Dono da SAF do Botafogo, John Textor está no país há mais de dois anos com o dono do clube carioca, mas ele sempre usa a primeira pessoa do plural sempre que cita o país: nosso futebol, nossos jogadores e, até mesmo, nossos árbitros.
O dirigente do Botafogo contou um pouco da sua relação com o país em uma entrevista ao GE, onde contou um pouco sobre a obsessão sobre a manipulação de alguns jogos do campeonato.
Além disso, o dirigente do Botafogo se defendeu do que considera perseguição do STJD e de outros dirigentes, antecipou que vai abrir as ações de sua empresa na bolsa de valores, que vai produzir um documentário sobre o ano de 2023 e previu um problema para os próximos anos no futebol nacional.
“O Brasil trouxe o dinheiro do petróleo para o país. Se não fizermos nada, se não criarmos um teto salarial, o Bahia (que pretende ao grupo City, financiado por Abu Dhabi) vai ganhar todos os campeonatos por 20 anos consecutivos”, afirmou o dono da SAF do Botafogo.

Projeção do Botafogo em 2024
“Ainda é muito cedo, dado o que aconteceu no último campeonato, nós podemos ter a chance de competir e estar entre os melhores novamente. Tem muitas equipes boas disputando o campeonato, uma diferença de apenas três pontos, mas é muito bom estar na liderança de novo.”
Duelo entre Botafogo e Palmeiras
“Vamos ter estádio lotado, em outros tempos quando estávamos montando esse elenco, ter o estádio cheio nem sempre era algo bom (risos). Mas hoje está sendo uma realidade e uma festa onde todos os torcedores se sentem parte disto tudo.”
Sentimento de vingança
“Ambição, não vingança. Todos os fatores fora de campo que podem trazer esse sentimento de vingança não tem nada a ver com os jogadores dentro de campo. Eu admiro muito o Abel Ferreira, tentei contratá-lo, ele disse não repentinamente.
“Os jogadores do elenco principal e da base do clube paulista são fantásticos. Eu compro jogadores de 20 milhões para competir com alguém que eles formam dentro do próprio clube. Eles são favoritos em todos os anos, então você quer vencer sempre o melhor time.”
Favoritos para 2024
“Não estamos jogando tão bem quanto podemos. Temos um ótimo treinador, que tem um ótimo relacionamento com os jogadores no campo e fora dele. É um sistema novo, é diferente do que jogávamos ano passado.
“Os jogadores e o técnico têm um nível de confiança muito alto e temos a expectativa de brigar pelo título deste ano. Eu sou um torcedor também, eu assisto a todos os jogos do clube e tento aproveitar a isso ao máximo sem criar tantas expectativas.”
Tempo no Brasil e Botafogo
“Voltando a 2022, quando assinamos o contrato de compra do clube, nós tínhamos quatro jogadores com experiência de Série A e cinco semanas para o Brasileirão começar. Eu olho para esse dia e foi significativo termos ficado na primeira divisão naquele ano. Recebi várias mensagens de torcedores reclamando do time, falando que seríamos uma piada e pedindo um time mais competitivo.
“Voltando ao ano passado, cometi erros, foi horrível o fim da temporada passada. Eu reclamo de muitas coisas que aconteceram sobre manipulação de jogos, mas o fato é que podíamos ter apenas vencido um jogo no fim daquela campanha. Poderíamos ter segurado a vitória por 1 a 0 por duas vezes e levamos o empate no final do jogo e poderíamos ter saído com a taça.
“Estou muito orgulhoso hoje, pessoas do clube que mesmo que não entram em campo como cozinheiros, funcionários do próprio clube…Como eles acordam e vão trabalhar. Eu poderia ficar nos Estados Unidos em minha casa e não aparecer, mas olha onde estamos hoje. Temos uma nova chance de reparar a história”, acrescentou John Textor, dono da SAF do Botafogo.
Arrependimentos de 2023 do Botafogo
“Eu deveria ter ficado com o Bruno Lage. Ele teve um colapso por causa do futebol brasileiro, pela intensidade nas entrevistas coletivas. Ele é um grande professor e os jogadores não se acostumaram a ele. Eles só queriam jogar futebol, e ele trouxe muitos ensinamentos e conceitos para o dia a dia.
“Eu acho que poderia ter ajudado com isso. Ele ganharia os seis pontos de que precisaríamos para ser campeões, acharia uma solução. Pode ser uma controvérsia, mas é muito fácil ficar chateado com a pessoa, e não é que não tivemos bons treinadores depois, mas depois do Lage a falta de continuidade no trabalho foi culpa minha.”
Corrupção e manipulação de jogos
“Há muita conversa nos programas esportivos sobre eu causar problemas para o país. Ninguém deve ter vergonha disso, porque acontece em todo lugar, A empresa que nos ajuda aqui, ‘Good Game’, monitoria Roland Garros, um jogador da NBA foi banido por conta de uma investigação por ela, Jontay Porter. Honestamente, não acho que eu tenha cometido muitos erros nesse caso.
“Eu poderia ter apresentado o argumento de maneira diferente, sem ser tão específico. O que está acontecendo agora é uma piada. Pela primeira vez o denunciante está sendo acusado. Como eu sei que existe corrupção no futebol? Porque Leila (Pereira) e Ednaldo (Rodrigues) me disseram. Os dois anunciaram uma força-tarefa contra manipulação em Wembley dias antes do jogo contra a Inglaterra.
“Por que eles precisam de uma ação dessa se não há esse tipo de coisa no brasil? Porque a pessoa que vem de fora é o cara marcado por trazer problemas para o Brasil quando é um problema global, já foi admitido aqui e a CBF se encontra com representantes de outros clubes, mas não comigo? Estão fazendo esse tipo de força-tarefa porque estão com medo de manipulação no Paraguai, Guatemala ou Turquia? Não, a preocupação é aqui”, falou John Textor, do Botafogo.
Nomeação de jogadores
“Fui obrigado a fazer isso. O STJD não é um tribunal de verdade. Eu acho que tudo isso deveria estar nas mãos de um promotor de verdade. Eu ocultei os nomes dos jogadores e entreguei de maneira confidencial para o STJD. Depois disto eu fui perseguido pela imprensa, pela Leila. ‘Mostre as provas! mostre os nomes’.
“Eu não sei quem é o responsável pela manipulação dos jogos. Eu não posso dizer por que aconteceu, por que motivo fizeram, ou se foi por paixão, amor ou dinheiro. Sinceramente eu não sei. Mas a presidente do Palmeiras não deveria ser a pessoa que está liderando a acusação contra mim, me fazendo mostrar evidências.
“Porque o Palmeiras poderia fazer parte, o São Paulo poderia fazer parte. Talvez um apostador, uma empresa de apostas poderia ser parte das investigações. Eu não tinha escolha a não ser mostrar as provas.
“Sou acusado de fazer acusações sem provas. Mas eu não fiz acusações. Eu mostrei um relatório confiável, um expert estabelecido, que diz definitivamente, com 99% de certeza, que o jogo foi manipulado. E menos de 48 horas depois eles (do STJD) dizem: ‘Não vale a pena. Não vamos investigar’.
“Mas eles não leram o relatório mostrado, nem me entrevistaram, nem entrevistaram a empresa, não chegaram à credibilidade do especialista. Mas, quando eles foram pressionados a fazerem algo a respeito, eles não me convidaram de volta lá para mostrar as provas, é uma situação muito vergonhosa”, disse o dirigente do Botafogo.
Teto salarial no Brasil
“Se quisermos paridade no nosso campeonato nacional, deveríamos fazer um teto salarial. NBA E NFL tem isso e funciona muito bem. Poderia ser feito no Brasil, não na Europa. A razão pela qual não dá pra fazer na Europa é que os países são pequenos, as fronteiras são muito próximas.
“Seria muito fácil para um jogador dizer ‘não gosto do meu teto salarial na Inglaterra, vou para a França’. Mas o Brasil é grande o suficiente e dominante o suficiente para termos em nosso campeonato.
“Se não fizermos alguma coisa sobre o tema, vamos acordar daqui a 70 anos, sob a atual estrutura administrativa no país, com as pessoas que estão aqui hoje, com o Bahia ganhando 17 de cada 20 campeonatos brasileiros.
“Eu admiro o pessoal que trabalha no Manchester City, as pessoas que trabalham lá são incríveis, mas é fato que o Brasil trouxe dinheiro do petróleo para cá e se não fizermos nada agora o time vai ser dominante pelos próximos 20 anos”, completou o dirigente do Botafogo.
(Foto: Vitor Silva/Botafogo)