Parecia ter desabado, ou pior, condenado a reviver o mesmo colapso semana após semana. Poucos ousariam apostar algo na Internazionale, mesmo após a vitória convincente por 4 a 0 sobre o Union Saint-Gilloise, nesta terça-feira (21), pela UEFA Champions League. O time de Milão chegava esgotado física e emocionalmente, ainda ferido por um fim de temporada doloroso. Como reconstruir um grupo em ruínas e devolver o entusiasmo aos mesmos jogadores que pareciam sem forças? E qual caminho seguir, diante da falta de apoio dos proprietários para uma reformulação profunda do elenco e uma janela de transferências mais ousada?
Essas dúvidas dominaram o verão da Internazionale até a chegada de uma resposta inesperada: Cristian Chivu. O técnico romeno, de 44 anos e com breve experiência em competições nacionais, assumiu o comando em meio à desconfiança geral. Agora, pouco mais de quatro meses depois e com o time em uma sequência de sete vitórias entre Serie A e Champions League, muitos se perguntam como esse jovem treinador conseguiu, passo a passo, resolver os impasses e desafios que encontrou desde o primeiro dia em Appiano Gentile.
O primeiro êxito de Chivu foi conquistar o vestiário da Internazionale, não pela imposição, mas pela empatia. Ex-jogador de elite, ídolo com a camisa nerazzurra e campeão no clube, ele soube falar a língua dos atletas. Essa vivência o colocou em pé de igualdade com o grupo, permitindo compreender frustrações e cicatrizes da última temporada, marcada por vice-campeonatos no Scudetto e na Champions League, esta com a dura derrota por 5 a 0 diante do PSG na final, na Allianz Arena, em Munique.
Nomes como Lautaro Martínez, Hakan Çalhanoğlu, Nicolò Barella, Francesco Acerbi, Alessandro Bastoni e tantos outros reconheceram rapidamente sua honestidade e liderança na Internazionale. Viram em Chivu alguém capaz de guiá-los de volta à confiança, em um ambiente ainda abalado pela saída de Simone Inzaghi e por um sentimento generalizado de desconexão. O romeno trouxe diálogo para o Giuseppe Meazza, sinceridade e exigência de comprometimento — os três pilares que reacenderam o espírito competitivo do elenco.
Essa reconexão foi o primeiro grande triunfo do técnico da Internazionale: a Fase 1, o resgate humano do grupo. Assim que conquistou o respeito do elenco, Chivu traçou uma mensagem direta: “Estou aqui por vocês, dia e noite — mas precisam seguir comigo”. Com credibilidade conquistada, veteranos e jovens aceitaram o desafio. Após o triunfo por 4 a 0 sobre o Saint-Gilloise, uma declaração passou quase despercebida: “Estou feliz por fazer parte deste grupo de garotos que se tornaram treináveis”. Era o início da Fase 2 — trabalhar com um elenco aberto a mudanças e disposto a sacrificar-se pelo coletivo. Em Appiano, novas regras e rotinas foram implementadas, e os líderes do elenco deram o exemplo. O resultado foi visível: os sorrisos voltaram ao ambiente.
Agora, chega a Fase 3, a mais delicada na Internazionale — consolidar e preservar tudo o que foi reconstruído. Chivu, consciente da volatilidade do futebol, evita pensar no passado ou no futuro. “Só o presente conta”, costuma dizer. Ele sabe que cada resultado pode alterar percepções, e por isso foca no dia a dia, incentivando a equipe a jogar com intensidade e união, mesmo em meio às tensões naturais da competição — algo que o grupo assimilou, especialmente após o duelo contra a Juventus, em Turim, que culminou em um animado pós-jogo no vestiário nerazzurri.
A diretoria da Internazionale também reconhece que o “método Chivu” funciona nesta temporada. Jovens atacantes como Pio Esposito e Ange-Yoan Bonny, além de veteranos como Francesco Acerbi e Mkhitaryan, mostram evolução sob sua gestão. O que antes parecia um carro fora de competição, agora volta às pistas com o motor ajustado e um piloto que rapidamente encontrou o ponto de equilíbrio.

Surpresa à vista: como Cristian Chivu conquistou o vestiário da Internazionale
Desde que assumiu o comando técnico da Internazionale, Cristian Chivu se transformou em mais do que uma aposta ousada — tornou-se uma revelação dentro do próprio clube. De acordo com o Calciomercato, o romeno ganhou rapidamente o respeito e a confiança dos principais nomes do elenco — de Lautaro Martínez e Hakan Çalhanoğlu a Alessandro Bastoni e Nicolò Barella — implementando um modelo de liderança que trouxe leveza e foco ao dia a dia.
O contexto e a virada
Apesar do peso da tradição e da alta exigência em torno da Internazionale, Chivu soube imprimir um ar renovado. Em um cenário de cobranças intensas, tanto na Itália quanto na Europa, o técnico mostrou firmeza, empatia e clareza — três virtudes que redefiniram a relação entre comissão técnica e jogadores. O elenco, habituado a personalidades fortes, abraçou o método do treinador não como uma imposição, mas como um convite à responsabilidade coletiva.
Estratégia de aproximação
A reportagem ainda destaca alguns pontos fundamentais na construção de confiança na Internazionale, sob o comando do técnico Cristian Chivu nesta temporada:
Planejamento minucioso: reuniões individuais e valorização das lideranças internas. Jogadores como Bastoni e Barella passaram a se sentir protagonistas do novo ciclo.
Comunicação direta e transparente: com staff e elenco, definindo metas e expectativas de forma objetiva.
Manutenção da competitividade: até as estrelas, como Lautaro e Çalhanoğlu, foram envolvidas em um processo de construção coletiva, não apenas cobradas por desempenho.
Esse equilíbrio entre respeito e exigência permitiu à Internazionale emendar sete vitórias consecutivas, considerando todas as competições (Serie A e UEFA Champions League), consolidando o prestígio de Chivu diante do grupo.
Reações no vestiário
A resposta dos jogadores da Internazionale foi imediata. Jovens e veteranos demonstraram sintonia com o novo método. Bastoni e Barella aceitaram ajustes táticos com naturalidade, enquanto Lautaro e Calhanoglu abraçaram o papel de líderes técnicos e morais do projeto.
O que vem pela frente
A solidez dessa adesão será testada em momentos de alta pressão — nos grandes jogos da Champions e nas disputas acirradas da Serie A. Mas, até aqui, Chivu já deu o passo mais difícil: transformar-se em um ponto de união e confiança dentro da Internazionale. Se conseguir equilibrar autoridade e proximidade, pode não apenas manter o vestiário coeso, mas redefinir a identidade de uma Inter que busca estabilidade e continuidade no topo.

Internazionale de Chivu tenta virar a página e superar os traumas da última temporada
A temporada 2025/26 começou para a Internazionale com uma meta clara: transformar a dor em combustível. Após um ano em que o clube ficou a um passo de dois títulos históricos: o Scudetto, perdido para o Napoli nas rodadas finais, e a Champions League, escapando nas mãos do PSG —, o novo ciclo liderado por Cristian Chivu nasce como um processo de reconstrução emocional e competitiva.

A herança amarga
Sob o comando de Simone Inzaghi, a Internazionale passou boa parte do campeonato anterior na liderança, mas desabou na reta final. O golpe derradeiro veio na Champions League, com a goleada sofrida para o PSG por 5 a 0 na decisão. A imagem de Lautaro, Calhanoglu e Barella em lágrimas sintetizou o trauma de uma campanha que beirou a glória, mas terminou em frustração.
Chivu e o desafio da reconstrução
Ao assumir, o ex-capitão da Internazionale sabia que herdava um elenco ferido, porém talentoso. Referência de equilíbrio e profissionalismo, o romeno apostou em uma abordagem humana e tática. Segundo a imprensa italiana, baseou seu trabalho no diálogo, na confiança mútua e na recuperação da unidade de um grupo que parecia fragmentado.
Seu foco é claro: reconstruir a mentalidade vencedora sem deixar que a dor se transforme em peso. “Essas derrotas nos ensinaram o que é estar perto da glória. Agora, precisamos usar isso como energia”, teria dito Chivu em uma de suas primeiras conversas com o elenco.
Ajustes em campo e nova filosofia
Taticamente, Chivu manteve a estrutura do time, mas introduziu variações na Internazionale. A defesa joga mais adiantada, e o meio-campo se movimenta com mais dinamismo, priorizando intensidade e ocupação de espaços. Bastoni assumiu papel de liderança defensiva, enquanto Calhanoglu ganhou liberdade para alternar entre criador e infiltrador.
A confiança de Lautaro Martínez, capitão e principal referência técnica, é outro ponto-chave: o objetivo é recuperar seu instinto decisivo, perdido nas últimas rodadas do ano passado.
Superando as cicatrizes
O clube reconhece que o vice na Champions ainda ecoa. Por isso, o trabalho psicológico ganhou protagonismo em Appiano Gentile. A equipe de performance mental foi ampliada, com o intuito de transformar frustração em resiliência competitiva.
Um novo começo
Com resultados sólidos e um ambiente mais leve, a Internazionale de Chivu parece reencontrar seu eixo. O técnico convenceu os líderes — Lautaro Martínez, Barella, Bastoni e Calhanoglu — de que o passado não deve ser apagado, mas compreendido. O reflexo em campo é visível: um grupo coeso, comprometido e com fome de redenção.
Se a última temporada terminou em lágrimas e silêncio, a atual começa com trabalho e esperança. A Internazionale quer provar que, às vezes, o sofrimento é apenas o primeiro passo para o renascimento.
(Foto: Getty Images)

