A Cadillac ainda ocupa a parte de trás do grid em sua primeira temporada na Fórmula 1, mas o GP da Espanha, disputado no novo circuito de Madri, deixou um sinal positivo para a equipe americana.
Mesmo sem conseguir pontuar, Sergio Pérez apresentou um ritmo de corrida comparável ao de Alexander Albon, da Williams, durante boa parte da prova. Em determinados momentos, o mexicano chegou a ser mais rápido que o rival, indicando que a Cadillac pode ter encontrado um desempenho específico para as características do Madring. O resultado final, porém, não refletiu esse potencial. Pérez abandonou a corrida por causa de um vazamento de água, quando ocupava a 17ª posição.
Pérez acompanha Albon durante boa parte da corrida
Pérez largou em 18º e conseguiu ganhar posições logo na primeira volta, avançando para 16º e ficando à frente de Yuki Tsunoda e Carlos Sainz. Mais importante do que as posições conquistadas, entretanto, foi o ritmo apresentado diante de Albon.
O piloto da Cadillac passou boa parte da corrida acompanhando o carro da Williams. Segundo Pérez, a diferença permaneceu pequena praticamente desde o início até o momento em que seu problema mecânico encerrou sua participação. “Eu estava praticamente no mesmo ritmo que Albon o tempo todo”, afirmou o mexicano, destacando que conseguiu permanecer dentro de uma distância de um a dois segundos do adversário.
Pérez também considerou que o desempenho foi um dos pontos mais positivos do fim de semana para a Cadillac. “Foi um fim de semana realmente forte para a equipe em termos de ritmo”, avaliou. O próprio piloto, entretanto, reconheceu que o desempenho pode ter sido influenciado pelas características específicas do novo circuito de Madri.
Os números mostram uma mudança no segundo stint
A comparação entre Pérez e Albon fica ainda mais interessante porque os dois utilizaram a mesma estratégia. Ambos começaram a corrida com pneus médios e trocaram para os compostos duros durante o período de Virtual Safety Car. Isso permite uma comparação mais direta entre os dois carros. No primeiro stint, Albon levou vantagem. Considerando 11 voltas representativas, Pérez foi, em média, 0,403 segundo mais lento por volta.
A situação mudou depois da troca para os pneus duros. Nas oito voltas representativas do segundo stint, Pérez passou a ser 0,351s mais rápido por volta do que Albon.
A amostra é pequena, especialmente porque o Cadillac começou a perder rendimento posteriormente por causa do problema técnico e também pelas bandeiras azuis. Ainda assim, os dados apontam para uma tendência consistente: o carro americano conseguiu apresentar ritmo competitivo diante da Williams em determinadas condições. Pérez chegou a afirmar que acreditava estar mais rápido que Albon no segundo stint. “Foi provavelmente a coisa mais positiva do fim de semana: estivemos com eles desde a primeira volta até o fim”, comentou.
Bottas vê um cenário bem diferente
O outro lado da garagem da Cadillac teve uma impressão consideravelmente menos animadora. Valtteri Bottas passou boa parte da corrida na parte de trás do pelotão e voltou a destacar dois problemas que continuam preocupando a equipe: degradação dos pneus e confiabilidade.
A Cadillac já acumulou 11 abandonos ou não-largadas na temporada de 2026. O número é inferior aos 15 registrados pela Aston Martin, mas ainda representa uma diferença considerável em relação à Williams, que soma sete. Bottas reconheceu que a equipe precisa melhorar não apenas a velocidade do carro, mas também sua robustez. “Sabemos que precisamos melhorar. O carro ainda não é robusto o suficiente e precisamos torná-lo muito mais rápido”, afirmou.
Segundo o finlandês, a degradação dos pneus evidenciou ainda mais a diferença para os concorrentes. Além disso, a Cadillac precisou administrar as temperaturas dos freios durante a corrida. Isso obrigou os pilotos a utilizar bastante o chamado lift-and-coast, quando o piloto tira o pé do acelerador antes da zona de frenagem para reduzir o consumo e controlar temperaturas.
Para Bottas, foi uma corrida difícil, mas o simples fato de conseguir levar o carro até a bandeirada foi um aspecto positivo.
Cadillac acredita que Baku pode favorecer o carro
A diferença de percepção entre os dois pilotos também pode ser explicada pelas características do circuito de Madri. Pérez conseguiu explorar um ritmo próximo ao da Williams, enquanto Bottas enfrentou uma degradação muito maior ao longo da prova. Isso sugere que o comportamento do Cadillac ainda pode variar bastante dependendo do circuito e das exigências impostas aos pneus.
Bottas, por isso, olha para o GP do Azerbaijão com mais esperança. Baku possui uma característica que pode ajudar a equipe: embora tenha uma das maiores retas da Fórmula 1, o circuito não exige o mesmo nível de eficiência aerodinâmica em curvas de alta velocidade que outros traçados. “As únicas curvas de alta velocidade são feitas de pé embaixo; fora isso, são curvas de baixa ou média velocidade”, explicou Bottas.
Essa característica pode ser importante para o Cadillac MAC-26, que ainda sofre com a falta de downforce. Em Madri, esse déficit acabou cobrando um preço maior, especialmente conforme a corrida avançava e os pneus começavam a se degradar.
Próximo objetivo é transformar ritmo em resultado
Até agora, a Cadillac ainda tem como melhores marcas 18º lugar no grid de largada e 14º lugar em corridas. Ou seja, a equipe continua sem um resultado expressivo em sua temporada de estreia. O desempenho de Pérez em Madri, entretanto, oferece uma perspectiva diferente.
A comparação direta com Albon não significa que a Cadillac tenha ultrapassado a Williams em desempenho geral. O próprio tamanho reduzido da amostra impede uma conclusão definitiva, e Bottas mostrou que o carro ainda enfrenta problemas importantes de degradação. Mas os dados indicam que, em determinadas condições, o Cadillac pode acompanhar um carro que normalmente está em uma posição mais competitiva no pelotão.
Agora, a equipe espera descobrir se esse ritmo pode ser reproduzido em Baku. Com muitas curvas de baixa e média velocidade e longas seções de aceleração, o circuito do Azerbaijão pode reduzir o impacto da falta de downforce do MAC-26. Se a Cadillac também conseguir controlar melhor a degradação e evitar novos problemas de confiabilidade, Pérez e Bottas terão uma oportunidade de transformar o ritmo mostrado em Madri em um resultado mais próximo do meio do grid.
Foto: (Reprodução/Cadillac)



