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Campeonato Argentino mergulha em crise profunda com risco de paralisação

O Campeonato Argentino sempre levantou críticas dos próprios torcedores dos clubes participantes por causa dos péssimos formatos de disputa, criando uma falta de competitividade considerável em relação aos campeonatos nacionais de pontos corridos dos países vizinhos. No entanto, o cenário do futebol na Argentina atravessa um período de atrito sem precedentes neste momento, pois a Associação de Futebol Argentino (AFA) avalia a suspensão das atividades durante a nona rodada da Copa da Liga Argentina, motivada pelas incriminações feitas pela gestão governamental contra integrantes da entidade.

Nas últimas horas, os gestores da Liga Profissional, em reunião do Comitê Executivo, formalizaram o pedido de interrupção das competições. Essa proposta recebeu o apoio de líderes de diversas outras divisões do esporte no país. Embora ainda não tenham sido especificados todos os termos ou cronogramas definitivos, a intenção confirmada em nota oficial consiste em interromper integralmente a rodada do fim de semana do Campeonato Argentino.

O movimento grevista não atingirá apenas a elite do futebol, mas englobará todos os patamares da modalidade no território argentino, cancelando a disputa de jogos durante todo o fim de semana. No entanto, para entendermos o momento atual do Campeonato Argentino, precisamos ressaltar que o conflito entre o governo de Javier Milei e a Associação de Futebol Argentino (AFA) é profundo e envolve uma disputa ideológica e financeira sobre o modelo de gestão do esporte no país.

Os pontos que podem paralisar o Campeonato Argentino

A ameaça de greve para a 9ª rodada do Campeonato Argentno surgiu como uma resposta direta à judicialização da cúpula da AFA. O presidente da entidade e o tesoureiro Pablo Toviggino foram intimados a prestar depoimento e estão proibidos de sair da Argentina. O governo, através da agência de arrecadação (ARCA), acusa a entidade de evasão fiscal e retenção indevida de contribuições previdenciárias num valor que supera os 19 mil milhões de pesos. Obviamente que a AFA nega as irregularidades, afirmando que os pagamentos foram feitos antes do prazo e classifica a investigação como uma “perseguição política” e uma “guerra contra o futebol”.

Contudo, todo o pano de fundo deste conflito é a tentativa de Milei de implementar as Sociedades Anónimas Desportivas (SAD), semelhante ao modelo de SAF no Brasil. O presidente argentino defende que a entrada de capital privado e a transformação dos clubes em empresas trariam investimento, transparência e competitividade, citando frequentemente o sucesso dos clubes brasileiros como exemplo. Por outro lado, a maioria dos clubes argentinos resistem ferozmente, defendendo o modelo tradicional de “associações civis sem fins lucrativos”, onde o clube pertence aos sócios. Tapia chegou a ameaçar desqualificar clubes do Campeonato Argentino que optem pelo modelo de empresa.

Se a greve se confirmar, o futebol na Argentina irá parar totalmente na primeira semana de março. Isso não afetará apenas a elite, mas todas as divisões nacionais do Campeonato Argentino. O objetivo da AFA com esta medida é demonstrar coesão interna e força política, forçando o governo a recuar na pressão judicial sobre os seus dirigentes. Este cenário insere-se num clima de tensão social maior na Argentina, que também enfrenta greves gerais de outros setores contra as reformas trabalhistas e económicas.

Imagem: AFP