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Chelsea de cara nova: veja como time jogará com Rosenior

Após a saída de Enzo Maresca do comando técnico do Chelsea, o inglês Liam Rosenior torna-se o quinto treinador efetivo dos Blues em apenas cinco anos. A grande questão agora é: o que o novo técnico pode acrescentar em Stamford Bridge? O ex-comandante do Strasbourg deixou claro que deseja um time capaz de fazer os torcedores “se levantarem dos assentos nos primeiros 10 minutos” de cada jogo. No entanto, implementar essa ideia em uma equipe que não vence há cinco partidas é um desafio considerável para o clube do oeste de Londres, que tenta reagir na tabela da Premier League.

Com base em seu trabalho à frente de Hull City e Strasbourg, já é possível entender bem como Rosenior gosta de estruturar suas equipes, priorizando a neutralização de superioridades numéricas dos adversários na última linha defensiva. Quando os rivais atacam com cinco jogadores — dois pontas, dois meias ofensivos e um centroavante —, suas equipes costumam responder com uma linha de cinco defensores próxima à própria área. No Chelsea, isso pode resultar em um sistema com três zagueiros centrais e dois alas.

Em determinados contextos, Rosenior também constrói essa linha de cinco pedindo a um dos pontas que recue e atue ao lado dos quatro defensores. Em Stamford Bridge, um jogador como Pedro Neto pode ser escolhido para essa função, considerando sua entrega defensiva. Essa última linha no Chelsea é protegida por dois meio-campistas centrais, enquanto três atacantes se posicionam pelos lados, bloqueando a progressão adversária pelo corredor central. Em fases mais avançadas do campo, o Strasbourg costumava manter esse 5-2-3, intensificando a pressão no momento da recuperação da bola.

Há situações em que, partindo de uma postura defensiva mais alta, a equipe inicia a pressão em um 4-4-2. Isso geralmente acontece quando o adversário constrói com uma linha de quatro defensores, e não com três. Pressionar em um 4-4-2 contra uma defesa em linha de quatro reduz as distâncias que os jogadores de lado precisam percorrer para pressionar os laterais rivais, tornando a ação mais eficiente.

Com a bola, a proposta de Rosenior talvez seja o aspecto mais fascinante de sua filosofia. Independentemente do número de defensores naturais em campo, sua equipe se organiza em um 3-2-2-3. Esse desenho lembra bastante o modelo utilizado por Enzo Maresca no Chelsea, que também recorria ao 3-2-2-3 e, em alguns momentos, transformava-o em um 3-1-6 mais agressivo. O fato de Rosenior adotar princípios semelhantes pode facilitar a adaptação do elenco, algo que a diretoria certamente enxerga como positivo.

A principal diferença entre a versão de Rosenior e a de Maresca no comando do Chelsea nesse sistema está no duplo pivô à frente da linha de três zagueiros. O italiano costumava inverter um lateral para atuar ao lado do equatoriano Moisés Caicedo, formando o meio-campo. Já o ex-zagueiro inglês prefere dois meio-campistas de origem atuando centralizados. Ao reduzir as trocas constantes de função, essa abordagem tende a ser mais segura, diminuindo o risco de exposição do setor.

Cabe ao novo treinador decidir quem melhor se encaixa ao lado de Caicedo. O capitão Reece James, lateral-direito do Chelsea, pode ser avaliado para essa função sob o comando de Rosenior. Além disso, após ter trabalhado com Andrey Santos no Strasbourg, o técnico conhece bem o potencial do brasileiro e sabe como extrair o melhor de seu jogo, tornando-o um forte candidato. Enzo Fernández surge como outra opção natural, embora sua capacidade ofensiva possa levar o novo treinador dos Blues a utilizá-lo em zonas mais avançadas.

Foto: Getty Images

Como Rosenior pode variar o uso das linhas e do goleiro no Chelsea

As duas posições de meio-campo ofensivo e as duas posições pelos lados do ataque oferecem ampla margem para experimentação. Essas quatro vagas costumam ser ocupadas por diferentes combinações de pontas, laterais ou alas, dependendo do adversário e do plano de jogo.

Se os laterais do Chelsea demonstrarem qualidade para atuar por dentro, Rosenior tende a conceder liberdade para que se posicionem atrás do centroavante — algo semelhante ao que Maresca fez em determinados momentos com Marc Cucurella e Malo Gusto. Esse cenário funciona melhor quando há pontas habilidosos no drible, responsáveis por manter a largura do campo. Por outro lado, se os jogadores ofensivos preferirem circular pelo meio, como Cole Palmer ou Estêvão Willian, faz mais sentido escalar zagueiros laterais que se sintam confortáveis atuando próximos à linha lateral.

Rosenior também já utilizou um lateral e um atacante ocupando os corredores centrais ofensivos, enquanto o outro lateral e o outro atacante permaneciam abertos. No Chelsea, isso poderia significar Cucurella e Palmer atuando atrás do centroavante, com Garnacho e Gusto bem abertos pelos flancos. As funções tradicionais de zagueiro, ponta ou atacante tornam-se mais fluidas dentro desse modelo.

Na saída de bola e nos tiros de meta, o goleiro desempenha papel fundamental. No Strasbourg, Mike Penders participou ativamente da construção sob o comando de Rosenior, algo que Robert Sánchez precisará executar com segurança. A equipe francesa frequentemente se organizava em um 5-2-4 nas reposições de bola, considerando o goleiro como parte da primeira linha, priorizando passes curtos e arriscados. A intenção é atrair a pressão adversária e, assim, criar espaços para atacar mais à frente.

Quando esses espaços surgem, a expectativa é que o Chelsea acelere as ações com quatro ou cinco jogadores pelo centro, utilizando poucos toques, tabelas rápidas e infiltrações constantes. Os atletas que atuam pelos lados buscam atacar as costas da defesa, enquanto os meio-campistas tentam acioná-los com passes verticais.

Apesar disso, erros defensivos que resultam em gols têm sido recorrentes. O Strasbourg figura entre as equipes com mais falhas que culminam em gols na Ligue 1 nesta temporada. Com jogadores de maior nível técnico no Chelsea, a tendência é reduzir esses equívocos, embora a pressão exercida na Premier League seja consideravelmente mais intensa do que qualquer cenário enfrentado por Rosenior até aqui.

Alguns adversários optaram por não pressionar alto as equipes de Rosenior. Diante de blocos médios ou baixos, o Strasbourg trocava muitos passes laterais na defesa, buscando inverter rapidamente o jogo antes que o oponente conseguisse se reorganizar. A partir daí, os zagueiros laterais tentavam passes diretos para os meias ofensivos em zonas perigosas.

Contra defesas compactas, a posse de bola era mantida, mas a equipe encontrava dificuldades para romper o bloqueio adversário. O 3-2-2-3 oferecia boa proteção defensiva em caso de perda da posse, mantendo cinco jogadores atrás da linha da bola, mas limitava o número de atletas disponíveis para atacar.

Em certos momentos, Rosenior adiantava um dos meio-campistas para formar um 3-1-6, porém com muito menos frequência do que Maresca costumava utilizar esse recurso. Essas situações representam algumas das principais incógnitas para o novo treinador do Chelsea.

Foto: Getty Images

Alto potencial, mas pressão máxima para Rosenior no comando do Chelsea

Fica claro que Rosenior é um treinador jovem, promissor e com ideias bem definidas, mas é natural que surjam questionamentos sobre a adaptação de seu modelo à Premier League. A qualidade do passe de Robert Sánchez será colocada à prova, e será interessante observar se o técnico manterá suas convicções táticas mesmo diante de eventuais erros no Chelsea.

A Premier League é composta por equipes e treinadores altamente preparados para identificar e explorar fragilidades rapidamente. Não seria surpreendente ver adversários recuando contra o Chelsea de Rosenior, desafiando a equipe a encontrar soluções para furar defesas fechadas.

Como ocorre com qualquer novo comandante, tempo e paciência são fundamentais. Porém, em um ambiente de pressão extrema, esses fatores só são sustentáveis com resultados imediatos. O duelo de amanhã contra o Charlton, em jogo único pela terceira fase da Copa da Inglaterra, representa a primeira oportunidade de Rosenior conquistar confiança e boa vontade no comando dos Blues.

(Foto: Getty Images)