O UFC desembarcou em Seattle neste fim de semana e, no sábado, o evento “Fight Night” abrilhantou os fãs da cidade do grunge com 12 combates, sendo encerrado no duelo entre Song Yadong e Henry Cejudo.
Na luta principal, um anticlímax marcou o confronto entre Yadong e Cejudo. O chinês vencia o combate quando um golpe ilegal involuntário no olho de Cejudo inviabilizou a sequência da luta.
Como Yadong vencia nas papeletas dos três primeiros assaltos, o chinês foi declarado vencedor. No final do combate, Henry Cejudo lamentou o desfecho do duelo, afirmando que venceria a luta em cinco rounds.
Esse tipo de decisão é sempre polêmico, pois abre margem para um lutador, que claramente esteja vencendo por dois a um, trabalhe um golpe ilegal para encerrar o combate antecipadamente e levar vantagem com isso. Por conta dessa possibilidade de falta de fair play, acredito que todo duelo encerrado assim deveria ser marcado como “no contest”, sem resultado.
Dito isso, claramente Song Yadong não usou desse subterfúgio, aplicando o golpe ilegal de maneira involuntária e, além disso, o chinês era claramente superior no duelo, trabalhando bem os jabs, diretos e chutes baixos na distância, frustrando o eficiente jogo de quedas do “Triplo C”.

É o fim de Henry Cejudo?
Dono de uma carreira invejável, com dois cinturões do UFC e uma medalha de ouro olímpica, Henry Cejudo sofreu o terceiro revés consecutivo no Ultimate e, para completar, já não tem o mesmo vigor físico de quando estava no auge, que imprimia uma grande pressão sobre seus adversários.
No final do combate contra Song Yadong, ambos acordaram ali que farão uma revanche, devido ao final bizarro da luta, mas precisam combinar com Dana White, que rechaçou essa possibilidade num primeiro momento para não travar a categoria. Sendo essa revanche ou contra um outro adversário, o próximo duelo de Cejudo será a “última dança” do ex-campeão dos galos e moscas?
A vontade dele, em caso de vitória em seu próximo compromisso, não será essa, porém, não é possível enxergar Cejudo disputando o cinturão novamente. Ou o “Triplo C” foca no dinheiro das super lutas, já que poderia enfrentar o ex-campeão José Aldo ou receber Alexandre Pantoja, em combates de grande apelo, ou seria melhor pendurar as luvas em grande estilo.
Independentemente do que acontecer, ninguém tira o nome de Cejudo de um Hall da Fama do UFC, porém, não é legal ver ex-campeões dominantes em sequências de derrotas. Saber a hora de parar é bem importante.
Card preliminar surreal tem lutas rápidas
Nenhuma das sete preliminares chegou ao terceiro round, algo bem raro nos cards do Ultimate. O experiente Ricky Simon conseguiu um nocaute sobre Javid Basharat com um belíssimo cruzado, se reencontrando com o caminho das vitórias.
Teve também o veterano Ion Cutelaba finalizando o, até então invicto, Ibo Aslan no primeiro assalto e o estreante Austin Vanderford nocauteando de forma brutal o russo Nikolay Veretennikov no segundo round. Na diversificação dos duelos, Mansur Abdul-Malik sofreu, mas derrotou Nick Klein de virada por nocaute. E, Nursulton Ruziboev controlou o combate e recebeu o novato Eric McConico aplicando um nocaute contundente.
Já as lutas envolvendo brasileiros tiveram dois desfechos diferentes. O peso pena Melquizael Costa enfrentou o experiente Andre Fili, demonstrando conforto em pé e oportunismo para laçar o pescoço de Fili, quando o americano tentava uma queda, e finalizar o duelo. E o revés brasileiro veio através de Rafael Cerqueira, que sofreu como boxe do veterano lituano Modestas Bukauskas, que terminou o combate em nocaute no primeiro assalto.
Guerra, polêmica e dois astros em ascensão
Se o card preliminar foi surreal, o principal não ficou atrás. O evento principal não terminou como os fãs gostariam, entretanto, os outros quatro entregaram muito.
O show começou com a guerra entre Alonzo Menifield e o estreante Julius Walker. Menifield sofreu com o grappling de Walker, mas os golpes contundentes de Alonzo convenceram dois árbitros a lhe darem o triunfo que ganhou bônus de “luta da noite”.
Depois desse combate tão equilibrado veio mais um passeio de Jean Silva no octógono. O craque da Fighting Nerds sofreu um pouco no início com os contragolpes de Melsik Baghdasaryan, mas rapidamente achou seu ritmo, agrediu o oponente e construiu um belo nocaute no primeiro round.

O outro “Jean brasileiro” no card, o Matsumoto, fez um ótimo combate contra o veterano Robert Font. Se ele sofreu com o boxe do adversário, seu jogo de quedas afiado punia o americano. Dominando a maior parte dos dois primeiros assaltos, Jean Matsumoto tinha a esperança da vitória ao final do confronto, porém, dois juízes anotaram o triunfo para Font, numa decisão bastante polêmica que gerou uma certa revolta na comunidade do MMA.
Para encerrar o raio-x desse grande evento, Anthony Hernandez enfrentou o maior adversário de sua carreira e mostrou que vive ótima fase, dominando o segundo e o terceiro assaltos diante do forte Brandon Allen, apresentando uma capacidade cardíaca invejável, um jogo justo de luta agarrada e dirty boxing e uma imposição física que não deu margem para Allen apresentar o melhor dele. Desta forma, “Fluffy” se apresenta como mais um candidato na animada categoria dos pesos médios.