Bruninho, Olimpíadas de Paris
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Bruninho indica aposentadoria da seleção e pede renovação no time após eliminação nas Olimpíadas

A eliminação do Brasil para os Estados Unidos nas quartas de final do vôlei masculino, em Paris, é também o último jogo de Bruninho pela seleção. Foi o que indicou o próprio na última segunda-feira, em entrevista após a derrota por 3 sets a 1, e uma medalha de ouro em 2016, nos Jogos do Rio de Janeiro.

Aos 38 anos de idade, o levantador admitiu que neste momento, o Brasil está num patamar aquém de seus adversários no cenário internacional. Ele afirmou que a equipe trabalhou muito para as Olimpíadas deste ano, que conseguiu encarar outros países em condições de igualdade, mas que o desempenho foi abaixo do esperado.

Difícil, né? Muito frustrante. Por mais que a gente soubesse que era difícil todo o percurso, mas a gente sempre acreditou. Aqui dentro existe uma cobrança muito grande, uma responsabilidade muito grande de tudo aquilo que a gente fez durante vinte anos aí, sei lá, mais de vinte anos. Então, a gente sofre com uma derrota como essa, sabendo que a gente lutou, jogou de igual pra igual em muitos momentos contra grandes equipes, mas faltou. As equipes hoje estão na nossa frente, foi um ciclo daqueles que eu disputei o pior. Faltou voleibol. Temos que assumir isso”

Durante o ciclo olímpico, inicialmente comandado por Renan Dal Zotto, e reassumido por Bernardinho em sua segunda passagem pela seleção, o treinador e pai de Bruninho teve apenas três meses de trabalho e apenas uma competição para conhecer e conduzir o grupo, a Liga das Nações deste ano. O jogador, considerado um dos mais experientes do elenco brasileiro, que reuniu novatos e velhos conhecidos para a disputa olímpica em Paris, afirmou que será preciso cicatrizar esta fase que terminou em eliminação nas quartas dos Jogos, e que apesar de um bronze no mundial de vôlei, faltou resultados expressivos.

A gente teve um bronze mundial que eu acho que é uma bela conquista, mas sair numas quartas de final, acho que desde os Jogos de Sidney, né? Então são vinte e quatro anos. O que dizer? É triste, frustrante, a gente agora remoer aí e cicatrizar essa perda. Eu acho que o que fica é o legado em relação ao trabalho, a gente nunca deixou de trabalhar, nunca deixou de lutar.”

Bruninho e demais jogadores do Brasil durante os Jogos de Paris
Seleção brasileira masculina de vôlei durante as Olimpíadas de Paris — Foto: REUTERS

Bruninho prega renovação na equipe e fortalecimento da Superliga

Além de expor a falta de resultados do Brasil no decorrer do ciclo olímpico dos Jogos de Paris, Bruninho demonstrou encarar com naturalidade o final de sua jornada na seleção e pregou uma renovação do grupo, visando a edição seguinte, de Los Angeles 2028. A campanha nas Olimpíadas em solo francês que terminou nas quartas de final ficou marcada como a pior participação do vôlei masculino brasileiro desde 1972, quando a equipe também fechou os Jogos de Munique em oitavo lugar.

Se lembrar uma seleção que ficou 20 anos chegando em finais e semifinais de Olimpíadas e Mundiais, acho que nenhuma ficou como o Brasil. Então existe, como em qualquer seleção, um câmbio de geração, jogadores que vão chegando. Acho que os jogadores mais experientes também já não estão mais no auge. Acontece e temos que reconhecer que a nossa experiência é importante, mas talvez não seja a mesma coisa de três anos atrás.”

Outro fator apontado pelo levantador, foi a necessidade de se fortalecer a Superliga, campeonato de vôlei do Brasil. Para Bruninho, campeão olímpico em 2016 e medalhista de prata em duas ocasiões, a primeira divisão da modalidade nacional está longe do nível de competitividade das principais ligas da Europa, dando como exemplo os campeonatos da Itália e da Polônia.

Acredito que a gente precisa olhar muito para a Superliga. Nosso campeonato está bastante aquém daquilo que é o nível lá fora, e isso faz uma diferença. Você vê que todos esses jogadores jogam em nível europeu, nos melhores campeonatos do mundo, e estão acostumados a isso.”

Na Itália todos os caras jogam no campeonato de lá, e o Campeonato Polonês é um campeonato muito forte. Hoje a França já tem um campeonato melhor. A gente tem que fazer uma é uma visão geral. Não podemos pensar só aqui. É um momento de reconstrução, a gente tem muitos jovens talentosos que vão precisar crescer, faz parte do processo. Olha os jogos que o Adriano fez. O que o Darlan fez. Lá atrás, em 2000, o Dante não era o Dante ainda.”

A carreira de Bruninho pelo Brasil

Estreando no profissional da seleção brasileira em 2007, durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, Bruninho começou sua jornada com olhos de desconfiança do público, pois na época, quando foi convocado dois dias antes da competição, substituindo um colega que terminou cortado por indisciplina, carregava consigo a figura de filho do treinador Bernardinho, que o manteve como reserva na conquista da medalha de ouro. Quase dezoito anos depois, com um tetracampeonato na Liga Mundial, o bi-campeonato Pan-Americano, um título mundial e uma medalha de ouro nos Jogos do Rio em 2016, ele opta por parar neste momento e ceder o seu espaço no time.

Não é segredo para ninguém que toda jornada não é somente de conquistas, pois além delas, o levantador também viveu outros momentos semelhantes ao vivido na última segunda, após a eliminação nos Jogos Olímpicos de Paris. Nas cinco participações olímpicas de seu currículo, em duas oportunidades, Bruninho conquistou duas medalhas de prata, até chegar ao ouro, e nos Jogos de Tóquio, terminou em quarto lugar após a perda do bronze para a Argentina.

Foto: Gaspar Nóbrega/COB.