Os jovens roubaram a cena na UEFA Champions League 2025/26 nesta semana. A terceira rodada da fase de grupos ficou marcada por um feito inédito: seis adolescentes marcaram gols, o maior número em uma única rodada da história da competição. Entre eles, Lamine Yamal, do Barcelona, e Myles Lewis‑Skelly, do Arsenal, nomes já consolidados no radar europeu. No entanto, segundo a reportagem da BBC Sport, o destaque recaiu sobre uma nova geração de talentos emergentes que começaram a escrever seus nomes entre as estrelas do continente.
Domínio azul em Stamford Bridge
Este artigo poderia ser composto inteiramente por jogadores do Chelsea, tamanha foi a influência dos jovens na goleada por 5 a 1 sobre o Ajax, na última quarta-feira (22), no estádio de Stamford Bridge. Os Blues utilizaram dez atletas com 21 anos ou menos e se tornaram o primeiro time na história da Champions League a ter três artilheiros adolescentes em uma mesma partida.
O primeiro a balançar as redes para o Chelsea foi Marc Guiu, de 19 anos. O espanhol, conhecido por sua força física e velocidade, marcou o gol que abriu o placar e se tornou, por alguns instantes, o mais jovem artilheiro do clube na UEFA Champions League. O recorde, porém, durou pouco: 33 minutos depois, o brasileiro Estêvão converteu um pênalti e assumiu o posto.
O meia-atacante de apenas 17 anos e nove partidas pela Seleção Brasileira principal foi descrito por Wayne Rooney como um “talento especial”, após decidir o clássico contra o Liverpool no início do mês. Seu companheiro de equipe, o zagueiro Jorrel Hato, também titular diante do Ajax, afirmou que Lamine Yamal é o único jogador comparável ao brasileiro em termos de potencial.
O festival de juventude dos Blues pela terceira rodada da Champions teve continuidade com Tyrique George, autor do quinto gol. O atacante inglês de 19 anos já havia se destacado na temporada passada, participando ativamente da conquista da Conference League, com mais de 750 minutos em campo.
Outro destaque foi Reggie Walsh, meio-campista técnico e recuado, que completou 17 anos na segunda-feira e se tornou o jogador mais jovem da história do Chelsea a atuar na Champions League. Já Jamie Gittens, de 21 anos, estabeleceu outro marco ao se tornar o mais jovem jogador dos Blues a criar cinco ou mais chances em uma partida, superando o recorde anterior de Eden Hazard.
Um islandês em ascensão na Champions League
Em Copenhague, o jovem Viktor Dadason, de apenas 17 anos e 113 dias, entrou para a história ao se tornar o terceiro jogador mais jovem a marcar na era moderna da Champions League. Seu gol de cabeça, aos 90 minutos da derrota por 4 a 2 para o Borussia Dortmund, foi o primeiro de sua carreira profissional. O atacante islandês havia estreado na Superliga Dinamarquesa poucos dias antes e já é visto como um centroavante promissor, com presença física e excelente impulsão aérea.
A nova joia do Bayern de Munique
Na Alemanha, Lennart Karl fez sua estreia de maneira fulminante com a camisa do Bayern de Munique, justamente na Champions League. O meia-atacante de 17 anos precisou de apenas cinco minutos para abrir o placar na vitória por 4 a 0 sobre o Club Brugge, ao driblar dois defensores e finalizar com categoria de pé esquerdo no ângulo.
Karl, que costuma atuar como camisa 10, tem um histórico impressionante nas seleções de base: 27 gols e 11 assistências em apenas 18 partidas pela equipe sub-17 da Alemanha na temporada passada.
La Masia segue produzindo talentos
O Barcelona também teve motivos para comemorar. O jovem Dro Fernández, de 17 anos, formado na lendária academia La Masia, deu uma assistência na goleada por 6 a 1 sobre o Olympiacos na Champions League. Foi sua primeira contribuição em competições europeias após estrear profissionalmente no mês passado, durante a turnê do clube no Japão.
No entanto, Fernández mostrou maturidade e visão de jogo ao girar sobre a marcação e encontrar Fermín López com um passe preciso. Seu estilo elegante e controle em espaços curtos renderam comparações com Andrés Iniesta e Thiago Alcântara, segundo seus treinadores da base.
Roony Bardghji: da Escandinávia à Catalunha
Por fim, outro nome que brilhou na terceira rodada da Champions League foi Roony Bardghji, de 19 anos, contratado pelo Barcelona após passagem marcante pelo Copenhague. O ponta, nascido no Kuwait, filho de pais sírios e naturalizado sueco, deu uma assistência para Fermín López completar seu hat-trick na rodada.
Conhecido por sua velocidade e agilidade, Bardghji chamou atenção ao aplicar uma “elástica” sobre o zagueiro adversário antes de cruzar para o gol. Sem Raphinha, Ferran Torres e Robert Lewandowski, o jovem tem aproveitado as oportunidades dadas pelo técnico Hansi Flick e já é comparado a Mohamed Salah por seu estilo de jogo.
O atacante já havia marcado um gol histórico na temporada passada, ao garantir a vitória do Copenhague sobre o Manchester United, resultado que levou os dinamarqueses às oitavas de final e eliminou os Red Devils.

Os jovens que podem brilhar na reta final da UEFA Champions League
A terceira rodada da Champions League 2025/26 confirmou uma tendência: a nova geração está pronta para desafiar o protagonismo das estrelas consolidadas do futebol europeu. Com seis adolescentes balançando as redes em uma única rodada — um recorde na história da competição — nomes como Estêvão, Lamine Yamal, Lennart Karl e Roony Bardghji despontam como apostas reais para seguir em destaque ao longo da temporada. Mas quais desses jovens têm mais chances de continuar brilhando nas próximas fases do torneio?
Estêvão (Chelsea) – O talento que já parece pronto
Entre os novos rostos, Estêvão é, sem dúvida, o que mais se aproxima de uma estrela pronta. Aos 17 anos, o brasileiro já demonstra maturidade tática e personalidade incomum para a idade. Com nove partidas pela Seleção Brasileira principal e status de titular em ascensão no Chelsea, o ex-jogador do Palmeiras se tornou peça-chave no sistema ofensivo de Enzo Maresca.
Descrito por Wayne Rooney como um “talento especial”, Estêvão combina explosão e tomada de decisão — qualidades raras em jogadores tão jovens. A confiança do treinador e o estilo ofensivo dos Blues fazem dele um forte candidato a ser um dos nomes desta edição da Champions.

Lamine Yamal (Barcelona) – O rosto da nova era catalã
Ídolo em formação, Lamine Yamal, de 18 anos, já é tratado como o sucessor natural de Messi na Catalunha. O atacante vem se consolidando como protagonista em um Barcelona que aposta em jovens talentos sob o comando de Hansi Flick. Na Champions, Yamal tem se mostrado decisivo, sendo uma das principais armas de desequilíbrio do Barça — capaz de furar defesas compactas com dribles curtos e passes verticais.
Com o clube atravessando um processo de reconstrução e convivendo com lesões de peças experientes como Raphinha e Lewandowski, o jovem tem liberdade e confiança para assumir responsabilidades.

Lennart Karl (Bayern de Munique) – O novo motor bávaro
A estreia de Lennart Karl, de 17 anos, com gol e grande atuação na vitória sobre o Club Brugge, mostrou que o Bayern continua sendo uma máquina de formação de talentos. O meia-atacante alemão é dinâmico, técnico e tem instinto goleador — qualidades que o aproximam de nomes como Thomas Müller e Jamal Musiala em seus primeiros anos.
Com um elenco equilibrado e um técnico que valoriza a rotação, Karl pode ser decisivo especialmente nas fasse de pontos corridos e oitavas de final da Champions League, quando o Bayern costuma administrar minutos entre jovens e veteranos.

Roony Bardghji (Barcelona) – O reforço imprevisível
Recém-chegado do Copenhague, Roony Bardghji, de 19 anos, vem surpreendendo pela rápida adaptação ao estilo de jogo do Barcelona. Com dribles curtos e movimentação intensa, o sueco se destacou com assistência para Fermín López na goleada sobre o Olympiacos, e começa a ganhar espaço diante das ausências no setor ofensivo.
Seu histórico de desempenho em jogos grandes — como o gol contra o Manchester United na Champions de 2023/24 — reforça a ideia de que Bardghji pode ser uma peça importante na rotação de Hansi Flick.

Marc Guiu e Tyrique George (Chelsea) – Promessas que aguardam espaço
Os dois jovens atacantes do Chelsea, Marc Guiu e Tyrique George, foram protagonistas na goleada sobre o Ajax, mas ainda vivem situações distintas no elenco. O espanhol, de 19 anos, tem sido utilizado como opção imediata no ataque e mostrou instinto matador. Já George, também de 19, é cotado para ganhar minutos em jogos de menor pressão, com confiança da comissão técnica após boa temporada anterior.
Ambos simbolizam a profundidade de um Chelsea rejuvenescido, mas dependem de oportunidades para se firmar em uma equipe que briga em várias frentes.

Dro Fernández (Barcelona) – O herdeiro de Iniesta em gestação
O meio-campista Dro Fernández, de 17 anos, é outro produto da La Masia que desperta curiosidade. Sua estreia com assistência contra o Olympiacos na Champions revelou uma combinação rara de técnica e visão de jogo. Embora ainda seja uma peça de apoio no elenco, o jovem espanhol é visto internamente como sucessor natural de Pedri e Gavi.

Viktor Dadason (Copenhague) – O diamante nórdico
Aos 17 anos, o islandês Viktor Dadason chamou atenção com seu primeiro gol na Champions. Apesar do Copenhague ter poucas chances de avançar na competição, o atacante mostrou presença de área e maturidade notável. Seu desenvolvimento pode ser mais visível em futuras temporadas, mas o impacto inicial foi promissor.

Juventude que dita o futuro
A UEFA Champions League 2025/26 está se transformando em um palco de afirmação para a nova geração. Enquanto Lamine Yamal e Estêvão já despontam como protagonistas em clubes de elite, nomes como Lennart Karl e Roony Bardghji começam a trilhar o mesmo caminho.
Se o presente ainda pertence a Harry Kane, Kylian Mbappé, Vinícius Júnior e Erling Haaland, o futuro parece ter novos donos — e eles estão cada vez mais próximos de assumir o comando da Europa.
(Foto: Getty Images)