A qualidade ofensiva dos defensores está crescendo no futebol moderno, sendo notável nos jogos de volta das quartas de final da Champions League
As quartas de final da Champions League trouxeram à tona uma curiosidade: os zagueiros estão atacando melhor do que devem. Os jogos desta fase foram marcados por serem abertos e disputados em ritmos emocionantes, graças a erros dispersos e a chutes fatais. Esta frase simboliza uma metamorfose da função no futebol europeu.
Esta evolução da posição afeta grande parte do futebol do continente, porém, a Itália é o país que mais sofre. Ao contrário de outras nações, o país não conseguiu desenvolver a melhor solução para resolver a questão: melhorar a qualidade do jogo ofensivo, tanto coletivo quanto individual, de cada jogador.
Por que está acontecendo esta mudança?
Esta nova imposição do futebol moderno gera dúvidas entre os amantes do esporte tático. Muitos questionam se representaria a qualidade individual dos jogadores ou as escolhas dos treinadores.
De acordo com o ex-jogador Massimo Paganin, a resposta se encaixa melhor na segunda opção. “Antigamente, trabalhávamos a marcação e as táticas individuais apenas na fase defensiva; hoje, também nos concentramos na construção de jogo e na movimentação durante a posse de bola”.
Paganin também comenta a evolução das qualidades técnicas dos jogadores, ressaltando o gasto de energia para chegar a este desenvolvimento, envolvendo tanto a parte física quanto a parte mental. “Antigamente, era impensável ver defensores além da linha do meio-campo na construção de jogo; hoje, é muito comum. E assim, em um jogo muito rápido e contra atacantes/pontas/meias-atacantes de alto nível, quase sempre em situações de um contra um, a clareza para ler corretamente todas as situações pode faltar”, explicou o ex-atleta.
Os exemplos claros nos jogos entre Bayern de Munique e Real Madrid
Possivelmente o melhor mata-mata das quartas de final da Champions League traz dois exemplos da metamorfose dos zagueiros atuais.
O primeiro lance teve como protagonista Alexander-Arnold, lateral conhecido pela qualidade ofensiva. Na partida de ida, esta característica do jogador apareceu ao realizar o cruzamento para Mbappé marcar o único gol madrileño no jogo. Em contrapartida, a dificuldade defensiva também foi notada. Ele constantemente foi desarmado por Luis Díaz, assim como por Harry Kane, no jogo de volta da Champions League.
O outro exemplo ocorreu com Upamecano. Na Alemanha, o zagueiro francês serviu equivocadamente para Kane e depois acompanhou as investidas de Mbappé ao ataque. Algo parecido com esta última jogada aconteceu no jogo da ida da Champions League. Em uma sensacional jogada do atacante francês, realizada após passe de Alexander Arnold.
Segundo Paganin, os erros também causam danos psicológicos. “Quando erros como esse são cometidos, também há repercussões psicológicas. Um zagueiro que é superado em velocidade ou surpreendido por trás precisa ter a força para esquecer aquela jogada e se concentrar na próxima”.
O ex-jogador ainda fala que demorará anos para a evolução definitiva deste processo. “Mas não é tão fácil quanto parece. A jornada, no entanto, está apenas começando: levará anos para completar esse processo e otimizar a contribuição dos zagueiros no ataque sem perder completamente seu valor defensivo”.
O sistema defensivo diferente na Champions League
Contudo, há um exemplo mais diferente desta metamorfose do futebol moderno. O sistema defensivo do Atlético de Madrid de Diego Simeone é uma mescla entre qualidade defensiva e ofensiva.
O gol na derrota por 2 x 1 para o Barcelona no jogo de volta da Champions League é um exemplo. O lance surgiu em um arremesso lateral pela esquerda, seguido por oito passes com sete jogadores diferentes, tendo a presença de Lookman no início e final da jogada. O atacante nigeriano recebeu o passe e finalizou na área do Barcelona.
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