

O desafio do octógono e o caminho até o topo

Em entrevistas recentes, Bia revelou que sua meta é clara: entrar no top 10 do UFC até o final de 2026. “Não tenho tempo a perder”, disse, ao ser questionada sobre o desafio de mudar de esporte aos 30 anos. “Quero ir direto ao ponto. Treino com campeãs, luto como profissional. Estou pronta para enfrentar qualquer uma.”

O UFC, por sua vez, vê nela um ativo valioso. Além do talento dentro do cage, Mesquita traz consigo uma legião de fãs do jiu-jitsu, uma base de torcedores leais no Brasil e um potencial de marketing global. Ao promovê-la no card do UFC Rio, a organização resgata também a tradição dos lutadores de BJJ como protagonistas no MMA — algo que se perdeu nos últimos anos com o domínio da trocação e do wrestling.

O caso mais recente e emblemático de uma transição de jiu-jitsu para o UFC é o de Marcus “Buchecha” Almeida. Multicampeão mundial (13 vezes) e bicampeão do ADCC, Buchecha brilhou no ONE Championship, onde finalizou e nocauteou seus primeiros cinco adversários. Na semana passada, estreou no UFC contra Martin Buday, em Abu Dhabi.

A estreia, porém, não foi como o esperado: Buchecha perdeu por decisão unânime após três rounds onde foi controlado e superado na trocação. Ainda assim, sua presença na organização mostra que o UFC está novamente abrindo espaço para os talentos da arte suave.

O que esperar de Bia no UFC?

Beatriz Mesquita representa mais que uma promessa do MMA feminino. Ela é a síntese de uma geração que dominou os tatames e agora leva seu jogo para o octógono. Sua entrada no UFC marca não apenas uma nova fase na sua carreira, mas também uma retomada do protagonismo do jiu-jitsu brasileiro na elite do MMA mundial.

No UFC Rio, o Brasil verá pela primeira vez uma lenda do jiu-jitsu feminino em sua estreia oficial no octógono mais famoso do planeta. Se repetir o que já mostrou no LFA, Bia Mesquita pode rapidamente se tornar uma das principais forças da divisão peso-galo. No entanto, a divisão dos galos é dura, com nomes como Norma Dumont, Macy Chiasson, Mayra Bueno Silva e, é claro, a campeã Kayla Harrison.

(Foto: Chris Unger/Zuffa LLC)