Há 10 anos, o Chelsea terminou a Premier League em 10º lugar e, de forma surpreendente, conquistou o título inglês já na temporada seguinte, sob o comando de um treinador recém-chegado, Antonio Conte. Agora, a história pode voltar a se repetir, já que o clube voltou a terminar em 10º lugar na temporada passada, novamente sem vaga em competições europeias, e também entra no novo ano com um técnico estreante em Stamford Bridge, o Xabi Alonso.
A grande questão que cerca o Chelsea é se os Blues conseguem repetir um feito tão difícil na história da Premier League. Curiosamente, os números do Chelsea na temporada 2025/2026 são quase idênticos aos daquela campanha de 2015/2016, quando o time foi comandado interinamente por Guus Hiddink após a saída conturbada de José Mourinho. O saldo de gols ficou igual nas duas ocasiões, e o clube somou apenas dois pontos a mais na temporada mais recente.
Um cenário parecido para o Chelsea
Vale lembrar o contexto daquela reviravolta entre temporadas. Em 2016/2017, o Chelsea começou o campeonato com uma linha de quatro defensores, mas uma derrota por 3 a 0 para o Arsenal, ainda na sexta rodada, fez com que Conte mudasse o sistema tático para uma linha de três zagueiros. O efeito foi imediato, com o time embalando 13 vitórias consecutivas logo em seguida, sequência que garantiu a distância necessária para terminar o campeonato com 93 pontos, 18 vitórias a mais do que na temporada anterior e o maior salto de pontuação já registrado por um campeão da Premier League.
Os torcedores mais otimistas acreditam que o Chelsea de Xabi Alonso poderia repetir este feito, já que o próprio treinador espanhol conquistou a Bundesliga de forma invicta em 2023/2024 à frente do Bayer Leverkusen, justamente utilizando um sistema com três zagueiros. Diferente de anos anteriores, para repetir tamanha façanha, talvez nem seja necessário fazer o mesmo número de pontos, visto que o Arsenal, atual campeão, somou a segunda pior pontuação entre os últimos dez campeões da Premier League, conquistando o título com 85 pontos.
Um time melhor do que a posição sugere
Considerando a métrica de gols esperados, o time terminou como a quarta equipe mais dominante da Premier League na temporada passada, caindo para a quinta posição quando os pênaltis são excluídos da conta. O problema esteve na conversão dessas chances em gols, com o Chelsea marcando oito gols a menos do que o esperado pela qualidade de suas finalizações.
Boa parte desse desempenho abaixo do esperado aconteceu entre março e abril, já sob o comando do técnico interino Liam Rosenior, quando o Chelsea perdeu cinco jogos seguidos e ficou sem marcar durante todas essas partidas, mesmo tendo finalizado 73 vezes nesse intervalo. Considerando que se tratou de um período isolado dentro de uma temporada em que o time criava boas chances com regularidade, é possível esperar uma melhora na eficiência ofensiva do Chelsea nesta temporada.
A vantagem de ficar fora das competições europeias
Outro fator que pode beneficiar o Chelsea é justamente a ausência de competições europeias. Desde que o chamado Big Six do futebol inglês passou a dominar as seis primeiras posições da Premier League pela primeira vez, na temporada 2010/2011, nove ocasiões em que um desses clubes ficou de fora das competições europeias resultaram em melhora de desempenho na temporada seguinte, com ganho médio de 16 pontos e subida de cinco posições na tabela.
O próprio Liverpool viveu situação parecida em 2013/2014, quando, sem jogos europeus, somou 23 pontos a mais do que na temporada anterior. Mais recentemente, o Manchester United se beneficiou desse “alívio” de calendário na última temporada, somando 29 pontos a mais do que em 2024/2025 e terminando em terceiro lugar, depois de um decepcionante 15º lugar no ano anterior. Chelsea e Tottenham devem se juntar a essa lista de “beneficiados” nesta temporada, já que nenhum dos dois disputará competições continentais em 2026/2027.
A história da Premier League mostram que a arrancada não é um sonho distante. Xabi Alonso terá o desafio de assumir um elenco que precisa transformar volume de jogo em gols feitos. Se o treinador espanhol conseguir encaixar sua filosofia de jogo e usar o calendário livre a seu favor, o Chelsea tem tudo para deixar a 10ª posição no passado e voltar a brigar no topo da Premier League.
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