Mourinho
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As brigas que Mourinho já teve no Real Madrid e o que elas podem indicar sobre sua nova passagem

José Mourinho está de volta ao Real Madrid. E junto com ele retorna também uma das principais características que marcaram sua primeira passagem pelo clube: a forma intensa e muitas vezes explosiva de administrar grandes estrelas dentro do vestiário.

Porque se existe algo que Mourinho deixou claro entre 2010 e 2013, foi que nenhum jogador estaria acima de suas decisões. Nem mesmo ídolos históricos do Real Madrid.

Durante sua primeira passagem, o treinador português colecionou atritos com praticamente todos os principais nomes do elenco. Alguns conflitos ficaram apenas nos bastidores. Outros explodiram publicamente e acabaram marcando profundamente aquele período do clube.

Agora, mais de uma década depois, Mourinho encontrará novamente um elenco repleto de estrelas, egos fortes e tensões internas após uma temporada sem títulos. E justamente por isso cresce a dúvida dentro do ambiente madridista: o estilo de gestão que gerou tantos conflitos no passado funcionará novamente?

Casillas, Ramos e Pepe: os conflitos que dividiram o vestiário

Foto: IMAGO

O caso mais emblemático da primeira passagem de Mourinho no Real Madrid foi o conflito com Iker Casillas.

Capitão, multicampeão e um dos maiores ídolos da história do clube, Casillas parecia intocável dentro do ambiente madridista. Mas Mourinho decidiu quebrar completamente essa lógica ao colocá-lo no banco para apostar em Diego López.

A decisão gerou enorme impacto interno.

Além da repercussão esportiva, começaram rumores de que Mourinho acreditava que informações do vestiário estavam vazando para a imprensa espanhola. Casillas acabou sendo associado diretamente a isso, aumentando ainda mais o desgaste entre os dois.

O ambiente ficou cada vez mais tensionado dentro do elenco, principalmente após os atritos públicos entre Mourinho, Casillas e Sergio Ramos.

Mas até mesmo Pepe, um dos atletas mais próximos do treinador durante grande parte da passagem, acabou entrando em rota de colisão com Mourinho.

O conflito aconteceu após o zagueiro defender publicamente Casillas. Mourinho respondeu de maneira extremamente dura, dizendo que Pepe estava frustrado por ter perdido espaço para um “garoto de 18 anos chamado Raphaël Varane”.

A frase virou símbolo do estilo de gestão do português: confrontos públicos, pressão constante e nenhuma preocupação em preservar hierarquias tradicionais do elenco.

Ramos também teve vários atritos com Mourinho.

Um dos episódios mais marcantes aconteceu após críticas públicas do treinador depois de uma derrota para o Sevilla. Ramos respondeu indiretamente nas entrevistas, e Mourinho o deixou no banco na estreia da Champions League contra o Manchester City, escalando Varane como titular.

Naquele momento ficou claro que Mourinho estava disposto a enfrentar qualquer jogador do elenco para manter controle absoluto do ambiente.

Marcelo, Özil, Kaká e Benzema também perderam espaço

Foto: Reuters

Os conflitos de Mourinho no Real Madrid não ficaram limitados apenas às lideranças espanholas do elenco.

Marcelo também sofreu bastante durante aquele período. O treinador nunca ficou totalmente satisfeito com o perfil ofensivo do lateral brasileiro e insistiu fortemente na contratação de Fábio Coentrão para disputar posição.

Durante muito tempo, Mourinho tentou transformar Coentrão em seu lateral esquerdo titular ideal, gerando disputa interna constante com Marcelo.

Outro caso extremamente marcante envolveu Mesut Özil.

Apesar de ser um dos jogadores mais talentosos do elenco, o meia alemão frequentemente era substituído ainda no intervalo das partidas. As decisões começaram a gerar desconforto interno, principalmente porque parte do elenco acreditava que Mourinho expunha excessivamente alguns jogadores publicamente.

O episódio mais famoso aconteceu quando Sergio Ramos apareceu utilizando uma camisa de Özil por baixo do uniforme após um jogo, gesto visto como demonstração pública de apoio ao companheiro.

Kaká também perdeu espaço rapidamente.

É verdade que o brasileiro enfrentava dificuldades físicas após lesões sofridas depois da Copa do Mundo, mas Mourinho nunca demonstrou total confiança em sua recuperação e acabou abrindo caminho para sua saída do clube.

Nem mesmo Karim Benzema escapou.

Mesmo sendo uma contratação galáctica de Florentino Pérez, o francês foi colocado no banco diversas vezes e viu o clube contratar Emmanuel Adebayor para aumentar a concorrência no ataque.

Mourinho deixou claro naquele período que reputação não garantiria espaço automático para ninguém.

Segunda passagem começa em ambiente ainda mais delicado

Agora, Mourinho retorna encontrando um cenário talvez ainda mais sensível emocionalmente do que em 2010.

O elenco chega pressionado após uma temporada sem títulos e com sinais claros de desgaste interno. Episódios recentes envolvendo Federico Valverde, Aurélien Tchouaméni, Kylian Mbappé e Vinícius Júnior já mostram que o ambiente atual está longe de ser totalmente estável.

E justamente por isso existe enorme curiosidade sobre como Mourinho administrará esse grupo.

Porque o português chega novamente com a reputação de treinador capaz de reorganizar ambientes caóticos rapidamente. Ao longo da carreira, Mourinho sempre conseguiu criar grupos extremamente competitivos em curto prazo, principalmente através de intensidade emocional e forte senso de hierarquia.

Mas existe também o outro lado.

Nos últimos trabalhos do treinador, muitos ambientes terminaram desgastados justamente pelo excesso de confrontos internos, pressão pública sobre jogadores e divisões dentro do elenco.

E talvez essa seja a principal questão envolvendo sua volta ao Real Madrid.

O clube precisava de alguém capaz de reorganizar emocionalmente o elenco. Mourinho talvez continue sendo um dos melhores treinadores do mundo para isso.

Mas a própria história dele no Real Madrid também mostra que, quando o desgaste começa a crescer, poucos técnicos conseguem gerar tantas rupturas internas quanto o português.

(Foto de capa: Getty Images)

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Kaique