A Cadillac quer encontrar respostas dentro da própria parceria com a Ferrari para tentar dar um passo importante em sua primeira temporada na Fórmula 1. Após um início difícil em 2026, o novo chefe da equipe, Marcin Budkowski, já identificou uma das áreas que pretende investigar: como extrair o máximo possível da unidade de potência Ferrari, principalmente por meio do gerenciamento de energia.
A Cadillac chegou à Fórmula 1 nesta temporada como a 11ª equipe do grid, mas ainda não conseguiu transformar sua estreia em resultados expressivos. Após 11 etapas, Sergio Pérez e Valtteri Bottas seguem sem marcar pontos no campeonato, enquanto a equipe passou a ocupar a posição de pacote mais lento do grid depois da evolução apresentada pela Aston Martin no GP da Hungria.
O cenário explica por que a chegada de Budkowski acontece em um momento tão importante. O polonês, que já teve passagens por Ferrari, McLaren, FIA e Alpine, substituiu Graeme Lowdon no comando da Cadillac e terá como uma de suas primeiras tarefas entender onde a equipe pode encontrar desempenho com o equipamento que já possui.
Cadillac quer entender como Ferrari extrai desempenho do motor
A Cadillac utiliza uma unidade de potência fornecida pela Ferrari e, pelas regras da Fórmula 1, recebe o mesmo hardware disponibilizado pela fabricante italiana. Para Budkowski, porém, isso não significa necessariamente que as duas equipes estejam conseguindo extrair o mesmo nível de desempenho do conjunto. O novo chefe da Cadillac chamou atenção para o que considera uma diferença importante na era atual da Fórmula 1: compreender como utilizar a unidade de potência pode ser tão relevante quanto o próprio hardware.
O gerenciamento de energia ganhou enorme importância com o regulamento de 2026, que aumentou significativamente o peso da parte elétrica na performance dos carros. Por isso, pequenas diferenças na forma como a energia é armazenada, recuperada e utilizada ao longo de uma volta podem representar ganhos importantes de tempo.
Budkowski citou justamente o exemplo da Mercedes e de sua relação com equipes clientes. A McLaren, no início da temporada, havia demonstrado preocupação por não ter acesso a todas as informações que gostaria sobre a unidade de potência Mercedes. Mesmo assim, a equipe conseguiu evoluir ao longo do campeonato e venceu o GP da Hungria.
Para o dirigente da Cadillac, esse tipo de situação mostra que existe uma camada de desempenho que não aparece simplesmente ao olhar para o motor. “Há muito desempenho a ser desbloqueado ao entender as particularidades do gerenciamento de energia.” É justamente essa área que Budkowski pretende analisar quando assumir efetivamente o comando da equipe.
O mesmo motor não significa o mesmo desempenho
A Cadillac reconhece que o motor Ferrari é competitivo. O problema, segundo Budkowski, é descobrir se a equipe está realmente utilizando todo o potencial disponível. Essa diferença pode estar em detalhes de operação, estratégias de gerenciamento de energia e na maneira como a unidade de potência é integrada ao restante do carro.
É aí que entra a referência aos chamados “truques” da Ferrari. Budkowski não acusa a fabricante italiana de esconder informações que deveria compartilhar. Pelo contrário: ele reconhece que existe uma divisão natural entre aquilo que um fornecedor precisa entregar ao cliente e o conhecimento interno que ajuda a equipe de fábrica a extrair o máximo de seu próprio equipamento.
Para a Cadillac, portanto, a questão não é simplesmente receber um motor melhor. É aprender a utilizá-lo melhor. “Há sempre um elemento em que o fornecedor não necessariamente compartilha todos os truques para extrair o máximo desempenho”, explicou Budkowski.
O dirigente considera isso parte normal da competição na Fórmula 1. A Ferrari tem sua própria equipe de fábrica e, naturalmente, possui anos de conhecimento acumulado sobre como integrar sua unidade de potência ao carro.
Parceria com a Ferrari dura até 2028
A importância dessa investigação aumenta porque a Cadillac ainda terá uma longa relação com a Ferrari. Embora o projeto da equipe americana tenha como objetivo se tornar uma fabricante completa de unidades de potência no futuro, a parceria com a Ferrari continuará sendo fundamental até 2028.
Isso significa que qualquer ganho encontrado na maneira de operar a unidade de potência pode representar uma oportunidade imediata de evolução. Budkowski também destacou que a Ferrari continuará atualizando seu motor, inclusive por meio das oportunidades adicionais de desenvolvimento previstas para 2026.
A Cadillac, portanto, não está tentando corrigir um equipamento considerado ruim. O objetivo é outro: extrair mais do que já está disponível. Essa pode ser uma das maneiras mais rápidas de a equipe reduzir sua desvantagem sem depender exclusivamente de grandes mudanças aerodinâmicas ou de um novo carro.
Budkowski estreia no comando no GP da Holanda
A primeira oportunidade de Budkowski acompanhar a equipe oficialmente no comando acontecerá no GP da Holanda, em Zandvoort, na retomada da temporada após a pausa de verão. Não será uma mudança capaz de transformar instantaneamente a Cadillac em uma equipe competitiva. O trabalho envolve compreender processos, melhorar a comunicação com a Ferrari e identificar onde a equipe está deixando desempenho na mesa.
Mas a chegada de Budkowski deixa claro que a Cadillac não pretende aceitar passivamente sua posição no fundo do grid.
A equipe ainda está construindo sua estrutura e tem um projeto de longo prazo para se tornar uma força competitiva na Fórmula 1. Até lá, cada detalhe pode fazer diferença e, para Budkowski, descobrir como extrair alguns décimos a mais do motor Ferrari pode ser um dos primeiros caminhos para começar essa transformação.
Foto: (Reprodução/ Motor Sport Images)



