Bologna x Milan
Futebol

Bologna vence Milan e conquista a Coppa Italia; confira a trajetória até a quebra de um jejum histórico

O futebol italiano presenciou um capítulo marcante de sua rica história nesta quarta-feira. O Bologna venceu o Milan por 1 a 0, no Estádio Olímpico de Roma, e conquistou a Coppa Italia da temporada 2024/25, encerrando um jejum de 51 anos sem títulos relevantes. Com gol decisivo de Dan Ndoye, o clube emiliano alcança sua terceira taça da Copa, após as conquistas de 1969/70 e 1973/74, e volta a levantar um troféu de expressão no cenário nacional.

A vitória sobre um Milan recheado de estrelas e com elenco mais badalado representa não apenas um feito esportivo, mas a redescoberta da identidade vencedora de um clube tradicional, com sete scudettos em sua história, mas que nas últimas décadas viveu às margens do protagonismo no futebol italiano.

A trajetória do Bologna até o título

A temporada do Bologna parecia destinada a ser pior do que o do ano passado, principalmente após a saída de Thiago Motta, e o começo do ano seguiu esse caminho. Sob o comando de Vincenzo Italiano, a equipe não teve uma boa Champions League e começou mal na Serie A. No entanto, tudo mudou no final do ano passado, quando a equipe começou a ser competitiva e voltou à briga pela Champions.

A boa campanha, porém, não parou por aí. Na Coppa Italia, a equipe teve uma campanha histórica, mesmo enfrentando times da Serie A desde o começo. Na primeira partida, ainda capengando na temporada, eles bateram o Monza em uma enfática goleada por 4 a 0. Depois disso, foram à Bérgamo e derrubaram a favorita Atalanta, em uma vitória apertada por 1 a 9.

Isso definiu uma semifinal contra um organizado Empoli, mas foi aí que o Bologna mostrou que estava em outro patamar. Com show de Thijs Dallinga, a equipe venceu fora de casa e encaminhou a vaga, que foi decidida com mais uma vitória em casa. O último obstáculo, então, seria o poderoso Milan.

O jogo

O jogo começou intenso, com oportunidades para ambos os lados. Logo aos 3 minutos, o jovem Alex Jiménez recebeu de Rafael Leão e finalizou com perigo, assustando o goleiro Skorupski. A resposta do Bologna veio na mesma moeda: Santiago Castro desviou de cabeça após cobrança de falta e obrigou Maignan a fazer grande defesa. O duelo mostrava dois times dispostos a atacar, mesmo com a tensão de uma final.

Aos 11 minutos, o Milan voltou a ameaçar. Em cruzamento pela direita, Jiménez encontrou a área congestionada e quase viu Lucumí marcar contra. No rebote, Luka Jovic chutou forte, mas Skorupski fez uma defesa espetacular, mantendo o placar zerado.

Conforme os minutos passavam, o ritmo caiu. As divididas no meio-campo aumentaram, os espaços diminuíram, e a partida ficou mais travada. O Bologna, com mais posse de bola e organização, tentou usar a bola aérea como alternativa, especialmente nas jogadas com Holm, que exigiu atenção constante de Maignan. O primeiro tempo terminou com equilíbrio, mas também com sinais de que os detalhes seriam decisivos.

Na volta do intervalo, o Bologna manteve o domínio das ações. A equipe de Vincenzo Italiano voltou mais agressiva, buscando os espaços com inteligência pelos lados e tabelas rápidas pelo centro. Aos 8 minutos, a insistência foi premiada. Após enfiada de Fabbian para Orsolini, a bola acabou desviada pela defesa, mas sobrou limpa para Dan Ndoye. O atacante clareou com calma, driblou a marcação e bateu firme no canto, vencendo Maignan e abrindo o placar.

O gol foi o combustível que o Bologna precisava para segurar o Milan, que partiu para o ataque com urgência. João Félix, em boa jogada pela esquerda, recebeu de Reijnders, mas finalizou mal. Em seguida, Santi Giménez teve ótima chance em lançamento de Theo Hernández, mas também desperdiçou.

O técnico Sérgio Conceição lançou mão do banco: colocou Chukwueze e Tammy Abraham para tentar mudar o cenário. O Milan, então, passou a abusar dos cruzamentos na área, mas encontrou uma defesa bem postada e um goleiro inspirado. Skorupski foi seguro em todas as ações e contou com boa cobertura de Beukema e Lucumí para travar as investidas rossoneras.

Bologna conquista com identidade, não por acaso

A conquista do Bologna tem assinatura clara de Vincenzo Italiano, técnico que consolidou sua reputação nos últimos anos por montar equipes organizadas, dinâmicas e competitivas. Mesmo diante de um elenco inferior tecnicamente ao do Milan, o Bologna se impôs coletivamente, com um sistema sólido, linhas bem definidas e coragem para atacar em momentos-chave da partida.

A equipe mostrou equilíbrio nas transições, compactação defensiva eficiente e intensidade na marcação, especialmente após o gol. Mas o mérito não foi só tático: o elenco respondeu em campo com maturidade emocional, algo essencial em finais. Mesmo quando o Milan tentou a pressão final, o Bologna não se desmontou. Pelo contrário: mostrou segurança e controle, características de um time que sabia o que estava em jogo.

O destaque individual vai para Dan Ndoye, autor do gol do título, mas o coletivo sobressai. O Bologna é o exemplo de como um trabalho bem conduzido, com foco e planejamento, pode quebrar hegemonias e escrever novas histórias em um cenário tão competitivo quanto o futebol italiano.

Do lado do Milan, fica o sabor amargo de uma grande oportunidade desperdiçada. O time de Sérgio Conceição teve chances claras, mas falhou em ser clínico nas finalizações e mostrou certa ansiedade nos minutos finais. A entrada de atacantes com perfil físico não foi suficiente para furar a resistência adversária, e a ausência de alternativas criativas ficou evidente.

A derrota também acende um alerta sobre a necessidade de variações ofensivas. Em jogos truncados e de decisão, a capacidade de improvisar e achar soluções diferentes pode ser o diferencial — e faltou isso ao Milan em Roma.

A volta de um grande adormecido

A Coppa Italia 2024/25 ficará marcada como o renascimento de um clube que já foi gigante, viveu à sombra por décadas e agora renasce com dignidade, futebol e emoção. O Bologna provou que tradição, quando aliada a trabalho sério, ainda pode desafiar os gigantes modernos do futebol europeu.

Para a torcida rossoblù, a espera de 51 anos acabou — e o grito de campeão finalmente voltou a ecoar. Para o futebol italiano, a vitória do Bologna é um lembrete poderoso de que a história sempre pode ser reescrita.

(Foto: Getty Images)