Rafael Camara
Automobilismo Fórmula 2

Fórmula 2 e Fórmula 3: Saiba como se saíram os brasileiros na pré-temporada

Com sobrenomes de peso, o Brasil terá, em 2026, quatro representantes na Fórmula 2 e na Fórmula 3, categorias que fazem parte da ‘Road to F1’. Após o encerramento dos testes de pré-temporada, é possível traçar um panorama do desempenho dos pilotos brasileiros e o que esperar de cada um deles, antes da rodada de abertura.

O quarteto é formado por Rafael Câmara e Emmo Fittipaldi (filho de Emerson Fittipaldi) na Fórmula 2, além de Pedro Clerot e Fernando Barrichello (filho de Rubens Barrichello) na Fórmula 3. Todos farão suas primeiras temporadas nos respectivos campeonatos, embora Barrichello tenha disputado a etapa final da última temporada, em Imola, onde teve um contato inicial com o carro da categoria.

F2 – Câmara chega como forte candidato

Rafael Camara Formula 2
Foto: Dutch Photo Agency

Campeão da F3 em 2024, Câmara dá o salto para a Fórmula 2 como um dos nomes mais credenciados do grid e é apontado como postulante ao título. Integrante da Academia Ferrari, o pernambucano assinou com a Invicta Racing, equipe que conquistou os dois últimos títulos de pilotos da categoria, com Leonardo Fornaroli e Gabriel Bortoleto.

O primeiro dia de testes foi voltado principalmente para long runs, verificação de sistemas e familiarização inicial. Câmara esteve entre os pilotos que menos completaram voltas, mas conseguiu progredir ao longo do dia e, após a 20ª colocação pela manhã, encerrou a sessão vespertina em oitavo.

No segundo e terceiro dias, o brasileiro deu grandes passos adiante. Na quarta-feira (18), Câmara foi o mais rápido na sessão matutina e manteve consistência à tarde ao encerrar entre os três primeiros. No dia seguinte, o piloto da Invicta repetiu a dose e liderou pela manhã, quando o foco das equipes era ritmo de classificação, forte da Invicta em 2025.

Mais do que os tempos absolutos, o objetivo central tem sido a adaptação à nova categoria e o trabalho conjunto com a equipe para compreender o carro em diferentes cenários antes da abertura do campeonato.

Em situação distinta está Emmo Fittipaldi. Integrante da AIX Racing, um dos times mais modestos do grid, o brasileiro deve enfrentar um cenário mais desafiador que o compatriota. Em seu primeiro contato com o carro no ano, terminou em 12º pela manhã e último na sessão da tarde do primeiro dia.

A transição direta da Eurocup-3 (categoria intermediária entre F4 e F3) para a Fórmula 2, uma das categorias mais cruéis do esporte a motor, representa um salto significativo. Historicamente, pular etapas representa um desafio complexo até mesmo para pilotos fora de série. Apesar do panorama, Fittipaldi mostrou alguma evolução nas sessões de teste seguintes.

No segundo dia, após o 18º lugar pela manhã, surpreendeu ao fechar a sessão vespertina na quarta posição. A quinta-feira (19) também foi de resultados positivos, com o terceiro lugar à tarde em um programa coletivamente voltado para consistência, testes de pit stops e gerenciamento de pneus.

F3 – Clerot e Barrichello focam em aprendizado

Fernando Barrichello
Foto: Divulgação / Fórmula 3

Na semana anterior, os brasileiros da Fórmula 3 tiveram uma pré-temporada discreta, um cenário que tende a se repetir ao longo do ano. Fora das principais equipes, Clerot e Barrichello devem disputar principalmente posições intermediárias e contar com corridas sprint para brigar na frente, favorecidos pelas inversões de grid. Os dois se reencontram após terem dividido pista nos tempos de Fórmula 4 Brasil.

E foi justamente na categoria nacional, em 2022, que Clerot conquistou seu primeiro título e despontou como prodígio do automobilismo brasileiro. Destaque da FRECA na última temporada, com duas vitórias e sete pódios, ele inicia sua primeira temporada na Fórmula 3 com a Rodin Motorsport. A equipe neozelandesa vem de um ano de crescimento na categoria após comprar o espólio da antiga Carlin Motorsport, com direito a pódios e vitórias ocasionais nos últimos dois anos.

O primeiro dia do brasiliense foi dedicado à adaptação e coleta de dados, em condições variáveis de pista: chuva pela manhã e pista seca à tarde. Ao fim das sessões, Clerot ocupava a 16ª posição na tabela de tempos combinados. No segundo dia, com foco em simulações de classificação, terminou em 29º, mas apresentou evolução ao melhorar seu melhor tempo do dia anterior em dois décimos. Já na sessão da tarde, com o tanque mais cheio e pneus duros, o brasileiro apresentou maior consistência e fechou em 11º, acumulando 70 voltas ao longo do dia.

O padrão se repetiu no terceiro e último dia. Na sessão voltada a voltas rápidas, Clerot foi o 14º e registrou seu melhor tempo em toda a pré-temporada, com 01min28s164. À tarde, novamente priorizando ritmo de corrida e coleta de dados, voltou a encerrar em 11º, consolidando uma pré-temporada marcada por forte quilometragem e melhora gradual.

Barrichello, por sua vez, enfrentou as limitações impostas pelo equipamento da AIX e figurou majoritariamente na parte final das tabelas. Ainda assim, o paulistano encerrou os testes dando bons indícios ao registrar a sétima posição na sessão da tarde do último dia, seu melhor resultado no período.

Fefo, como é conhecido, chega à Fórmula 3 após uma temporada de altos e baixos na Euroformula Open. Apesar de irregular, o brasileiro conquistou sete pódios e uma vitória, encerrando o campeonato na sétima colocação geral. O desempenho na pré-temporada indica que sua briga provavelmente é pela segunda metade das classificações, em um grid que conta com 30 carros.

Quando a Fórmula 2 e a Fórmula 3 começam?

As duas categorias juniores iniciarão a temporada 2026 junto da Fórmula 1, na primeira semana de março, como categorias de suporte do Grande Prêmio da Austrália. O treino livre e a classificação ocorrem na sexta-feira (06), a corrida sprint no sábado (07), com grid invertido, e a corrida principal no domingo (08).

A partir desta temporada, os direitos de transmissão retornam à Globo, que exibirá a Fórmula 2 e a Fórmula 3 na TV fechada pelo SporTV.

(Foto principal: Fórmula 2)