Cinco jogos sem saber o que é uma vitória e a maior crise na Era Rogério Ceni. Esse é o peso de uma sequência negativa de um Bahia que outrora era considerado uma dos candidatos a classificar-se novamente para competições internacionais. A derrota para o Cruzeiro, de virada, na Arena Fonte Nova, no último sábado (09), colocou ainda mais pressão no cargo do treinador e ruim para quem tem uma árdua missão no próximo meio de semana.
O time novamente não jogou bem e dessa vez contou com a adição de problemas no ataque — como se já não fosse suficiente a instabilidade na defesa. Contra a Raposa, Ceni até experimentou ideias novas, mas que, no fim das contas, não mudaram o cenário — ou até pioraram.
Vaias uníssonas na Arena Fonte Nova resumem o mau momento do Bahia

Mesmo sem um alto volume de jogo, o Bahia até conseguiu abrir o placar aos 23 minutos do primeiro tempo, com Luciano Juba, de pênalti. Entretanto, não demorou muito para as falhas na defesa acontecerem. Os espaços nas costas da zaga se ofereciam constantemente para os jogadores do Cruzeiro e, em uma dessas oportunidades, os mineiros empataram o duelo.
A responsabilidade do gol de empate sofrido recai unicamente sobre Rogério Ceni. O treinador, desnecessariamente, baixou as linhas e praticamente convidou a Raposa a se impor. Não à toa que Kauã Moraes, lateral esquerdo, apareceu livre no corredor para deixar sua marca — e ser um registro negativo defensivo para o Tricolor de Aço já que foi o sétimo jogo consecutivo que o time é vazado.
Os equívocos de Ceni continuaram no segundo tempo. Na tentativa de dar mais velocidade ao ataque, com Ademir, o time, muito pelo contrário, piorou consideravelmente. Erick Pulga retornou a ponta esquerda e perdeu o protagonismo da primeira etapa — do qual era merecido, por ter sido o melhor jogador do time no primeiro tempo.
Daí em diante, quanto mais o técnico tentava, mais o time perdia a identidade — o que deu brecha para acontecer o inevitável: a virada do Cruzeiro, Sob vaias, o time deixou o campo cabisbaixo e com a terceira derrota diante de sua torcida nos últimos cinco jogos.
Rogério Ceni não consegue extrair o melhor dos comandados

A torcida do Bahia já viu temporadas piores do que a atual — não que esta esteja sendo um primor. Mas, desde que o Tricolor de Aço aumentou seu poder de comprar, com a chegada de um investidor, o plantel ganhou uma outra cara e que hoje luta por outros objetivos — dos quais não abrigam a luta pela permanência na elite.
Ceni assumiu a equipe em 2023 e fez com que ela se tornasse competitiva e batesse de frente contra adversários, em tese, mais poderosos. O time atingiu o ápice entre 2024 e 2025 e acumulou disputas de Libertadores e colocações no G6 do Brasileirão. Só que atualmente, o combustível dos comandados parece ter acabado e agora enfrenta seu pior momento sob a gestão do comandante.
Um bom exemplo desta má fase é que os destaques de antes — Everton Ribeiro, Jean Lucas e Michel Araújo — já não rendem mais. Jogadores de mais criatividade e qualidade técnica estão sumidos e tornaram-se improdutivos. Além disso, o time sofreu com a ausência de Caio Alexandre, que vem enfrentando lesões sucessivas em 2026.
Mesmo com a baixa do camisa 8, o Esquadrão não deveria depender de uma engrenagem para jogar bem. Mas, o que chama atenção é que Ceni não consegue alternativas para substituir o meia ou sequer ver que o time não está rendendo da mesma forma.
Extrair o melhor futebol de seus homens é uma missão difícil, ainda mais com quem persiste com suas ideias até o fim. No final, o mais prejudicado não é o atleta, mas sim quem o comanda.
Rogério Ceni no Bahia
Rogério Ceni assumiu o Bahia setembro de 2023 e está no cargo há 976 dias. No total, são 187 jogos, com 98 vitórias, 33 empates e 56 derrotas. São números impressionantes para um dos treinadores mais longevos no futebol brasileiro atualmente. Porém, o momento do Bahia exige reflexão e reconhecimento dos erros.
Desde que deixou o São Paulo, em sua segunda passagem como treinador do clube, Ceni encontrou no Bahia uma chance de se mostrar como um dos nomes mais promissores da nova escola de técnicos. No entanto, essa história, que anteriormente parecia ser de amor, pode se tornar trágica com apenas um estalar de dedos. Sendo assim, invenções não são bem vindas e a prioridade é pela estabilidade.
O Bahia volta a campo na quarta-feira (13), para enfrentar o Remo, fora de casa, às 21h30 (horário de Brasília), pelo duelo de volta da 5ª fase da Copa do Brasil. Na ida, os paraense venceram por 3 a 1, em Salvador. Para levar a partida, ao menos, para a disputa de pênaltis, o Tricolor de Aço precisa vencer por dois gols de diferença.
Créditos da foto de capa: Fernando Moreno/AGIF


