Brasil x Haiti
Futebol Copa do Mundo

Brasil bate o Haiti com autoridade, conquista primeira vitória na Copa e assume liderança do grupo

Virando a página da estreia decepcionante, o Brasil fez o que se esperava diante da seleção do Haiti e conquistou sua primeira vitória nesta Copa do Mundo. Com um primeiro tempo de muita intensidade e domínio, a equipe de Carlo Ancelotti construiu a vantagem ainda antes do intervalo e administrou o resultado na etapa complementar para vencer por 3 a 0. Matheus Cunha, duas vezes, e Vinícius Júnior marcaram os gols do triunfo.

A vitória colocou a seleção brasileira na liderança do Grupo C, com quatro pontos, à frente do Marrocos no saldo de gols. O Brasil fecha a fase de grupos na próxima quarta-feira, quando enfrenta a Escócia buscando manter essa liderança. O Haiti, por sua vez, tem um duelo contra o Marrocos se agarrando às poucas chances de classificação com uma vitória.

O jogo

O Brasil começou em ritmo forte e logo deu sinais de que teria uma noite tranquila. Raphinha chegou a balançar as redes aos 12 minutos após grande lançamento de Bruno Guimarães, mas o impedimento foi assinalado. Mesmo com a frustração, a seleção manteve a intensidade e passou a transformar a superioridade em oportunidades claras. Bruno Guimarães comandava a construção das jogadas, encontrando os atacantes às costas da defesa haitiana, que insistia em jogar com a linha alta.

A pressão deu resultado aos 23 minutos. Vinícius Júnior recebeu na área, bateu forte e obrigou Placide a espalmar. No rebote, Matheus Cunha dividiu com a defesa e mandou para as redes, abrindo o placar. O gol deu ainda mais tranquilidade ao time de Carlo Ancelotti, que continuou controlando a partida e explorando os espaços deixados pelo adversário.

Aos 36, Lucas Paquetá roubou a bola no campo ofensivo e iniciou um contra-ataque em superioridade numérica. Vinícius Júnior carregou e encontrou Matheus Cunha, que invadiu a área e bateu cruzado de canhota para ampliar. Ainda havia tempo para mais. Nos acréscimos do primeiro tempo, Paquetá encontrou Vinícius Júnior com um lançamento perfeito. O atacante disparou em velocidade, invadiu a área e tocou entre as pernas do goleiro para fazer 3 a 0.

Na segunda etapa, o Haiti abandonou a linha de cinco e passou a se arriscar mais. O Brasil, por sua vez, diminuiu o ritmo e passou a administrar a vantagem. Mesmo assim, ainda criou oportunidades para ampliar. Martinelli acertou o travessão após bela tabela com Vinícius Júnior, Douglas Santos desperdiçou uma boa chance em contra-ataque e Endrick chegou a marcar, mas teve o gol anulado por impedimento.

Os haitianos também conseguiram assustar. Aos 18 minutos, Ricardo Adé subiu livre após escanteio e obrigou Alisson a fazer uma defesa espetacular. Nos minutos finais, Danley Jean-Jacques tentou de fora da área e novamente parou no goleiro brasileiro. Sem maiores sustos, a seleção confirmou a vitória por 3 a 0 e agora depende apenas de si para garantir classificação e liderança do grupo diante da Escócia.

Brasil mostra intensidade no primeiro tempo, controle no segundo e dá sinais positivos para Ancelotti

A atuação contra o Haiti representou exatamente o que o Brasil precisava após uma estreia abaixo das expectativas. Mais do que a vitória, a seleção mostrou intensidade, organização e, principalmente, confiança. O primeiro tempo foi o melhor da equipe na Copa até aqui e ofereceu um retrato mais próximo daquilo que Carlo Ancelotti pretende construir.

Bruno Guimarães foi o cérebro da equipe. O volante participou praticamente de todas as construções ofensivas importantes e foi decisivo ao explorar uma fragilidade evidente do Haiti: a linha defensiva alta. Seus lançamentos encontraram constantemente Raphinha, Vinícius Júnior e Matheus Cunha em condições favoráveis. Ao lado dele, Lucas Paquetá teve participação igualmente importante, pressionando, roubando bolas e contribuindo com passes verticais.

No ataque, Matheus Cunha aproveitou a oportunidade. O centroavante mostrou mobilidade, atacou os espaços e foi recompensado com dois gols. Mais do que os números, entregou intensidade e presença na área, características que o Brasil havia sentido falta anteriormente. Vinícius Júnior também teve uma atuação de destaque. Além do gol marcado, participou diretamente das duas jogadas dos gols de Cunha e foi a principal válvula de escape pela esquerda.

Outro aspecto positivo foi a postura da equipe sem a bola. O Brasil pressionou alto, recuperou rapidamente a posse e impediu que o Haiti tivesse qualquer protagonismo durante os 45 minutos iniciais. A marcação coordenada permitiu que o time atacasse constantemente em campo ofensivo e construísse uma vantagem confortável ainda antes do intervalo.

O segundo tempo, entretanto, mostrou uma equipe menos intensa. O Brasil naturalmente diminuiu o ritmo e passou a administrar o resultado, permitindo que o Haiti tivesse mais posse e encontrasse algumas oportunidades. Neste momento, surgiu um dos principais problemas da seleção: a dificuldade em enfrentar times fortes fisicamentes. Wilson Isidor e os meias haitianos deram mais trabalho do que deveriam.

Também faltou eficiência para transformar a superioridade em goleada. Martinelli acertou o travessão, Douglas Santos perdeu uma boa chance e Endrick teve um gol anulado. Houve situações em que a seleção pecou pelo excesso de velocidade e pela falta de calma na tomada de decisão.

Ainda assim, o saldo é amplamente positivo. O Brasil voltou a apresentar fluidez ofensiva, viu jogadores importantes crescerem de rendimento e chega para a última rodada da fase de grupos em situação confortável. A equipe de Ancelotti ainda está longe da sua versão ideal, mas mostrou evolução e, sobretudo, recuperou a confiança.

Se a estreia deixou dúvidas, a vitória sobre o Haiti mostrou que o Brasil continua sendo uma seleção capaz de crescer ao longo do torneio. E, em Copas do Mundo, esse costuma ser um sinal importante.

(Foto: Roberto Schmidt/AFP)