O Botafogo sempre consegue encontrar novas formas de machucar seu torcedor em um ano muito esquecível para o atual campeão brasileiro e da Libertadores. Houve um sentimento de enganação quando o Mirassol sofreu três gols pela primeira vez desde fevereiro em uma goleada impensável do Fogão no primeiro tempo em jogo atrasado pela 12ª rodada do Brasileirão, mas acabou sendo mais impensável ainda ceder três gols em apenas 15 minutos no segundo tempo, situação que lembrou justamente a virada épica do Palmeiras no inesquecível 4×3 de 2023 (resultado que passou a ter menor impacto interno após as conquistas de 2024). Desta forma, o alvinegro mostra sinais muito preocupantes de flerte justamente com a desconcentração emocional vista naquela temporada.
Botafogo se impôs diante do Mirassol com formação ideal no 1º tempo
Depois de sofrer forte pressão extracampo devido às escolhas nos últimos dois jogos, Davide optou pela escalação considerada ideal pelo torcedor do Botafogo com as entradas de Montoro e Santi Rodríguez ao lado de Savarino no ataque, além de um meio-campo cada vez mais entrosado entre Danilo e Marlon Freitas. O uruguaio mais uma vez justificou seu investimento e foi o responsável direto pela construção ofensiva aproveitando-se do desajuste tático do Mirassol para esticar bolas nas costas da defesa através de jogadas em profundidade e passes rápidos, relembrando os melhores momentos sob comando de Luis Castro.
Com a correta leitura do jogo, o time de Davide Ancelotti construiu a maior vantagem que um time fez diante do competitivo Mirassol durante o Brasileirão 2025 marcando três gols no primeiro tempo. O venezuelano Jefferson Savarino marcou o primeiro aos 12′, enquanto o espanhol Chris Ramos fez o segundo gol aos 31′ e o argentino Álvaro Montoro transformou a vitória em goleada aos 40′, fazendo a festa das quase sete mil testemunhas no Nilton Santos (pior público do Botafogo em jogos do BR deste o fim da pandemia de Covid-19).
Ancelotti foi “engolido” pelas mudanças do Mirassol e Botafogo ruiu

Mas como tudo é possível com o Botafogo, tivemos a repetição do mesmo cenário observado em 2023, com a diferença de que naquela época o alvinegro estava na briga pelo título e em 2025 passou longe de disputar até mesmo a Taça Rio. Rafael Guananes mostrou a competência e organização de seu trabalho ao pensar nas mudanças para buscar a vitória no segundo tempo colocando Chico da Costa no lugar de Cristian Renato, modificando todo o comportamento. O Mirassol abriu mão de mobilidade para ter mais uma referência contra os zagueiros, deixando o sistema defensivo de Ancelotti absolutamente exposto.
Depois do gol marcado pelo artilheiro com 30 segundos de 2º tempo, o Botafogo ruiu totalmente e não conseguiu mais trocar passes tentando se livrar da bola para ficar confortável. Doze minutos se passaram entre o primeiro e segundo gol do Mirassol (marcado por Jemmes), mas Ancelotti só fez alterações depois que Lucas Ramon buscou o empate aos 16 minutos, substituindo Alex Telles (que não viu o artilheiro do 3º gol passar por suas costas) e apostar em Cuiabano. Algumas chances de gol foram construídas até o apito final, mas o Fogão passou longe de incomodar o goleiro Walter e não conseguiu mais se reconectar definitivamente em campo, enquanto faltava liderança fora de campo com a presença de um técnico inexperiente e passivo.
Imagem: AGIF
