O Boston Celtics conquistou uma vitória crucial no jogo 5 contra o New York Knicks na semifinal do Leste dos Playoffs da NBA 2025, mesmo após perder Jayson Tatum por uma grave lesão no tendão de Aquiles. Atuando em casa sem seu principal astro, o Celtics demonstrou intensidade e profundidade de elenco para evitar a eliminação, diminuindo a série para 3–2 e alimentando esperanças de virar o confronto e manter vivo o sonho do título da NBA.
Lesão de Tatum: impacto emocional e técnico
A lesão de Jayson Tatum ocorreu no jogo 4, em uma jogada sem contato nos minutos finais, e abalou o time e a torcida. O ala, carregado para fora de quadra de cadeira de rodas, teve confirmada a ruptura do tendão de Aquiles direito e passou por cirurgia, ficando fora do restante dos playoffs. Tatum não é apenas o cestinha do Celtics na temporada, mas também a referência técnica e emocional da equipe. Sua ausência representa um impacto enorme: além dos ~27 pontos, 8 rebotes e 6 assistências que ele vinha contribuindo em média, o time perde seu principal definidor nos momentos decisivos.
Em termos de moral, a notícia da lesão foi um baque. “O ar meio que saiu da sala ao ouvirmos as notícias sobre JT (Tatum). Não queríamos sair assim”, revelou Jaylen Brown sobre o sentimento no vestiário. Ele e Al Horford fizeram um discurso inflamado antes do jogo 5 para motivar os companheiros. “Nós não queríamos simplesmente desistir ou entregar a temporada, como todo mundo provavelmente esperava” declarou o ala, reforçando que o elenco estava determinado a lutar até o fim. A equipe assumiu o compromisso de lutar, recusando-se a entregar a temporada sem reagir.
Resposta coletiva no jogo 5: defesa e união
Com a temporada em risco, o Celtics entrou em quadra no jogo 5 disposto a provar que poderia competir sem Tatum. No primeiro tempo a partida foi equilibrada, terminando empatada em 59 pontos. Mas no segundo tempo Boston impôs uma atuação dominante, especialmente na defesa. A equipe ajustou sua estratégia para suprir a falta de seu motor ofensivo: focar na defesa intensa e no jogo coletivo.
O técnico Joe Mazzulla fez mudanças táticas importantes. Com Kristaps Porzingis debilitado por uma doença, Mazzulla optou por deixá-lo no banco no segundo tempo. No lugar dele, entrou o pivô reserva Luke Kornet, cuja presença mudou o ritmo do jogo. Somente no 3º quarto Kornet distribuiu 5 tocos e pegou 5 rebotes, enquanto o Knicks não converteu nenhuma cesta na área pintada nesse período.
A defesa de Boston cresceu de forma notável, protegendo o aro e contestando arremessos a cada posse. Nova York terminou o jogo com apenas 36% de aproveitamento nos arremessos e 26 pontos no garrafão – seu menor número na temporada.
No ataque, sem Tatum monopolizando as ações, Boston adotou uma postura mais coletiva e movimentação de bola constante. A equipe registrou 7 assistências em 8 cestas no terceiro quarto, sinal de um ataque mais participativo. A bola de três pontos também foi crucial – foram 22 bolas convertidas em 49 tentativas, igualando um recorde da franquia nos playoffs. A execução ofensiva coletiva, aliada à forte defesa, permitiu ao Celtics abrir vantagem e vencer por 127 a 102.
Destaques do Celtics: Brown, White e coadjuvantes brilham
Jaylen Brown assumiu o protagonismo que dele se esperava. Ele marcou 26 pontos, agarrou 8 rebotes e distribuiu 12 assistências – um recorde pessoal em playoffs. Além disso, Brown foi agressivo atacando a defesa do Knicks, forçando faltas (incomodou Jalen Brunson a ponto de fazê-lo estourar em faltas no último quarto) e manteve alta intensidade defensiva no perímetro. A liderança de Brown ficou evidente tanto na energia em quadra quanto na postura de facilitador para os companheiros.
Derrick White teve uma noite inspirada: 34 pontos, com 7 cestas de três, liderando o time na pontuação. Conhecido pelo impacto defensivo, White assumiu o papel ofensivo, sendo decisivo nos momentos mais quentes do jogo e mantendo o nível nos dois lados da quadra. Foi o cestinha da partida – mostrando versatilidade ao assumir a responsabilidade de pontuar em momentos-chave. Ele também contribuiu atrás, com 3 tocos importantes ajudando a conter as infiltrações nova-iorquinas.
Luke Kornet foi um dos heróis da noite. O pivô, normalmente fora da rotação principal, terminou com 10 pontos (100% de aproveitamento), 9 rebotes e 7 tocos. Ele foi essencial na contenção do garrafão, intimidando o ataque adversário e garantindo estabilidade defensiva. Segundo estatísticas históricas, ele se tornou o primeiro jogador na história dos playoffs da NBA a registrar ao menos 10/9/7 com 100% de aproveitamento nos arremessos em uma partida.
Mais importante que os números, foi o impacto defensivo – Kornet protegeu o aro como um veterano, intimidando os atacantes dos Knicks a cada posse. “Ele foi inacreditável”, exaltou Derrick White ao comentar a atuação do companheiro, afirmando que Kornet estava sempre na posição certa e “realmente apareceu quando precisamos”.
Outros jogadores também se destacaram. Al Horford contribuiu com 12 pontos e experiência, mantendo o garrafão forte. Payton Pritchard trouxe energia e arremessos certeiros vindo do banco, deixando 17 pontos e 5 rebotes, além de 3 assistências em quadra. Jrue Holiday, com 14 pontos, 3 assistências e 7 rebotes, foi importante na defesa e organização do time, mostrando sua experiência de campeão para controlar o ritmo quando necessário.
Essa soma de contribuições evidenciou a profundidade do elenco dos Celtics – a equipe provou ter peças capazes de suprir coletivamente a ausência de seu astro. Para o lado dos Knicks, a derrota representou uma oportunidade desperdiçada de fechar a série. Nova York veio para o jogo confiante após abrir 3–1, mas não conseguiu igualar a intensidade de Boston no segundo tempo. “Tínhamos a chance de acabar com a série e não fizemos nosso trabalho”, lamentou o técnico Tom Thibodeau sobre a queda de rendimento dos Knicks após o intervalo.
Já o armador Jalen Brunson negou que a equipe tenha tirado o pé por Tatum estar fora, e elogiou o adversário: segundo Brunson, mesmo sem seu maior pontuador, Boston “é uma máquina bem azeitada” que já mostrou conseguir jogar bem sem Tatum. Ou seja, até o adversário reconheceu o poder coletivo do Celtics.
Knicks desperdiçam chance e reconhecem força do rival
Para o lado dos Knicks, a derrota foi dolorosa. Após abrir 3–1 na série, Nova York teve a chance de fechar fora de casa, mas sucumbiu à intensidade dos Celtics. O time sofreu para converter no garrafão e foi engolido na defesa. Jalen Brunson reconheceu que, mesmo sem Tatum, Boston tem estrutura e talento para competir em alto nível.
Imprensa dos EUA aposta na reação de Boston
A convincente atuação no jogo 5 alterou a narrativa da série e gerou repercussão na mídia norte-americana. Muitos analistas destacaram que, embora a perda de Tatum seja devastadora, não se pode subestimar este time do Celtics. O portal Sports Illustrated apontou que o elenco pareceu mais focado e solidário em quadra sem Tatum, com ótima movimentação de bola e empenho defensivo – elementos que faltaram nos jogos anteriores da série.
A mesma análise observou que, apesar do teto do time ser naturalmente mais baixo sem seu jogador de maior talento, o “piso” do desempenho coletivo pode subir quando atletas como Brown e White jogam no nível exibido no jogo 5. Em outras palavras, o Celtics sem Tatum continua sendo um time muito competitivo: “não tão ruim quanto muitos fãs imaginavam” e perfeitamente capaz de equilibrar as ações contra o Knicks.
Já na ESPN, a tônica foi o ajuste defensivo e a mentalidade de “zero desculpas” do Boston. O site da ESPN descreveu que os jogadores, embora sentidos pela situação de Tatum, sabiam que não havia tempo para lamentar – a estratégia foi se apoiar fortemente na defesa para compensar a perda de poder de fogo ofensivo.
O resultado dessa mudança foi uma partida em que Boston “esmigalhou o Knicks” no segundo tempo, nas palavras do repórter Chris Herring. Comentando sobre a postura dos Celtics, Herring ressaltou que a equipe não mostrou abatimento típico de quem perde sua estrela, mas sim uma urgência focada desde o início do jogo 5. Brian Windhorst, outro conceituado analista da ESPN, destacou em sua coluna que Boston se “refocou” defensivamente e citou a grande noite de Luke Kornet como símbolo da entrega de todos os jogadores para manter a temporada viva.
Publicações como The Athletic e Bleacher Report também fizeram eco desse otimismo moderado com o Boston pós-Tatum. No The Athletic, enfatizou-se que o retrospecto dos Celtics sem Tatum nos últimos anos é melhor do que muitos imaginam – um indicativo de que o time sabe se adaptar às ausências. Estatísticas levantadas mostram um número surpreendente de vitórias de Boston quando Tatum não joga, reflexo da profundidade do elenco e do protagonismo que outros jogadores assumem nessas ocasiões.
Já o Bleacher Report pontuou que a performance dominante no jogo 5 serviu para “dar esperança aos torcedores” de que a série ainda pode ser virada, sobretudo se a defesa mantiver o nível exibido e jogadores de apoio continuarem contribuindo em alto nível. A mensagem geral da imprensa americana foi clara: não se deve descartar o coração de um campeão. Os Celtics mostraram que ainda têm armas para lutar, e a discussão agora gira em torno de quão longe esse elenco pode chegar sem sua principal estrela.
Perspectivas: virada e sonho do bicampeonato
Com a série agora em 3–2, o Celtics ainda tem um caminho difícil pela frente, mas o cenário parece muito mais promissor do que após a derrota no jogo 4. A próxima partida (jogo 6) será na sexta-feira em Nova York, onde Boston precisa vencer novamente para forçar o jogo 7 de volta em Boston na próxima semana. Caso consiga empatar a série, o Celtics terá todo o momentum a seu favor em um potencial jogo 7 em casa, mesmo sem Tatum.
Uma virada após estar perdendo por 3–1 seria histórica – apenas 13 times conseguiram tal feito em toda a história da NBA. Vale lembrar que os Celtics são os atuais campeões da NBA, carregando uma mística vencedora e experiência de sobras em jogos decisivos. Jaylen Brown, por exemplo, foi o MVP das Finais de 2024 e agora abraça o desafio de liderar sozinho a franquia rumo a mais uma final.
Nas finais de conferência, o adversário que aguarda o vencedor é o Indiana Pacers, que surpreendeu eliminando o Cleveland Cavaliers (4–1). Em tese, caso avance, Boston teria o mando de quadra e enfrentaria um oponente menos estrelado que outros contenders do Leste, o que mantém acesas as esperanças de título. No entanto, sem Tatum, os Celtics inevitavelmente assumem a condição de azarões daqui em diante.
Analistas avaliam que o teto da equipe diminuiu sem o seu artilheiro, mas ao mesmo tempo elogiam a capacidade coletiva do elenco. “A defesa do título ainda não terminou, embora as chances de um bicampeonato provavelmente tenham ido embora com a lesão de Tatum”, escreveu o Sports Illustrated ao ponderar as perspectivas de Boston. Ou seja, o time ainda está vivo na briga, mas conquistar o campeonato sem seu jogador-franquia seria uma tarefa hercúlea.
Por outro lado, dentro do vestiário verde e branco, a confiança parece renovada. “O objetivo é liderar sendo eu mesmo”, disse Jaylen Brown, reforçando que fará o que for necessário para empurrar o time adiante. Ele e seus companheiros acreditam que, se repetirem a fórmula do jogo 5 – defesa sufocante, muita entrega e participação coletiva no ataque – podem derrubar o Knicks e avançar. A profundidade do elenco será testada jogo a jogo, mas o Celtics mostrou ter peças capazes de responder ao desafio. Jogadores como Derrick White, Jrue Holiday, Al Horford e até os reservas mais jovens sabem que precisarão manter um nível alto para suprir a falta de Tatum.
O desafio é enorme, mas a cultura vencedora da franquia e o que se viu em quadra no jogo 5 dão motivos para acreditar. Se conseguir a virada e chegar às Finais da NBA, Boston terá provado definitivamente seu valor coletivo. E em uma eventual decisão, embora sem seu go-to guy, este grupo dos Celtics teria nada a perder e muito a ganhar, motivado a honrar seu companheiro lesionado e lutar pelo título da NBA até o último segundo. Afinal, como a série contra os Knicks já ensinou, nunca subestime o coração de um campeão – mesmo ferido, o Celtics mostrou que ainda respira fogo verde nos playoffs de 2025.
Creditos foto de capa: Reuters