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Bruno Guimarães, Lucas Paquetá e a proteção que sustenta Casemiro na Seleção Brasileira

Quando se fala do meio de campo da Seleção Brasileira, a atenção costuma se concentrar nos passes de Lucas Paquetá, na qualidade técnica de Bruno Guimarães ou na experiência de Casemiro. No entanto, a vitória por 3 a 0 sobre a Escócia mostrou que o principal trunfo desse setor talvez esteja justamente no trabalho sem bola. Em um momento da carreira em que Casemiro já não possui a mesma capacidade física para cobrir grandes espaços sozinho, a presença dos dois meio-campistas à sua frente se tornou fundamental para manter o equilíbrio defensivo da equipe de Carlo Ancelotti.

A atuação contra os escoceses deixou claro que o Brasil não defende mais em blocos separados, mas sim como uma unidade coordenada. Enquanto Casemiro atua como referência posicional à frente da zaga, Bruno Guimarães e Paquetá executam funções complementares que diminuem a exposição do volante e fortalecem a pressão coletiva. O resultado é uma equipe mais compacta, mais agressiva na recuperação da posse e menos vulnerável às transições adversárias.

Bruno Guimarães e a primeira onda da pressão

Entre os dois, Bruno Guimarães talvez seja quem realiza o trabalho fisicamente mais exigente. O volante do Newcastle atua como um meio-campista box-to-box, aparecendo com frequência próximo da área adversária e participando da construção ofensiva. Contra a Escócia, foi justamente dessa forma que surgiu o terceiro gol brasileiro, quando encontrou Matheus Cunha em profundidade para a conclusão que fechou o placar.

Mas o aspecto mais importante do seu jogo acontece logo após a perda da posse. Sempre que o Brasil ataca, Bruno Guimarães é um dos primeiros jogadores a iniciar a pressão pós-perda, avançando rapidamente sobre o portador da bola e reduzindo o tempo de reação do adversário. Essa agressividade impede que os rivais encontrem passes limpos para iniciar contra-ataques e, principalmente, evita que Casemiro seja obrigado a defender grandes espaços sozinho.

A lógica é simples: se a bola é recuperada rapidamente, Casemiro continua protegido. Se o adversário consegue escapar da pressão inicial, o veterano volante passa a correr riscos muito maiores. Por isso, a intensidade de Bruno Guimarães se tornou uma peça essencial no funcionamento coletivo da seleção.

Paquetá, o homem da sobra

Se Bruno representa a primeira linha da pressão, Lucas Paquetá exerce uma função menos vistosa, mas igualmente importante. Diferentemente do companheiro, o meia não invade a área com tanta frequência e costuma permanecer alguns metros atrás da jogada ofensiva.

Essa posição lhe permite atuar como uma espécie de “seguro” para o sistema. Quando o Brasil perde a bola, Paquetá normalmente já está ocupando zonas estratégicas do campo, pronto para interceptar passes ou retardar o início da transição rival. É um trabalho que muitas vezes passa despercebido porque não gera estatísticas chamativas, mas que tem enorme impacto tático.

Contra a Escócia, essa característica apareceu diversas vezes. Enquanto Bruno acelerava para pressionar os defensores escoceses, Paquetá permanecia na cobertura, fechando linhas de passe e garantindo que a equipe mantivesse sua estrutura. Dessa forma, a seleção conseguiu sufocar boa parte das tentativas de saída do adversário antes mesmo que elas chegassem ao setor de Casemiro.

O escudo que prolonga a importância de Casemiro

A consequência mais importante desse modelo é a preservação de Casemiro. Aos 34 anos, o volante continua sendo um jogador de leitura privilegiadae enorme liderança, mas já não possui a explosão física dos tempos de auge no Real Madrid.

Ancelotti parece ter entendido isso após o início da Copa. Em vez de exigir que Casemiro cubra o campo inteiro, o treinador montou uma estrutura que potencializa suas qualidades e minimiza suas limitações. Bruno Guimarães e Paquetá funcionam como verdadeiros escudeiros, reduzindo o número de situações em que o camisa 5 precisa correr para trás ou defender transições em inferioridade numérica.

O resultado pode ser visto na campanha brasileira até aqui. A equipe sofreu poucos sustos defensivos ao longo da fase de grupos e conseguiu controlar os jogos através da pressão coordenada no meio-campo. Os problemas vividos por Casemiro contra Marrocos e Haiti parecem ter ficado para trás pela força que o meio de campo brasileiro vem demonstrando.

O brilho de Vinícius Júnior, os gols de Matheus Cunha ou a expectativa pelo retorno de Neymar naturalmente atraem os holofotes. Entretanto, a evolução da Seleção Brasileira na Copa do Mundo passa diretamente pelo funcionamento silencioso de seu meio-campo.

Bruno Guimarães oferece intensidade, pressão e capacidade de recuperação imediata. Paquetá garante cobertura, organização e controle dos espaços. Entre os dois, Casemiro encontra o ambiente ideal para continuar exercendo sua liderança sem ser sobrecarregado fisicamente.

É uma engrenagem que raramente aparece nos melhores momentos das transmissões, mas que ajuda a explicar por que o Brasil parece cada vez mais sólido sob o comando de Carlo Ancelotti. Em uma Copa do Mundo decidida por detalhes, o trabalho invisível de Bruno Guimarães e Lucas Paquetá pode ser tão importante quanto qualquer gol marcado pelos atacantes.