O Brasil acabou derrotado pela França no penúltimo amistoso antes da convocação oficial para a Copa do Mundo de 2026. Embora tenha tido algumas dificuldades, o jogo foi importante para Carlo Ancelotti entender pontos relevantes e realizar testes antes da convocação final. No fim, saímos da partida com mais clareza sobre o que precisa melhorar e o que já está pronto para a Copa.
Neste texto, vamos falar sobre cinco lições que aprendemos com o jogo entre Brasil e França. Longe do alarmismo, há questões pontuais que precisam ser ajustadas na seleção, enquanto alguns testes deram certo e podem ter garantido vaga no Mundial.
Confira cinco lições que aprendemos com Brasil x França:
1 – O 4-2-4 pode não funcionar contra seleções mais fortes
Ancelotti vem escalando o Brasil em um 4-2-4, aproveitando a quantidade de atacantes habilidosos e velozes que a seleção possui. Embora tenha funcionado em algumas partidas, especialmente quando o Brasil teve maior controle da posse de bola, fragilidades ficaram evidentes contra a França, principalmente no aspecto defensivo.
A seleção se organizou em um 4-4-2, em bloco médio. Em teoria, o sistema poderia funcionar. No entanto, na prática, a França encontrou facilidade para jogar por dentro, aproveitando a superioridade numérica diante de apenas dois meio-campistas centrais brasileiros. Além disso, o Brasil ficou muito exposto no momento de “perde e pressiona”, principalmente quando Casemiro e Andrey Santos saíam para o combate e deixavam a zaga vulnerável.
Contra seleções nas quais o Brasil não terá controle total da posse, Ancelotti pode optar por ajustes, como um 4-4-2 em losango, com Vini Jr. atuando como segundo atacante atrás de Matheus Cunha ou João Pedro, ou até um 4-2-3-1 mais tradicional. Com mais jogadores no meio, a equipe tende a evitar os problemas vistos contra a França.
2 – Raphinha e Vini Jr. precisam render mais
Embora sejam destaques em seus clubes, Raphinha e Vini Jr. ainda não conseguem repetir o mesmo nível com a camisa da seleção brasileira. Se, por um lado, o 4-2-4 apresentou problemas defensivos, ofensivamente funcionou em alguns momentos, especialmente nas transições. No entanto, decisões equivocadas dos dois principais nomes do ataque prejudicaram o desempenho ofensivo.
Duas questões são importantes aqui. Com tantas opções no ataque, caso Vini Jr. e Raphinha não correspondam nos primeiros jogos da Copa, Ancelotti pode optar por outras alternativas que contribuam mais coletiva e taticamente.
A segunda questão é o protagonismo. Em meio ao debate sobre a possível convocação de Neymar, jogadores como Vini Jr. e Raphinha precisam assumir a responsabilidade ofensiva da equipe, algo que ainda não aconteceu de forma consistente. Para o Brasil ter uma boa Copa, ambos precisam estar prontos para lidar com essa pressão.
3 – Luiz Henrique e Danilo pedem passagem
Se os principais nomes não apareceram, algumas apostas de Ancelotti começam a dar retorno. Buscando mais agressividade ofensiva, o Brasil voltou para o segundo tempo com Luiz Henrique, que foi um dos destaques da equipe. Com dribles incisivos, finalizações perigosas e uma assistência, o ex-Botafogo e Fluminense teve papel importante na reação brasileira.
Além dele, o volante Danilo também aproveitou bem suas oportunidades. Entrando no lugar de Andrey Santos, o jogador do Botafogo deu mais dinamismo ao meio-campo, acertando passes progressivos e ajudando a equipe a sair da pressão. Em um cenário no qual a seleção busca alternativas para Bruno Guimarães, Danilo surge como uma opção interessante.
4 – O Brasil tem um problema no gol
Um ponto que passou relativamente despercebido foi a atuação de Éderson. Apesar de não ter culpa direta nos gols, embora pudesse ter se antecipado melhor no lance de Hugo Ekitiké, o goleiro do Fenerbahçe não conseguiu se destacar nem em sua principal característica: a saída de bola com os pés.
Em diversos momentos, Éderson errou passes e não conseguiu aliviar a pressão adversária, além de não transmitir segurança. Com Alisson lesionado e em fase irregular no Liverpool, e com Bento e Hugo Souza também sem grandes atuações, a seleção chega próxima da Copa com incertezas na posição.
5 – Os testes na defesa não funcionaram
O Brasil entrou nesse amistoso com desfalques importantes na defesa, como Marquinhos e Gabriel Magalhães, que foram cortados. Com isso, a zaga foi formada por Bremer e Léo Pereira, que não passaram segurança e tiveram dificuldades diante do ataque francês.
Apesar de ter marcado um gol, Bremer sofreu com a velocidade ofensiva da França, também exposto por um sistema defensivo que cedeu muitos espaços. Léo Pereira, por sua vez, não conseguiu se impor na saída de bola e foi superado por Mbappé no lance do gol, principalmente pela falta de reação. Além disso, Wesley e Douglas Santos também não tiveram boas atuações.
Diante disso, fica evidente a importância de nomes como Marquinhos, Gabriel Magalhães e Éder Militão para que o Brasil tenha chances reais de título. Wesley sofreu no um contra um de forma que Militão dificilmente sofreria, enquanto a segurança proporcionada por Marquinhos e Gabriel ainda não foi replicada por nenhuma dupla alternativa. Esses três devem ser pilares fundamentais da defesa brasileira no Mundial.
(Foto: Franck Fife/AFP)



