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Futebol Brasileirão

Botafogo sucumbe às mudanças de Luís Castro e Grêmio expõe fragilidades de Anselmí

O Botafogo entrou em campo com favoritismo total diante do Grêmio em uma Arena vazia, com a presença de pouco mais de 15 mil torcedores representarem o momento atual do Imortal nesta temporada. Desconfiados sobre a capacidade de Luís Castro em conseguir implementar seu estilo de jogo ofensivo com o atual elenco, o torcedor gremista chegou a vaiar seu time depois do fim do primeiro tempo (resultado parcial de 2-1 para o Botafogo), mas a virada espetacular na etapa complementar ocorreu principalmente por conta de mudanças executadas pelo ex-treinador alvinegro, dando maior movimentação ao ataque do Imortal, na 2ª rodada do Brasileirão.

Obviamente que todos os méritos precisam ficar concentrados no time que contou com hat-trick de Carlos Vinícius (sendo que o Brasileirão normalmente demora para ter jogos com jogadores que conseguem tal feito) e com a movimentação de Amuzu, mas a queda brusca do Botafogo no 2º tempo mostrou um time que ainda precisa de ajustes no jogo sem bola para se defender de lançamentos longos, expondo uma fragilidade que poderá ser utilizada inclusive pelo Nacional Potosí, em jogo decisivo pela Pré-Libertadores.

Botafogo não sustentou domínio do 1º tempo e foi dominado no 2º

O Grêmio começou o jogo em um 4-2-3-1 que sofria para conter as transições do Botafogo, mas mudou o destino da partida no intervalo. A entrada de Francis Amuzu no lugar de Monsalve mudou a dinâmica ofensiva, pois o belga deu a amplitude e a velocidade que o Imortal não tinha no primeiro tempo, tendo sido responsável por duas assistências cirúrgicas para Carlos Vinícius, artilheiro que estava em noite perfeita marcando três gols (um de cabeça, um de oportunismo e um de pênalti).

Atuando como um ponta-construtor, Tetê explorou o espaço deixado por Alex Telles quando o lateral-esquerdo deixava sua posição de origem para subir ao ataque. O quarto gol do Grêmio foi um exemplo clássico de transição agressiva, com Tetê finalizando cruzamento de Amuzu, Vindo do banco, Edenilson deu a sustentação necessária ao meio-campo ao lado de Arthur Melo e ainda selou a goleada ao aproveitar um rebote de Neto, inseguro goleiro do Botafogo.

Anselmí escalou o Fogão utilizando um 3-4-3 (ou 3-4-2-1) que funcionou muito bem nos primeiros 45 minutos. Danilo foi o melhor do time carioca, aparecendo como elemento surpresa, marcando dois gols (um deles um golaço de voleio no final da etapa inicial), além de ter sido sempre o ponto de ligação nas transições ao lado de Allan. Além disso, Arthur Cabral umpriu bem o papel de pivô, marcando o primeiro gol do jogo e incomodando os zagueiros Balbuena e Wagner Leonardo.

No entanto, a estratégia do Botafogo de atrair a marcação do Grêmio não deu certo no 2º tempo, pois o Grêmio passou a fechar muito bem os espaços por dentro, onde o time de Anselmí estava encontrando espaços. Ao tentar manter o bloco alto mesmo após sofrer a virada, o Botafogo deixou os três zagueiros (Ponte, Newton e Barboza) expostos ao 1v1 diante de Amuzu e Tetê em várias jogadas. Por fim, a falta de cobertura dos alas Vitinho e Telles nas transições defensivas também foram determinantes .

O Botafogo teve a posse (57%), mas o Grêmio teve a eficiência. A vitória gremista foi construída na capacidade de atrair o Botafogo e golpear as alas desprotegidas do sistema de três zagueiros de Anselmi. Não é momento de crise, mas a segunda derrota consecutiva liga um sinal de alerta.

Imagem: Gazeta Press