A crise do Manchester United ganhou um novo capítulo neste meio de semana3. Derrotado pelo Como por 4 a 1, pela Champions League, o time de Michael Carrick voltou a apresentar falhas defensivas, pouca intensidade e dificuldades para criar oportunidades. O resultado ampliou para sete partidas a sequência sem vitórias dos Red Devils e aumentou a pressão sobre o treinador.
O Como abriu o placar logo aos dois minutos, com Nico Paz, e aproveitou os espaços para construir uma vitória convincente. Joshua Zirkzee descontou nos acréscimos, mas o gol não foi suficiente para amenizar uma atuação preocupante do início ao fim.
Mais do que o placar, o desempenho coletivo evidenciou problemas que Carrick precisa resolver rapidamente. A derrota na Itália deixou quatro sinais de alerta para um clube que continua sem encontrar respostas em meio à sequência negativa.
1. Defesa continua sem oferecer segurança
O gol sofrido logo no início resumiu as dificuldades defensivas do Manchester United. A finalização de Nico Paz foi de alto nível e não deu a Senne Lammens condições de evitar o gol, mas a equipe voltou a terminar uma partida sem conseguir proteger sua própria área.
O United sofreu gols em 10 de seus 11 jogos na temporada 2026/27. A única exceção foi o confronto contra o Sabah, estreante na Champions League, um dado que evidencia a dificuldade da equipe para manter a consistência defensiva.
O retorno de Matthijs de Ligt ao time titular, após ficar afastado desde novembro de 2025, não resolveu o problema. O zagueiro demonstrou dificuldades para acompanhar a velocidade dos adversários e participou de uma linha defensiva que ofereceu espaços em excesso.
Diogo Dalot e Noussair Mazraoui também sofreram pelos lados. Álex Valle levou vantagem sobre Dalot, enquanto Paz encontrou oportunidades para superar Mazraoui. A fragilidade dos laterais, somada à falta de coordenação entre os zagueiros, facilitou o trabalho do Como.
As ausências, especialmente a de Luke Shaw, ajudam a explicar parte das dificuldades. Ainda assim, a repetição dos erros indica que o problema não se resume às lesões. Carrick precisa encontrar uma estrutura defensiva mais confiável para impedir que os adversários controlem as partidas com tanta facilidade.
2. Meio-campo perde intensidade e controle
O domínio do Como também ficou evidente na disputa pelo meio-campo. Andrey Santos e Mason Mount tiveram dificuldades para pressionar, recuperar a bola e impedir que Nico Paz conduzisse as ações ofensivas dos italianos.
Em diversos momentos, o United pareceu assistir ao adversário trocar passes sem conseguir reagir. Faltaram agressividade na marcação, movimentação para fechar espaços e capacidade de sustentar a pressão após perder a posse.
A substituição de Mount no intervalo, com a entrada de Carlos Baleba, tampouco mudou o cenário. Quatro minutos depois, o Como marcou novamente, explorando a facilidade com que atravessou o meio-campo e encontrou espaços na defesa inglesa.
Baleba também sofreu diante da movimentação de Paz, que recuperou a bola do meio-campista e participou da construção do terceiro gol. O jovem atacante foi um dos principais símbolos da superioridade dos mandantes.
A ausência de Kobbie Mainoo pode ter limitado as alternativas de Carrick, mas não explica toda a diferença de desempenho. O problema foi coletivo: o United não conseguiu pressionar de maneira coordenada nem proteger a defesa. Sem equilíbrio no setor central, a equipe ficou vulnerável tanto à construção adversária quanto às transições.
3. Ataque produz pouco e depende de um gol tardio
O desempenho ofensivo foi outro sinal preocupante. O Manchester United não acertou nenhuma finalização no alvo no primeiro tempo e registrou apenas seis toques na área adversária antes do intervalo.
Matheus Cunha teve participação discreta, Bryan Mbeumo pouco conseguiu produzir e Bruno Fernandes não encontrou sua influência habitual na criação das jogadas. O time não conseguiu transformar a posse de bola em oportunidades claras nem encontrou soluções para superar a marcação italiana.
As entradas de Amad Diallo e Joshua Zirkzee trouxeram alguma movimentação na segunda etapa, mas a melhora foi insuficiente para mudar o panorama. O United terminou o confronto com apenas quatro finalizações no alvo e criou somente uma grande chance.
O gol de Zirkzee, já nos acréscimos, serviu apenas como consolo. O lance aconteceu quando o Como reduziu o ritmo, acreditando que o atacante estava em posição de impedimento.
A dificuldade para criar contra uma equipe que havia sofrido quatro gols nas duas partidas anteriores reforça a dimensão do problema. O United não perdeu apenas pela fragilidade defensiva: também foi incapaz de ameaçar o adversário de maneira consistente.
4. Carrick fica cada vez mais pressionado
Antes da partida, Carrick afirmou contar com o respaldo da direção do clube, mas reconheceu que a equipe precisava vencer para que as coisas voltassem a funcionar. A resposta em campo foi desastrosa.
A sequência sem vitórias chegou a sete jogos em todas as competições, e a forma como o resultado foi construído torna a derrota ainda mais difícil de justificar. O Como disputa sua primeira temporada na Champions League e ocupa a quinta posição do Campeonato Italiano, mas dominou um adversário com muito mais tradição internacional.
O principal sinal de alerta foi a falta de reação. Mesmo diante de um compromisso importante, o Manchester United não demonstrou intensidade suficiente para competir durante os 90 minutos. Quando uma equipe apresenta problemas táticos, ainda pode encontrar respostas na entrega dos jogadores. Em Como, faltaram os dois elementos.
Isso não significa que todos os problemas do clube tenham começado com Carrick, mas o treinador precisa apresentar soluções rapidamente. A defesa não se estabiliza, o meio-campo perde duelos e o ataque produz pouco. Com a sequência negativa aumentando, a margem para novos tropeços diminui.
A derrota por 4 a 1 tornou a situação ainda mais delicada. Para recuperar a confiança da direção e da torcida, Carrick precisará mostrar que consegue reorganizar a equipe e devolver competitividade ao Manchester United. Caso contrário, a pressão sobre seu trabalho tende a crescer ainda mais.
Foto: Nderim Kaceli/BSR Agency/Getty Images

