As mudanças no calendário do tênis não são novidades, assim como o fato de, atualmente, serem prejudiciais aos tenistas. No entanto, os torneios Cincinnati e no Canadá, em especial em Toronto, deixaram os problemas em evidência mais uma vez. Ao invés de focar no esporte de alto nível, o centro das atenções foram os problemas em cada um.
Quatro tenistas do top 10 não atuaram em Toronto. A competição começou apenas duas semanas depois de Wimbledon e, alguns dos motivos apresentados, era a fadiga. Com o fim do Canadá Open, Cincinnati já começou a ser disputado na sequência. Entre os semifinalistas da primeira competição, apenas um chegou na semifinal do segundo.
Alexander Zverev esteve na semi de ambos, no entanto, estava passando mal na partida nos Estados Unidos. O alemão persistiu em quadra, sem abandonar, mas estava visivelmente mal e não deu trabalho para Carlos Alcaraz. Karen Khachanov e Taylor Fritz perderam nas oitavas. Enquanto Ben Shelton parou nas quartas.
Na disputa feminina, Victoria Mboko, campeã em Montreal, e Naomi Osaka, finalista, decidiram não jogar em Cincinnati. Das jogadoras que chegaram na semi em Montreal, só Elena Rybakina conseguiu repetir o resultado, sendo derrota por Iga Swiatek.

Era para ser um espetáculo
Foram três semanas intensas de jogos, com as partidas da chave principal de Cincinnati começando no dia da final no Canadá. Sem pausas, os tenistas tiveram pouco tempo de descanso. Mas não é só isso. Nos Estados Unidos, os atletas ainda tiveram um fator a mais para se preocupar: o calor.
Com temperaturas muito altas, os jogadores sofreram em quadra e isso afetou também a final. Todos esperavam mais uma grande batalha entre Carlos Alcaraz e Jannik Sinner. No entanto, vimos um jogo de apenas 23 minutos, com o italiano passando mal em quadra. Não há uma confirmação que o problema do tenista foi causado pelo calor.
Contudo, Sinner não foi o único a se sentir mal e Zverev também sofreu em partida da semifinal. Arthur Rinderknech desistiu de confronto por conta da alta temperatura. Alejandro Davidovich Fokina também foi outro que abandonou jogo por não estar se sentindo bem. Ao todo, contando apenas os tenistas das chaves simples feminina e masculina, foram nove desistências antes ou durante os duelos.
Isso sem contar os atletas que informaram antes do início do torneio que não estariam presentes. Djokovic, Osaka, Paula Badosa, Jakub Mensik são alguns dos exemplos.

Calendário do tênis é prejudicial
Já há algum tempo o calendário da ATP e WTA é alvo de críticas, seja de tenistas, expectadores e jornalistas. Pensando apenas no lucro, os órgãos parecem dispostos a não se preocupar com os problemas causados. Com torneios mais longos e menos tempo para descanso, os atletas reclamam a toda hora das condições atuais.
A questão principal é física já que, com poucas pausas, os tenistas não conseguem uma recuperação completa. Além disso, houve um aumento no período das competições 1000, que deixaram de ser jogados em apenas uma semana e mudaram para 12 dias. Para piorar, ainda há torneios 1000 que acontecem em sequência.
É o caso de Canadá e Cincinnati. Esse dois ainda tiveram um agravante: as partidas aconteceram em três semanas seguidas. Diferente de outras como competições seguidas, como Miami e Indian Wells, não houve uma pausa. As finais de Montreal e Toronto foram jogadas no mesmo dia da estreia da chave principal nos Estados Unidos.
Não há tenista que consiga seguir esse calendário de forma completa. E, até por isso, muitos ficaram de fora, o que também causa uma queda no espetáculo esperado.
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