Davide Ancelotti mostrou na derrota para o Fluminense que ainda não está adaptado ao Botafogo e ao futebol brasileiro. Em sua estreia na função de técnico depois de “estágio” em diversos clubes da Europa como Bayern de Munique, PSG e Real Madrid (dentre outros), o italiano completou 20 jogos pelo Fogão sem ter conseguido definir o “DNA” da equipe apostando em diversos estilos de jogo, levando à uma considerável falta de convicção envolvendo a definição de um time titular. Diferente de outros treinadores recentes, o italiano está mostrando que possui como definição o mantra de “jogo a jogo”, ao utilizar 19 escalações diferentes desde sua chegada.
Botafogo não apresenta condições ideais para Ancelotti trabalhar
Vale destacar que os incontáveis problemas de lesão e suspensão no segundo semestre no elenco do Botafogo dificultam o trabalho da atual comissão técnica, sem contar as diversas negociações e até liberação de jogadores para disputar jogos em seleções de base, mesmo sem a obrigatoriedade da FIFA (como ocorreu com o argentino Álvaro Montoro na Copa do Mundo Sub-20). No entanto, em quatro oportunidades nas quais pôde repetir escalação, Davide Ancelotti acabou optando por fazer mudanças técnicas pensando na estratégia do adversário e em questões físicas.
Ancelotti resolveu poupar os jogadores titulares em duelo contra o Palmeiras no Nilton Santos pelo Brasileirão pensando no jogo de volta das oitavas de final da Libertadores diante da LDU (quando foi derrotado por 2 a 0). Outra mudança feita pelo técnico do Botafogo consistiu na vitória contra o Juventude no Alfredo Jaconi (onde conquistou vitória por 3 a 1), mas o principal questionamento da torcida veio na derrota para o São Paulo no Morumbis, com uma escalação que pouco fez sentido diante das opções que Ancelotti tinha a disposição. Por fim, vale destacar também as escolhas que Davide optou na escalação inicial no jogo de volta da Copa do Brasil diante do Vasco, contando com pouco apoio da torcida e uma falta de imposição ofensiva que incomodou à todos, tendo como “bônus” a escolha por Neto ao invés de Léo Linck no gol.
Davide Ancelotti defende planejamento péssimo do Botafogo

Considerando que muitas mudanças feitas pela comissão técnica do Botafogo foram forçadas (como no último fim de semana diante do Fluminense, tendo nove desfalques ao todo na derrota por 1 a 0), é difícil imaginar que este cenário será neutralizado até o fim do Brasileirão. Em nenhum jogo desde que assumiu o comando técnico, Davide Ancelotti pôde contar com elenco completo, sendo sempre ao menos dois jogadores indisponíveis (desconsiderando o zagueiro Bastos nesta contagem).
Ancelotti já demonstrou incômodo com as negociações feitas pelo Botafogo durante a reta final da temporada e está precisando lidar inclusive com ataques pessoas em sua rede social e até mesmo em perfis de familiares, mas o técnico está buscando evitar criticas à falta de planejamento da diretoria, demonstrando responsabilidade pelos resultados negativos em meio aos mais de R$ 600 milhões gastos em reforços na última janela de transferências. Nesta semana, diante do Bahia, em um Nilton Santos vazio, o técnico italiano terá mais uma oportunidade de reverter a situação indigesta e ainda tentar buscar o G-4.
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