A jornada brilhante de Junior Santos na Conmebol Libertadores começou na noite de 21 de fevereiro, quando marcou o primeiro gol do Botafogo na competição, na vitória contra o Aurora, em Cochabamba, na Bolívia. Naquele momento, o atacante não imaginava que seria dele também o último gol do time no torneio, o chute decisivo que garantiu o título inédito para o Alvinegro neste sábado, em Buenos Aires.
Nos nove meses que separam esses dois gols marcantes, Junior Santos experimentou altos e baixos. Viveu momentos de glória ao continuar balançando as redes em partidas decisivas e assumiu um papel de protagonismo na equipe. No entanto, sua trajetória foi abruptamente interrompida por uma fratura na tíbia, que o afastou dos gramados por um longo período. Durante sua recuperação, acompanhou de fora o desempenho dos companheiros, que mantiveram o alto nível e o sonho do título vivo.
Já recuperado, Junior Santos voltou na reta final da temporada e retomou seu protagonismo, mostrando por que é uma peça essencial no elenco. Terminou a competição como artilheiro, com 10 gols marcados, consolidando seu nome na história do Botafogo. Apesar disso, o atacante sente que ainda poderia receber mais reconhecimento por sua contribuição decisiva no título da Libertadores.
– Percebo muitas vezes nas entrevistas que tem gente que não gosta, prefere não comentar sobre mim. Sou um grande jogador, mas acho que não sou visto como deveria em algum momentos. Mas tenho a essência do futebol brasileiro, da favela, dos campos de terra, da imaginação, do sonho. Quando vi a história sendo formada, o que pude fazer na fase de classificação para chegar à fase de grupos, na fase de grupos também fiz gol importante – afirmou o atacante.
Gol do título foi inspirado em Neymar
– O Pelé é uma referência. Um cara que veio de família humilde, imaginou e falou para o pai: “Pai, vou conquistar e ganhar uma Copa”. A mesma coisa eu falei: “Eu vou fazer o gol na final, falei que ia lutar pelo meu pai, minha família, pelo povo brasileiro – completou.
Junior Santos não se inspira apenas em Pelé. Antes das partidas, o atacante assiste a vídeos de Neymar e procura emular alguns dos seus lances em campo. Foi com base nesse aprendizado que, segundo ele, criou a jogada envolvente que resultou no terceiro gol do Botafogo na vitória sobre o Atlético-MG, marcado aos 51 minutos do segundo tempo.
– Eu ensaiei o primeiro lance. Eu consigo puxar de letra, aquela puxadinha dos vídeos do Neymar, que fiquei assistindo antes da partida. Falei, vou levar para o fundo, e os caras vão achar que vou segurar, mas eles precisam virar o jogo, então vão vir agoniados para marcar de novo. Levo para direita. Ali é também raça e força de vontade. Eu toco a bola, o zagueiro corta. A bola fica ali, eu dou carrinho, me jogo, é de cabeça, de alma, de nariz. Tinha que fazer esse gol e é isso aí – comemorou o atacante do Botafogo.
Próximo compromisso do Botafogo
Passada a festa, Junior Santos e o Botafogo voltam o foco para o Campeonato Brasileiro. O Alvinegro é líder e pode garantir o título na próxima quarta-feira. Para isso, terá de superar um embalado Internacional, no Rio Grande do Sul, e contar com um revés do Palmeiras.