Carlos Prates
Lutas UFC

Carlos Prates ignora pressão da torcida e transforma UFC Perth em “segunda casa”

Se a ideia era colocar Carlos Prates em território hostil, talvez o plano não tenha saído exatamente como o esperado. Escalado para enfrentar Jack Della Maddalena na luta principal do UFC Fight Night 275, em Perth, o brasileiro chega com uma postura que mistura tranquilidade, confiança e, claro, aquele foco que todo lutador precisa quando a porta do octógono se fecha.

Em teoria, o cenário favorece totalmente o australiano. Lutar em casa, com a arena lotada de torcedores gritando seu nome, costuma ser aquele empurrão extra, seja na motivação ou até mesmo na pressão colocada sobre o adversário. Só que, no caso de Prates, esse “fator casa” perde um pouco da força. E o motivo vai muito além do esporte.

O brasileiro tem uma conexão pessoal forte com a Austrália. Sua filha mora em Sydney, e ele costuma visitar o país com frequência. Ou seja, nada de adaptação complicada, jet lag virando vilão ou aquele clima de “estou longe de tudo”. Muito pelo contrário. Para ele, pisar em solo australiano é quase como voltar para um ambiente familiar, então está bem distante de ser um problema.

E dessa vez, o momento tem um peso ainda mais especial. Prates trouxe a mãe do Brasil para acompanhar de perto a luta e, de quebra, passar um tempo com a neta. Em meio a uma semana que poderia ser só de tensão e corte de peso, o brasileiro conseguiu equilibrar o lado profissional com algo bem mais importante: a família.

“Não me sinto em território inimigo”, resumiu o lutador, deixando claro que o ambiente não o intimida. E, convenhamos, isso muda bastante o jogo.

Pressão e oportunidades misturados entre Jack e Prates

Se Prates parece confortável, o mesmo não dá para dizer de Della Maddalena e não é nem por falta de apoio. O australiano chega carregando um combo que pode pesar: lutar em casa e ainda precisar dar uma resposta depois de uma derrota importante.

Ele vem de um revés em disputa de cinturão contra Islam Makhachev, que subiu de categoria e fez história ao conquistar o título em duas divisões. Não é exatamente o tipo de derrota que passa batido, ainda mais pelo fato do australiano ter sido completamente dominado por cinco rounds. E agora, diante da torcida, a expectativa é de recuperação imediata.

A lógica é simples: vencer bem em casa pode recolocar Della Maddalena diretamente na rota do cinturão. Mas aí entra o “detalhe” chamado Carlos Prates.

O brasileiro vive um momento sólido dentro do UFC. Desde sua única derrota na organização, para Ian Machado Garry, ele emendou duas vitórias, ambas por nocaute e com direito a bônus. Ou seja, não só venceu, como fez barulho, tem se apresentado como um nome fortíssimo na divisão.

E esse tipo de desempenho muda completamente o peso da luta. Não é só mais um main event. É um confronto que pode mexer diretamente na fila dos meio-médios.

Prates sabe disso. E não esconde o objetivo: quer a chance pelo título. Sem rodeios, sem discurso cheio de metáforas. É foco total.

Ele reconhece o perigo do adversário, principalmente nas mãos afiadas de Della Maddalena e entende que a luta exige concentração máxima do início ao fim. São 25 minutos onde qualquer vacilo pode custar caro. Mas, pelo tom das declarações, a confiança está longe de ser um problema.

Quando o octógono fecha, não tem torcida que resolva

Existe um clichê no MMA que, de tão repetido, virou verdade absoluta: quando a luta começa, não importa quem está na arquibancada. E Prates parece abraçar essa ideia com naturalidade.

Durante toda a semana, ele foi questionado sobre a torcida, o ambiente e a pressão. Mas a resposta foi sempre na mesma linha: isso não entra na conta na hora da luta.

E faz sentido. Dentro do octógono, não tem grito que bloqueie um soco ou salve de um knockdown. No fim das contas, é um contra um e ponto.

Ao mesmo tempo, o brasileiro deixa claro que a presença da família tem um peso emocional importante. Crescer sem a figura do pai fez com que ele valorizasse ainda mais esses momentos. Estar perto da filha, da mãe e dos amigos não é só um detalhe. É combustível.

Mas não se engane: isso não tira o foco competitivo. Pelo contrário. Funciona como um reforço mental, aquele tipo de motivação silenciosa que não aparece nas estatísticas, mas faz diferença na hora H.

Prates e Maddalena sabem da importância desta luta

O duelo entre Carlos Prates e Jack Della Maddalena não é só mais um evento na agenda do UFC. É o típico confronto que pode mudar o rumo da categoria.

De um lado, um lutador tentando se reerguer após bater na trave pelo título. Do outro, um brasileiro embalado, confiante e pronto para dar o salto definitivo.

E talvez o detalhe mais curioso de tudo seja justamente o cenário. O que deveria ser uma vantagem clara para Della Maddalena pode não ser tão decisivo assim. Prates não só está confortável como parece genuinamente à vontade, quase como se estivesse lutando em casa.

No fim, tudo se resume ao que acontece quando a porta do octógono se fecha. E se depender da postura do brasileiro, a torcida australiana pode até fazer barulho… mas não vai entrar na luta.

E aí, meu amigo, é onde a história realmente começa a ser escrita.

Foto: Louis Grasse/PxImages