O Chelsea vive um dos mercados mais intensos e movimentados de toda a Europa. A sensação é de que em Londres tudo acontece ao mesmo tempo: chegam nomes de peso, jovens promissores ganham espaço, o time de Enzo Maresca já mostra evolução em campo e, ao mesmo tempo, a diretoria corre contra o relógio para dar saída a quase uma dúzia de jogadores. A matemática pode fechar de forma impressionante: cerca de 400 milhões de euros em vendas até o fim da janela.
E não se trata apenas de um Chelsea gastador – imagem que ficou colada ao clube nos últimos anos –, mas de uma diretoria que soube vender bem. Jogadores que chegaram por valores relativamente baixos foram negociados por cifras muito maiores, garantindo uma bela margem de lucro.
Negociações inteligentes e grana entrando
Um dos exemplos mais claros é o de Renato Veiga. O português chegou a Londres por menos de 15 milhões de euros e agora já foi vendido ao Villarreal por quase 30 milhões. Além disso, os Blues mantiveram uma boa porcentagem sobre uma futura venda, o que pode render ainda mais no futuro.
Outro caso é o de Noni Madueke. Contratado por 35 milhões, o atacante inglês foi repassado ao Arsenal por quase 60 milhões. Ou seja, além de equilibrar as contas, o Chelsea conseguiu inflar a concorrência interna da Premier League e ainda encheu os cofres.
As operações com o Borussia Dortmund também ajudaram na conta: Carney Chukwuemeka foi vendido por 20 milhões, enquanto o jovem Aarón Anselmino foi emprestado sem opção de compra. No caso do argentino, a diretoria acredita no potencial e prefere segurá-lo para o futuro, sem abrir mão de um possível retorno.
Somando tudo, o Chelsea já garantiu mais de 270 milhões de euros em vendas só neste verão europeu, e a tendência é que essa cifra suba ainda mais nos próximos dias.
Quem chegou para mudar o jogo
Se por um lado a lista de saídas é extensa, as chegadas também enchem os olhos. João Pedro, destaque no Mundial de Clubes pelo Chelsea, vem sendo tratado como o novo dono da camisa 9, aproveitando o início avassalador com os Blues. Andrey Santos, Liam Delap, Estevão e Jorrel Hato também já estão integrados ao elenco de Maresca e ganham minutos importantes.
E ainda tem o que está por vir. O clube segue ativo no mercado e sonha com nomes como Xavi Simons e Garnacho, que seriam contratações de impacto imediato. Caso essas negociações avancem, a sensação é de que o Chelsea pode, sim, brigar por títulos grandes já nesta temporada.
O lado complicado: peças encalhadas no Chelsea
Nem tudo, porém, é festa em Stamford Bridge. A direção esportiva, comandada por Paul Winstanley e Laurence Stewart, ainda precisa resolver o chamado “sudoku do mercado”: jogadores que estão fora dos planos, mas continuam sem destino definido.
Nico Jackson, Christopher Nkunku, Axel Disasi, Ben Chilwell e Raheem Sterling estão na lista dos negociáveis. O problema é que, entre preço e salário, ninguém quer assumir facilmente essas bombas.
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Nico Jackson tem mercado. Clubes da Premier como Nottingham Forest, Newcastle e Aston Villa já mostraram interesse, assim como italianos de peso (Nápoles, Milan e Juventus). A negociação, no entanto, trava porque o Chelsea espera uma proposta alta, o que espanta alguns desses times.
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Nkunku, por sua vez, vê com bons olhos um retorno à Alemanha. O Bayern até tentou uma proposta de empréstimo com opção de compra, mas não agradou aos londrinos. Além disso, o salário do francês é o quarto mais alto do elenco, atrás apenas de Sterling, Reece James e Fofana. A pressão para se desfazer dele é grande.
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Uma possibilidade seria incluí-lo na negociação por Xavi Simons, mas o Leipzig não abre mão dos 70 milhões de euros.
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Já Sterling e Disasi seguem em situação parecida: fora dos planos, mas com salários altos e sem interessados dispostos a pagar o que o Chelsea pede.
Um agosto de decisões
Com a janela chegando ao fim, o Chelsea entra na reta final de ajustes. O saldo até aqui é positivo: bons reforços, vendas milionárias e um elenco mais competitivo para Maresca. Porém, as próximas semanas definirão se o clube vai conseguir realmente atingir aquela marca mágica dos 400 milhões em vendas e, mais importante, se conseguirá se livrar das peças que não fazem mais parte do projeto.
Se der certo, será um mercado digno de matrícula de honra – como já definem os jornais britânicos. Mas se parte desse sudoku ficar sem solução, pode sobrar dor de cabeça para a diretoria e até mesmo para o treinador, que terá de lidar com jogadores insatisfeitos no elenco.
De qualquer forma, a mensagem que o Chelsea passa neste verão é clara: o clube sabe gastar, mas também aprendeu a vender.