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Futebol Premier League

Cartões vermelhos e crise em casa: Chelsea “queima pontos” na Premier League

O momento do Chelsea na Premier League é marcado por um padrão preocupante: indisciplina, lapsos defensivos e incapacidade de sustentar vantagens dentro de casa. Após o empate por 1 a 1 contra o Burnley, com gol sofrido aos 93 minutos, os Blues alcançaram uma estatística indigesta — são os líderes em pontos desperdiçados em casa, com 17 deixados pelo caminho nesta temporada.

O novo técnico, Liam Rosenior, herdou problemas estruturais que já vinham da era de Enzo Maresca. A diferença é que, agora, a paciência começa a se esgotar.

Indisciplina como marca registrada

O empate recente teve roteiro repetido. Após abrir o placar com João Pedro, o Chelsea viu a partida escapar depois da expulsão de Wesley Fofana aos 72 minutos. Com um homem a menos, a equipe perdeu organização e sofreu o empate nos acréscimos.

O dado é alarmante: o Chelsea soma seis cartões vermelhos na liga — o maior número da temporada. Já igualou sua pior marca em uma única edição da Premier League (2007-08), mas ainda restam 11 rodadas a disputar.

Os números não param por aí. O clube ocupa a última posição na tabela de Fair Play, com 86 pontos negativos e 60 cartões amarelos acumulados. A indisciplina tem sido determinante em derrotas para Manchester United, Brighton e Fulham, além de ter complicado outros resultados.

Rosenior, porém, evita atribuir tudo à juventude do elenco — o mais jovem da competição e sem nenhum jogador acima de 28 anos escalado nesta temporada. Para ele, o problema é mais profundo.

“Juventude é uma coisa, responsabilidade é outra”, afirmou o treinador. “Precisamos identificar os jogadores em quem podemos confiar nos momentos difíceis.”

Pontos que evaporam em no Chelsea

O cenário em Stamford Bridge tornou-se símbolo da frustração. Além dos 17 pontos desperdiçados em casa após sair na frente, o Chelsea já perdeu 19 pontos no total em jogos que vencia — o segundo pior índice da liga.

O empate anterior, 2 a 2 contra o Leeds, levou Rosenior a desabafar que o time “colocou fogo em quatro pontos”. A frase resume bem a sensação de desperdício recorrente.

Contra o Burnley, o empate nasceu de falhas defensivas claras. O gol de Zian Flemming surgiu após erro de marcação dentro da área. Poucos minutos depois, Jacob Bruun Larsen quase repetiu a dose em lance semelhante. Segundo o técnico, houve falha na atribuição individual da marcação — um problema básico para equipes que aspiram competir no topo.

Bola parada: vulnerabilidade crônica

Outro ponto crítico está nas jogadas de bola parada. O Chelsea já concedeu 13,54 gols esperados (xG) em lances desse tipo, resultando em 11 gols sofridos — o pior desempenho da liga nesse fundamento.

Na Premier League moderna, onde especialistas como Ward-Prowse transformam faltas e escanteios em armas decisivas, negligenciar esse aspecto custa caro. Rosenior reconheceu que o rendimento defensivo em bolas paradas está muito abaixo do nível necessário para brigar por objetivos maiores.

Liderança em teste

Questionado sobre a existência de líderes suficientes no elenco, Rosenior respondeu afirmativamente, mas deixou implícita a necessidade de evolução comportamental. Times campeões vencem por 1 a 0 mesmo sem brilho. Sabem fechar partidas. Sabem sofrer.

O Chelsea, ao contrário, parece emocionalmente instável quando pressionado. Mesmo com dez jogadores por 25 minutos, o técnico acredita que o 1 a 0 deveria ter sido mantido contra o Burnley.

As vaias ao apito final reforçaram o clima tenso. Protestos contra a diretoria, antes pontuais, começam a ganhar força. O período inicial de calma após a troca de treinador dá sinais de esgotamento.

Calendário implacável

O momento delicado se agrava com a sequência de jogos que se aproxima. Confrontos contra Arsenal, Aston Villa e Newcastle prometem testar ainda mais a solidez mental e tática da equipe.

Rosenior soma 11 partidas no comando e ainda tenta moldar o grupo à sua filosofia. Ele ressalta que, desde sua chegada, o comportamento disciplinar melhorou — e lembra que a maioria das expulsões ocorreu antes de assumir.

Ainda assim, os números atuais falam alto. Se quiser transformar potencial em competitividade real, o Chelsea precisará controlar impulsos, corrigir falhas defensivas e aprender a administrar vantagens.

Caso contrário, continuará queimando pontos — e talvez também a paciência de sua torcida.