Badiashile Chelsea
Futebol Premier League

Chelsea precisa aproveitar saída de Badiashile para se livrar de mais quatro nomes; entenda

Chelsea encerrou boa parte do trabalho de reconstrução do elenco, mas agora enfrenta uma etapa que pode ser tão complicada quanto contratar: encontrar destinos para os jogadores que não fazem parte dos planos. A chegada de novos reforços aumentou a concorrência em praticamente todos os setores, enquanto a ausência de competições europeias na próxima temporada tornou impossível manter um grupo tão numeroso.

A situação ficou ainda mais evidente com o acordo para a saída de Benoît Badiashile. O zagueiro francês será emprestado ao Napoli por cerca de 2,5 milhões de libras, com uma opção de compra avaliada em aproximadamente 23 milhões de libras. A negociação ajuda a aliviar o elenco, mas está longe de resolver o problema.

O Chelsea ainda precisa encontrar espaço para vários jogadores antes do início da temporada. Para Xabi Alonso, o desafio agora não é apenas escolher quem joga, mas também decidir quem não terá espaço suficiente para justificar uma permanência em Stamford Bridge.

Sem a Liga dos Campeões, Liga Europa ou Conference League no calendário, o Chelsea terá uma quantidade consideravelmente menor de partidas para distribuir entre os atletas. Isso muda completamente a lógica de montagem do elenco e torna algumas saídas praticamente inevitáveis.

Chelsea precisa resolver a situação de Axel Disasi

Axel Disasi aparece como um dos casos mais claros.

O defensor francês passou a última temporada emprestado ao West Ham e conseguiu recuperar parte da reputação que havia perdido durante sua passagem por Stamford Bridge. As boas atuações fizeram surgir interessados, e o Crystal Palace aparece entre os clubes que podem tentar uma negociação para reforçar a defesa.

No Chelsea, entretanto, a situação é complicada.

Badiashile já estava afastado do grupo principal e Disasi vinha treinando em condições semelhantes, enquanto jogadores mais jovens como Aarón Anselmino, Mamadou Sarr e Josh Acheampong disputam espaço no setor.

A diretoria precisa decidir se vale a pena manter um zagueiro experiente como opção de elenco ou aproveitar o momento para realizar uma venda e abrir espaço para os jovens.

Para Disasi, um novo empréstimo pode ser uma solução interessante, principalmente se houver garantias de participação regular. Depois de uma temporada positiva no West Ham, o defensor precisa evitar ficar novamente preso a um elenco no qual sua posição na hierarquia não está clara.

Chelsea tem atacantes demais e precisa escolher quem fica

O setor ofensivo apresenta um problema ainda maior.

Com a chegada de Danny Welbeck, o Chelsea passou a contar com cinco centroavantes considerados opções para a equipe principal. Para um clube que disputará apenas uma partida por semana na maior parte da temporada, é simplesmente impossível garantir minutos suficientes para todos.

João Pedro parece ter uma posição privilegiada na disputa.

O brasileiro terminou a temporada anterior em alta e conquistou espaço como uma das principais referências ofensivas da equipe. Welbeck, por sua vez, chegou como uma opção experiente e não parece fazer parte da lista de jogadores negociáveis.

Isso deixa uma disputa bastante interessante pelo restante das vagas.

Nicolas Jackson, Liam Delap e Emmanuel Emegha aparecem como os outros candidatos. Delap surge como o nome mais próximo de uma saída depois de enfrentar dificuldades em Stamford Bridge.

O atacante não conseguiu repetir o desempenho que havia apresentado anteriormente e agora pode buscar uma mudança para recuperar confiança e tempo de jogo. O Como, comandado pelo ex-jogador do Chelsea Cesc Fàbregas, já abriu conversas sobre uma possível negociação.

Jackson, por outro lado, continua despertando interesse de clubes europeus. Apesar das oscilações, o atacante oferece características que podem ser úteis para o projeto de Xabi Alonso, principalmente pela mobilidade e capacidade de atuar em diferentes contextos.

Emegha ainda é uma incógnita para o novo treinador, o que torna sua situação mais difícil de prever.

Chelsea também precisa decidir o futuro dos jovens

Se a quantidade de centroavantes experientes já é um problema, a situação fica ainda mais complicada quando os jogadores jovens entram na conta.

Dastan Satpayev, Marc Guiu e David Datro Fofana também fazem parte das opções do clube para a posição. Manter todos seria praticamente impossível, principalmente porque alguns deles precisam jogar regularmente para continuar evoluindo.

Satpayev ganhou pontos durante a pré-temporada e parece ter subido na hierarquia. Aos 18 anos, o atacante pode permanecer próximo do elenco principal e receber oportunidades ao longo da campanha.

Marc Guiu, de 20 anos, vive uma situação diferente. O espanhol precisa de minutos para continuar seu desenvolvimento, mas a quantidade de concorrentes pode dificultar esse processo.

Fofana, aos 23 anos, também parece estar diante de uma encruzilhada. Um empréstimo pode ser útil, mas uma venda definitiva também não pode ser descartada.

O Chelsea terá de encontrar uma solução rapidamente. Manter jogadores jovens no banco durante meses pode ser tão prejudicial quanto liberá-los cedo demais.

Pedro Neto também pode entrar na lista de saídas

A situação dos pontas talvez seja a mais curiosa. O Chelsea conta atualmente com seis jogadores para as posições abertas pelos lados do campo, sem sequer considerar Cole Palmer, que também pode atuar partindo de uma faixa mais aberta.

A quantidade é difícil de justificar para uma equipe sem calendário europeu.

Mykhailo Mudryk é um caso à parte. Depois de uma longa suspensão, o atacante precisa recuperar ritmo de jogo e confiança, e um empréstimo pode ser o caminho mais lógico para isso.

O problema começa quando os outros nomes entram na equação.

Morgan Rogers, contratação recorde do clube, deve ocupar uma das posições no time titular. Do outro lado, Xabi Alonso terá de escolher entre Estêvão, Pedro Neto, Jamie Gittens e Geovany Quenda.

Estêvão parece intocável dentro do projeto. O jovem brasileiro é visto como uma das grandes apostas do Chelsea para o futuro e dificilmente será negociado.

Quenda, por outro lado, pode ser emprestado para ganhar experiência e minutos em outro clube.

A situação de Pedro Neto é mais interessante. O português possui mercado e ainda é admirado pelo Manchester City. Entre os nomes mais experientes do setor, ele também é um dos jogadores que poderiam gerar uma receita significativa em caso de transferência.

Xabi Alonso terá de fazer escolhas difíceis

A chegada de Xabi Alonso ao comando do Chelsea adicionou outro elemento à equação. O treinador espanhol precisa montar um elenco competitivo, mas também precisa trabalhar com um grupo que faça sentido para sua ideia de jogo.

Não adianta ter 40 jogadores à disposição se metade deles praticamente não terá oportunidades.

Além de dificultar o ambiente interno, um elenco inchado pode atrapalhar o desenvolvimento dos jovens e aumentar a folha salarial sem oferecer retorno esportivo.

Por isso, as próximas semanas serão importantes.

Badiashile já está encaminhado para o Napoli. Disasi pode seguir o mesmo caminho. No ataque, pelo menos um centroavante experiente e um jovem provavelmente precisarão buscar novos destinos. Nas pontas, também existe uma vaga invisível na lista de saídas.

O desafio do Chelsea agora é fazer tudo isso sem desmontar a profundidade necessária para enfrentar uma temporada inteira.

Chelsea precisa vender, mas sem perder peças importantes

A ausência de competições europeias tem um lado positivo para o Chelsea: menos jogos significa mais tempo de treinamento e recuperação. Por outro lado, reduz drasticamente a necessidade de um elenco gigantesco.

É justamente aí que Xabi Alonso e a diretoria precisam encontrar equilíbrio.

Alguns jogadores precisam sair definitivamente. Outros podem ser emprestados para continuar evoluindo. Há ainda aqueles que devem permanecer simplesmente porque possuem características importantes para o projeto.

O caso de Badiashile mostra que o processo já começou.

Agora, Disasi, Delap, Jackson, Fofana, Guiu, Mudryk, Neto e outros nomes aguardam suas próprias definições. Nem todos deixarão Stamford Bridge, mas o Chelsea precisará reduzir consideravelmente o grupo antes do fechamento da janela.

Depois de gastar pesado para montar o novo elenco, chegou a hora de fazer a parte menos glamourosa do mercado da bola.

Porque contratar é divertido. Apresentar reforços rende fotos, vídeos e torcedores empolgados.

Mandar jogadores embora, por outro lado, é quase sempre aquela reunião de segunda-feira que ninguém quer marcar. Mas, para o Chelsea de Xabi Alonso, ela é inevitável.

Foto: James Gill/Danehouse/Getty Images