Alisson
Copa do Mundo Seleção Brasileira

Brasil tem pontos positivos para tirar apesar de estreia decepcionante; confira

A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 deixou sentimentos mistos para os torcedores. O empate por 1 a 1 diante do Marrocos, em East Rutherford, nos Estados Unidos, não foi o resultado que o Brasil esperava para iniciar sua caminhada em busca do hexacampeonato mundial. Ao mesmo tempo, a atuação mostrou aspectos positivos que podem servir de base para a equipe de Carlo Ancelotti crescer ao longo da competição.

O confronto contra os marroquinos era apontado como o principal desafio da fase de grupos. O Marrocos chegou ao torneio carregando a confiança de quem conquistou recentemente a Copa Africana de Nações e demonstrou desde os primeiros minutos porque é considerado uma das seleções mais competitivas do futebol mundial atualmente. A equipe africana pressionou a saída de bola brasileira, controlou a posse e encontrou espaços importantes no sistema defensivo da Seleção.

Mesmo assim, o Brasil conseguiu evitar uma derrota e somou um ponto importante em um grupo que também conta com Haiti e Escócia. O resultado mantém a equipe em boas condições para avançar às oitavas de final, mas também acende um alerta para os próximos compromissos.

Um início preocupante e números que mostram a superioridade marroquina

Os primeiros 30 minutos de partida evidenciaram dificuldades que o Brasil precisará corrigir rapidamente. O Marrocos dominou as ações logo após o apito inicial e chegou a registrar quase 70% de posse de bola nos dez primeiros minutos de jogo. Além disso, os africanos finalizaram cinco vezes nesse curto período, mostrando intensidade e organização tática.

Grande parte desse domínio aconteceu pelo lado esquerdo da defesa brasileira. O capitão marroquino Achraf Hakimi, um dos principais laterais do futebol mundial e destaque do PSG, participou ativamente das jogadas ofensivas e ajudou a criar situações de superioridade numérica naquele setor do campo.

A pressão foi recompensada aos 21 minutos, quando Ismael Saibari abriu o placar para o Marrocos. A jogada começou com Brahim Díaz recebendo liberdade excessiva na região central do campo. O meia encontrou Saibari infiltrando entre Gabriel Magalhães e Marquinhos, permitindo que o atacante finalizasse sem dificuldades.

O gol refletia exatamente o que acontecia em campo. O Brasil encontrava dificuldades para controlar o meio-campo, recuperar a posse e construir ataques organizados. Durante boa parte da primeira etapa, a equipe pareceu reagir aos movimentos do adversário em vez de impor sua própria estratégia.

Essa situação preocupa porque historicamente as grandes campanhas brasileiras em Copas do Mundo foram construídas a partir de atuações consistentes desde o início do torneio. Em todas as cinco conquistas mundiais da Seleção, o Brasil venceu sua partida de estreia.

Os números históricos reforçam a importância desse dado. Em 20 participações em Copas do Mundo, o Brasil venceu 17 partidas de abertura e empatou apenas três. Nunca perdeu uma estreia. O empate diante do Marrocos mantém essa invencibilidade, mas interrompe uma tradição associada diretamente aos títulos conquistados.

O brilho de Vinícius Júnior muda o rumo da partida

Vinicius Junior Seleção Brasileira
Foto: IMAGN IMAGES via Reuters

Quando o cenário parecia cada vez mais favorável ao Marrocos, surgiu a principal estrela brasileira da atualidade. Aos 32 minutos, Vinícius Júnior protagonizou um dos momentos mais marcantes da rodada inicial da Copa do Mundo.

O atacante do Real Madrid recebeu a bola pelo lado esquerdo, avançou em direção à área e acertou uma finalização espetacular no ângulo do goleiro Yassine Bounou. O gol não apenas empatou a partida como também mudou completamente a dinâmica do confronto.

Até aquele momento, o Marrocos havia controlado o jogo de maneira coletiva e organizada. Bastou, porém, um instante de genialidade individual para alterar o panorama. O lance mostrou uma característica histórica do futebol brasileiro: a capacidade de decidir partidas por meio do talento de seus craques.

Ao longo da história das Copas, o Brasil frequentemente contou com jogadores capazes de transformar jogos difíceis em poucos segundos. Pelé foi decisivo em 1958. Garrincha assumiu o protagonismo em 1962. Romário liderou a campanha do tetracampeonato em 1994. Ronaldo brilhou intensamente na conquista de 2002.

Agora, muitos enxergam Vinícius Júnior como o possível sucessor dessa tradição. O gol diante do Marrocos foi seu décimo pela Seleção Brasileira em 50 partidas internacionais e reforçou seu papel como principal referência ofensiva da equipe.

Além disso, o atacante possui uma vantagem importante. Ele conhece profundamente o estilo de trabalho do técnico Carlo Ancelotti. Durante a passagem do treinador italiano pelo Real Madrid, Vinícius disputou 209 partidas sob seu comando, desenvolvendo uma relação de confiança e entendimento tático que pode beneficiar diretamente a Seleção.

Após o empate, o Brasil cresceu na partida. A equipe passou a trocar mais passes, controlar melhor os espaços e criar oportunidades com mais frequência. Embora a vitória não tenha acontecido, a atuação do segundo tempo mostrou uma versão muito mais próxima daquela que os torcedores esperam ver ao longo da Copa.

O que esperar dos próximos jogos

Apesar das dúvidas deixadas pela estreia, o cenário continua favorável para o Brasil no Grupo C. O próximo adversário será o Haiti, considerado tecnicamente inferior aos brasileiros. A expectativa é que a Seleção assuma o controle da partida desde o início e busque uma vitória convincente.

Posteriormente, a equipe encerrará sua participação na fase de grupos contra a Escócia. Dependendo dos resultados anteriores, esse confronto poderá definir a liderança da chave ou apenas confirmar a classificação à 16 avos.

O empate contra o Marrocos mostrou que a caminhada rumo ao hexa não será simples. No entanto, também evidenciou que o Brasil possui recursos para superar momentos difíceis. Se conseguir corrigir seus problemas defensivos, encontrar maior equilíbrio no meio-campo e continuar contando com o brilho de Vinícius Júnior, a Seleção seguirá como uma das principais candidatas ao título mundial de 2026.

A busca pela sexta estrela continua aberta. A estreia não foi perfeita, mas o sonho do hexa permanece vivo.

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Kaique