Rogério Ceni Bahia
Futebol Brasileirão

Ceni elogia poder de decisão dos reservas do Bahia contra o Cruzeiro: “O banco faz a diferença”

Depois de perder de virada para o Flamengo no Rio, no último domingo o Bahia se recuperou em casa após golear o Cruzeiro na Arena Fonte Nova e rendeu elogios do técnico Rogério Ceni ao elenco. Num triunfo conquistado também virando o jogo após Gabriel Veron abrir o placar em Salvador, o Esquadrão de Aço venceu tendo um a mais e com os gols de Thaciano, Estupiñán (duas vezes) e Biel.

Nas mexidas do time, Ceni teve participação determinante na construção do resultado, que colocou o Bahia na terceira colocação e a três pontos da liderança. No começo do jogo, o treinador optou poupar Éverton Ribeiro (que entrou no segundo tempo) e promoveu De Pena pela primeira vez entre os 11 iniciais. No segundo tempo, articulou as entradas de Estupiñán e Biel, que deram números finais ao duelo contra os mineiros.

Na entrevista coletiva após o jogo, Rogério Ceni avaliou o desempenho da equipe como positivo e fez questão de reafirmar a importância dos reservas para vencer e golear o adversário da tarde de ontem. O treinador destacou a evolução do time entre as etapas e as alterações feitas no decorrer da partida na Arena Fonte Nova.

O time construiu bem. O Cruzeiro, diferente do Flamengo, marca pressão. Difícil construir bons passes. Mas quando todo mundo está descansando é mais difícil chegar ao gol adversário. No segundo tempo tiramos o Cauly e colocamos o Everton, que estava sentindo um pouco. Fiquei até com receio. E o Biel também entrou. Depois da expulsão, a gente fica com o Ademir e Estupiñán. Aí conseguimos ter mais volume. O time construiu bem no primeiro tempo, mas não teve tantas chances reais. Entre os primeiro tempo e o segundo o time foi crescendo no jogo.”

Ceni destaca resultado do Bahia e critica gramado da Fonte Nova

Além de destacar o resultado conquistado pelo Bahia com grande atuação de titulares e reservas, Rogério Ceni aproveitou a coletiva de imprensa para fazer comparações de desempenho da equipe contra Criciúma e Cruzeiro e chamou atenção para as condições do gramado da Arena Fonte Nova, o que classificou como dez vezes inferior que o do estádio do Maracanã, onde o Tricolor jogou na última quinta contra o Flamengo.

Contra o Criciúma não erramos em abrir os jogadores e colocar referência. Erramos na execução. O gramado tem que ser levado em consideração. Mas os movimentos foram o mesmo. E hoje foi o correto, a mesma situação. Tem duas maneiras de ver o futebol. Ou se adapta ao adversário a cada jogo ou repete muito aquilo que você faz e faz com que os outros se adaptem a você. Isso é uma virtude também. É possível fazer trocas, alterar sistemas, mas quando você tem confiança no trabalho é interessante fazer que o adversário se molde a você. Você vê alguns times que jogam e outros se adaptam”.

O gramado está pior a cada dia. Se ninguém cuidar, não vai valer a pena fazer o jogo construído. O gramado do Maracanã está dez vezes melhor que esse aqui. Não adianta ter uma estrutura dessa se não tiver um gramado melhor. Se não invertir em gramado não adianta”.

Tendo feito elogios individuais a jogadores como Cauly e Estupiñán, o treinador também expôs a falha defensiva da equipe no gol do Cruzeiro, onde citou ter acontecido um “efeito cascata”, e que Thaciano e Jean não podem subir ao mesmo tempo na bola. Os jogadores saíram juntos no lance que originou o gol da Raposa e deixaram Kanu na cobertura de forma solitária.

Cauly já decidiu jogos para nós nesse Brasileiro. Joga numa zona parecida com a do ano passado, mais central. Se não produz um jogo ou outro, não é fácil. Eu fui goleiro. Dar passe é a coisa mais fácil. Jogar onde joga o melhor jogador do time é muito difícil. Ele é muito visado dentro de campo. É numa zona difícil. Ali os passes são chaves. Everton Ribeiro, Caio Alexandre, são zonas difíceis. Se não teve bom hoje, vai estar bem no próximo. Ele é peça fundamental, como Everton, Oscar”.

 É um baita cara, ser humano fantástico. Para jogar um período longo pelo lado encontra dificuldade. Com 15, 20 minutos ele consegue. Naquele momento pedia um jogador de centro de área. Eu tentei arriscar mais tirando o Gilberto e colocando o Ademir. Ele é oportunista. Nem tão bom cabeceio, mas tem muito boa presença de área. Fez dois gols. Esteve na área, marcou presença. O problema que eu tenho é que tenho Biel, Ademir, Oscar, Ratão… Sempre vai ter um que vai ficar no banco e não entrar”.

— afirmou sobre Cauly e Estupiñán.

O lance que ocasionou o gol saímos com Jean e Thaciano ao mesmo tempo. O Kanu vai fazer a cobertura e deixa um buraco. Um salto a mais de um jogador, efeito cascata. E teve uma segunda chance na falta [do Cruzeiro], que saiu cara a cara com Veron. Acho que foram as duas chances deles. De resto acho que o time marcou bem. Nesse salto com Thaciano e Jean Lucas juntos não podemos. É onde o Kanu sai”.

Figurando no G-4 do Brasileiro, o Bahia volta a campo na próxima quarta-feira, recebendo o Vasco na Arena Fonte Nova, às 21h30 (de Brasília). Com 21 pontos em 11 jogos disputados, a equipe está a três pontos do líder Flamengo, que tem 24.

Bahia e Cruzeiro, BR 2024
O meia Thaciano comemora o gol de empate do Bahia contra o Cruzeiro, pela 11ª rodada do Brasileirão 2024 — Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia