Copa do Mundo de Clubes Futebol

Botafogo: As impressões da estreia do Fogão na Copa do Mundo de Clubes

O Botafogo venceu o Seattle Sounders por 2 a 1 em sua estreia na Copa do Mundo de Clubes. A vitória em Seattle teve dois tempos distintos. O primeiro foi de domínio do time de Renato Paiva, que fez 2 a 0 e poderia ter feito mais, não fosse o goleiro Frei. Já no segundo tempo, as mudanças feitas por Paiva pioraram a equipe, que por pouco não sofreu um empate amargo em Seattle.

Aqui, as impressões da estreia do Fogão, abordando o que funcionou para o Botafogo na partida, o que não funcionou e o que precisa melhorar ao longo da competição. O Botafogo volta a campo no dia 19 de junho para enfrentar o PSG, pela segunda rodada da fase de grupos, no Rose Bowl Stadium, em Los Angeles.

Igor Jesus, o cara do Botafogo

Igor Jesus foi o jogador que mais se destacou na vitória do Botafogo. Muito além do gol, foi a principal arma ofensiva da equipe, teve outras boas chances de marcar e foi fundamental na construção do jogo.

Com presença forte na grande área, onde venceu a maioria dos duelos aéreos contra os zagueiros do Seattle, Igor Jesus também foi importante fora da área, ajudando na armação e nos contra-ataques.

Porém, seu rendimento caiu quando passou a atuar aberto pelo lado, após Paiva centralizar Correa. Fora da área, Igor Jesus teve menos presença e impacto.

De qualquer forma, foi o grande nome da partida, o principal responsável pela vitória do Botafogo na estreia nos Estados Unidos.

Grandes atuações de Barboza e Alex Telles

Barboza e Alex Telles também foram destaques da partida. Telles deu uma linda assistência para o gol de Jair, em cobrança de falta, e foi perigoso pelo lado esquerdo. Além disso, acertou 22 de 24 passes e participou ativamente da construção ofensiva.

Na defesa, Telles foi muito sólido, com 6 ações defensivas. Sua saída para a entrada de Cuiabano foi sentida, já que o lado esquerdo passou a ser mais explorado pelo adversário.

Barboza, por sua vez, foi novamente o xerife da zaga alvinegra. Junto com John, foi essencial no momento em que o Sounders pressionou. O zagueiro argentino teve presença forte na defesa, com 7 de 9 duelos vencidos (5 de 6 pelo alto), além de tirar uma bola quase em cima da linha no fim do jogo. Uma atuação segura de um dos melhores zagueiros do futebol brasileiro.

O Botafogo sofreu muito na segunda etapa, principalmente por conta da queda de rendimento após as substituições. Joaquín Correa, que estreou, teve atuação apagada e pouco participou do jogo. Além disso, com sua entrada, Igor Jesus foi deslocado para a ponta, o que prejudicou o desempenho ofensivo.

O time passou a ceder muitos espaços e viu o Sounders crescer na partida, sem resposta de Renato Paiva. Faltou alguém para cadenciar o jogo e controlar a posse, algo que Savarino não conseguiu fazer.

Além disso, mesmo com 2 a 0 no placar, o Botafogo se mostrou nervoso. Em vez de segurar a bola, o time se livrava dela rapidamente, permitindo ao adversário rondar a área com frequência. Isso fez com que o time corresse riscos desnecessários de sofrer um empate que seria desastroso.

Resultado foi ótimo, mas segundo tempo preocupa

O resultado foi excelente. O Botafogo venceu o jogo mais acessível da fase de grupos e fez um ótimo primeiro tempo, em que dominou o Seattle Sounders e poderia ter feito mais gols.

Além de Igor Jesus, Barboza e Alex Telles, também se destacaram Marlon Freitas, que foi o jogador mais criativo do time, e Vitinho, autor do cruzamento para o segundo gol.

Porém, o segundo tempo ruim levanta preocupações. Em um jogo onde o saldo de gols poderia ser crucial — considerando que o Atlético de Madrid levou 4 a 0 do PSG —, o Botafogo perdeu a chance de ampliar e quase cedeu o empate.

A sensação é que, se o jogo tivesse mais 10 minutos, o Botafogo sofreria o empate — e talvez até a virada.

Na segunda etapa, tirando o gol perdido por Artur no início e outro desperdiçado por Correa após erro na saída de bola do Seattle, o time não criou mais nada. Apenas se defendeu.

Segundo tempo ruim precisa virar lição para os próximos jogos

A segunda etapa ruim do Botafogo precisa servir de aprendizado. A equipe teve sorte que o Sounders encontrou limitações técnicas — jogou melhor e poderia ter virado.

Renato Paiva precisa rever suas decisões e corrigir os erros. Contra PSG e Atlético de Madrid, o nível de exigência será muito maior, e não haverá espaço para falhas.

Para avançar no Grupo B, o Glorioso terá que jogar muito bem, vencer um dos dois jogos restantes ou ao menos pontuar contra duas potências do futebol europeu.

(Foto: Vitor Silva/Botafogo)