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Champions para sempre: A cruel grandeza merengue no maior Derbi Madrileño de todos os tempos

É comum entre torcedores brasileiros torcer pelas “zebras” no futebol, principalmente na Champions League. A luta dos times menores cria empatia, enquanto o favoritismo muitas vezes afasta a torcida dos gigantes. No entanto, a partir da década de 2010, isso começou a mudar. Uma legião de brasileiros passou a acompanhar de perto os campeonatos europeus — e, em vez de apoiar os mais fracos, passou a torcer justamente pelos maiores vencedores.

Clubes como Barcelona, Juventus, Chelsea, Manchester City e, principalmente, o Real Madrid passaram a ter milhares de seguidores no Brasil. O fator que mais pesou nessa nova dinâmica foi a busca por um futebol mais “bonito”, mais técnico, que encantasse e entretivesse.

E foi nesse cenário que surgiu uma geração apaixonada pelo Real Madrid de Cristiano Ronaldo, um time que não só dominou a Espanha, mas também fez história na Champions League.

A era Cristiano Ronaldo no Real Madrid

Cristiano Ronaldo chegou ao Real Madrid em 2009, já consagrado após sua passagem pelo Manchester United. O primeiro grande título na Espanha veio em 2011/12 com a conquista da La Liga sob o comando de José Mourinho. Na Champions, porém, as campanhas batiam na trave: semifinais em 2012 (eliminação para o Bayern) e 2013 (queda diante do Borussia Dortmund).

Em 2013, o clube iniciou uma nova fase com Carlo Ancelotti no comando. Saíram Kaká, Higuaín e Ozil. Chegaram Gareth Bale, Casemiro e Carvajal. O objetivo era claro: vencer a Champions após 12 anos.

O Real Madrid caiu em um grupo acessível com Galatasaray, Juventus e Copenhagen, e classificou-se com 5 vitórias, 1 empate, 20 gols marcados e apenas 5 sofridos. Cristiano Ronaldo estava em sua melhor fase.

Nas oitavas, atropelaram o Schalke 04 com um agregado de 9 a 2. Nas quartas, eliminaram o Borussia Dortmund e, nas semifinais, enfrentaram o poderoso Bayern de Munique. O que se esperava ser um duelo equilibrado terminou com um sonoro 5 a 0 no placar agregado.

O Real Madrid estava na final da Champions, em busca da sonhada “La Décima”.

Atlético de Madrid: os “underdogs” de Simeone

Do outro lado do clássico madrilenho estava o Atlético de Madrid. Campeão da La Liga, o time de Diego Simeone era competitivo, vibrante e eficiente — ainda que sem grandes estrelas.

Na Champions League, passaram com tranquilidade por um grupo com Zenit, Porto e Austria Wien. Nas oitavas, eliminaram o Milan com facilidade. Depois, passaram pelo Barcelona com um jogo sólido no Vicente Calderón. Nas semifinais, eliminaram o Chelsea com uma grande atuação em Stamford Bridge.

Depois de 40 anos, o Atlético voltava a uma final de Champions.

A final da Champions League 2013/14: o maior dérbi madrilenho da história

No Estádio da Luz, em Lisboa, 60.976 torcedores presenciaram mais do que uma final: viram um clássico. O Atlético entrou como azarão, mas também como time invicto e campeão espanhol.

O Real Madrid tinha desfalques importantes: Xabi Alonso suspenso. Do lado do Atleti, Diego Costa jogou lesionado — após um tratamento polêmico com placenta de égua — e precisou ser substituído ainda no primeiro tempo.

O Atlético abriu o placar com Godín após falha de Casillas. A equipe de Simeone se defendia com intensidade, enquanto o Real tentava, sem sucesso, furar o bloqueio.

Quando tudo parecia definido, aos 93 minutos, Sergio Ramos subiu para empatar após escanteio de Modric. O gol representava mais que o empate — era o peso da camisa na Champions.

O Real Madrid tomou conta da prorrogação. Bale virou com um gol de cabeça. Marcelo, em chute rasteiro, ampliou. E Cristiano Ronaldo fechou a conta com um pênalti nos minutos finais: 4 a 1 no placar.

Um resultado que não refletiu o equilíbrio da partida, mas que entrou para a história como a conquista da La Décima — o décimo título europeu dos merengues.

O impacto e o legado na Champions

O Real Madrid voltaria a vencer a Champions outras vezes nos anos seguintes, mas o título de 2014 teve um gosto especial. Foi o ponto de virada que consolidou o time como maior campeão da Europa na era moderna.

Mesmo que muitos torcedores ao redor do mundo torçam contra os gigantes, a verdade é que a grandeza do Real Madrid é parte do que faz a Champions League ser tão especial.

É normal torcer pelo azarão. É compreensível apoiar os “menos cotados”. Mas o que o Real Madrid representa na Champions é inegável: excelência, tradição e a constante presença no topo.

(Foto: Reuters)