A contagem regressiva para o Mundial de Clubes da FIFA 2025 já começou, e os tradicionais rivais argentinos, River Plate e Boca Juniors, estão prontos para representar a Argentina no palco internacional dos Estados Unidos. Protagonistas de uma das maiores rivalidades do futebol mundial, Millonarios e Xeneizes chegam ao torneio com desempenhos recentes distintos, mas com a mesma ambição: recolocar a América do Sul no topo do futebol mundial, atualmente dominado pelos europeus.
Ambos os clubes tiveram tempo para planejar, montaram seus elencos e investiram no mercado, mas os projetos não se concretizaram. As campanhas no Campeonato Argentino foram frustrantes, e River e Boca chegam ao Mundial com expectativas modestas. O Boca Juniors, por exemplo, foi eliminado nas quartas de final pelo Independiente, em plena Bombonera, repetindo o desempenho decepcionante do primeiro semestre. A derrota para o River Plate ainda custou o cargo do técnico Fernando Gago, demitido às vésperas do torneio.

Boca e River apostam alto, mas reforços não rendem
Ídolo do clube, Gago havia sido o escolhido para comandar o Boca no projeto voltado ao Mundial. No entanto, os resultados não vieram e, sem conseguir contornar os problemas internos, acabou dispensado após apenas seis meses. Apesar das críticas ao seu trabalho, a responsabilidade pelo desempenho ruim recaiu sobre Juan Román Riquelme. O presidente do clube enfrentou uma forte crise interna e não conseguiu empolgar os torcedores com as contratações.
Na atual temporada, Riquelme tentou investir pesado em nomes de peso como Leandro Paredes e Lucas Torreira, mas terminou contratando jogadores com menos impacto. Ander Herrera foi um dos poucos que aceitaram o desafio, mas não correspondeu. Carlos Palacios, ex-Inter e Vasco, Rodrigo Battaglia, ex-Atlético, e o goleiro Marchesín, ex-Grêmio, foram os destaques de uma janela que frustrou a torcida.
Enquanto isso, o River Plate, fazendo jus ao apelido de Millonario, investiu em nomes de peso e causou inveja ao rival. Campeões mundiais como Marcos Acuña, Germán Pezzella e Gonzalo Montiel reforçaram o elenco, que já contava com Franco Armani, campeão da Copa do Mundo de 2022. Martínez Quarta e Sebastián Driussi também retornaram, aumentando ainda mais a qualidade do grupo.
Além disso, o River contratou jovens promessas como Kevin Castaño e Gonzalo Tapia, das seleções colombiana e chilena, respectivamente. Matías Rojas e Giuliano Galoppo, que atuaram recentemente no Brasil, também chegaram ao clube. Fora de campo, o retorno de Marcelo Gallardo, após uma passagem pela Arábia Saudita, foi uma tentativa de resgatar a conexão com a torcida e buscar sucesso no Mundial.
No entanto, apesar dos reforços e da expectativa, o River também decepcionou. As atuações desde a temporada passada não justificaram o investimento. O clube foi eliminado pelo modesto Platense no Más Monumental e fez uma fase de grupos da Libertadores sem brilho, avançando às oitavas sem encantar.
Assim como o rival, o Boca Juniors também deu adeus ao Apertura Argentino de forma precoce, eliminado pelo Independiente nas quartas, novamente em casa. A crise parece ainda mais profunda do lado azul e ouro, mesmo com reforços vindos do futebol brasileiro. A eliminação para o Alianza Lima na segunda fase da Libertadores foi o ponto final de um semestre conturbado, marcado por constantes trocas de comando.

Grupos de Boca e River: acessíveis, mas desafiadores
O sorteio poderia ter sido mais duro para River e Boca, mas, mesmo assim, os principais obstáculos serão suas próprias irregularidades na temporada. O Boca Juniors terá um grupo complicado e enfrentará grandes desafios para avançar. O River Plate, por sua vez, também encontrará adversários de respeito, o que promete confrontos intensos na busca por uma campanha histórica.
Pelo Grupo C, o Boca estreia na segunda-feira contra o Benfica, em um duelo que pode ser decisivo para a classificação. O Bayern de Munique aparece como grande favorito da chave, enquanto o Auckland City pode ser o elo mais fraco. Já no Grupo E, o River Plate tem um caminho um pouco mais tranquilo. A equipe estreia contra o Urawa Reds na terça-feira e enfrenta o Monterrey na sequência. Internazionale é a favorita do grupo, com japoneses e mexicanos brigando com os argentinos por uma vaga nas oitavas.

Por que River e Boca estão no Mundial de Clubes?
A presença dos dois gigantes argentinos no torneio levanta uma dúvida: como garantiram vaga mesmo sem conquistar a Libertadores nos últimos anos? A explicação está no novo formato da FIFA. A Conmebol tem direito a seis vagas — quatro para os campeões da Libertadores entre 2021 e 2024 (Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo). Como esses lugares foram ocupados por clubes brasileiros, as duas vagas restantes precisavam ir para times de outros países com melhor desempenho no ranking da Conmebol.
Foi aí que River Plate e Boca Juniors foram beneficiados. O River, mesmo sem chegar a uma final desde 2019, manteve boas campanhas entre 2021 e 2024, incluindo uma semifinal em 2024, participações frequentes nos mata-matas e conquistas nacionais. O Boca, por sua vez, foi finalista da Libertadores em 2023 contra o Fluminense no Maracanã. Apesar da derrota, a pontuação no ranking foi suficiente para garantir a vaga.

Jogos de River e Boca no Mundial
River Plate
River Plate x Urawa Reds — terça-feira, 17 de junho, às 16h (de Brasília)
River Plate x Monterrey — sábado, 21 de junho, às 22h (de Brasília)
Internazionale x River Plate — quarta-feira, 25 de junho, às 22h (de Brasília)
Boca Juniors
Boca Juniors x Benfica — segunda-feira, 16 de junho, às 19h (de Brasília)
Bayern de Munique x Boca Juniors — sexta-feira, 20 de junho, às 22h (de Brasília)
Auckland City x Boca Juniors — terça-feira, 24 de junho, às 16h (de Brasília)
(Foto: Reuters)