A batalha pelo meio do pelotão na temporada 2025 da Fórmula 1 terminou com uma mistura de alívio e frustração para Aston Martin e Haas. A equipe britânica garantiu o sétimo lugar no Mundial de Construtores por apenas 10 pontos, com Haas logo atrás, e viu o Racing Bulls levar o sexto lugar por uma diferença mínima de três pontos. No fim, a diferença entre cair ainda mais ou salvar a temporada passou por um piloto que, mesmo aos 44 anos, decidiu a corrida como poucos na Fórmula 1 ainda conseguem: Fernando Alonso.
A análise do ano deixa claro que a Aston Martin só segurou a posição graças à experiência do espanhol. Esteban Ocon, rival direto na pista e ex-companheiro de Alonso na Alpine, não teve problema em admitir isso. Após o GP de Abu Dhabi, Ocon descreveu a atuação de Alonso como “incrível” e destacou que o veterano soube manipular o ritmo da corrida de forma a travar o pelotão no momento certo.
“Ele ainda sabe todos os truques”, afirmou. “Ele segurava o grupo onde era difícil ultrapassar e depois acelerava nos quatro trechos seguintes, abrindo a margem exata para ninguém tentar passar.”
Essa sequência repetida volta a mostrar o tipo de leitura de corrida que diferencia bons pilotos de pilotos excepcionais. Abu Dhabi não foi vencida por Alonso, mas foi controlada por ele. E, em um campeonato decidido por margens tão pequenas, essa performance valeu mais pontos do que qualquer atualização aerodinâmica que Aston tenha trazido ao longo do ano.
Ocon reconheceu que a resistência de Alonso foi decisiva para impedir Haas de avançar. Isso torna o resultado ainda mais simbólico: o confronto direto entre os dois no fim da prova representava também o confronto direto entre suas equipes no campeonato. Ocon chegou mais rápido, teve um carro que funcionou melhor naquela noite, mas não conseguiu transformar isso em ultrapassagem.
“Dói perder o sétimo lugar,” disse ele, “porque fizemos uma corrida muito forte. Mas hoje, Fernando foi forte demais.”
Alonso demonstra frustração com a temporada da Aston Martin
O curioso é que Alonso, mesmo sendo o grande responsável pelos pontos que salvaram Aston Martin, avaliou a temporada com franqueza. Para ele, o maior problema da equipe em 2025 não foi a velocidade pura, mas a inconsistência. Em várias corridas, a Aston Martin tinha ritmo para terminar no top 6. Em outras, lutava para entrar nos dez primeiros. E quando parecia pronta para marcar pontos pesados, surgiam falhas de confiabilidade que destruíam qualquer chance. Na opinião de Alonso, a equipe nunca conseguiu encontrar uma base sólida que permitisse planejar o desenvolvimento com clareza.
É justamente aí que começa a análise mais ampla: a Aston Martin precisa entender que depender de Alonso para extrair resultados improváveis não é sustentável. Em 2023, a equipe viveu uma ascensão surpreendente. Em 2024, perdeu força. Em 2025, estacionou em um terreno incômodo: não é lenta o bastante para brigar com Sauber e Alpine, mas não é consistente o suficiente para desafiar Williams ou Racing Bulls com regularidade. O sétimo lugar, nesse contexto, é menos um marco positivo e mais um lembrete da estagnação.
Alonso ainda é capaz de influenciar corridas de maneira direta, mas seu repertório de “truques”, usar ar sujo, controlar tráfego, medir ritmo no limite, encobre limitações que a equipe não pode ignorar no médio prazo. Enquanto Haas depende de atualizações pontuais e de dias inspirados de Ocon ou Oliver Bearman, a Aston Martin depende quase inteiramente da leitura de corrida de Alonso para converter desempenho mediano em pontos relevantes.
A fala de Ocon escancara isso. A de Alonso confirma. A equipe sabe exatamente onde errou: variou demais no acerto, foi inconsistente demais no ritmo e falhou mais do que deveria em confiabilidade. Em um campeonato tão equilibrado no meio do pelotão, cada falha custa posições. E, ao contrário de equipes como Williams, que evoluíram claramente ao longo do ano, Aston ficou presa entre o “quase” e o “não suficiente”.
O sétimo lugar só foi possível porque Alonso tratou Abu Dhabi como um duelo direto por sobrevivência. E venceu esse duelo. Mas depender disso é perigoso. Alonso não estará para sempre. E mesmo estando, não pode compensar uma equipe que oscila tanto.
Se Aston Martin quiser escapar dessa zona cinzenta em 2026, precisa oferecer um carro que não obrigue Alonso a correr como se cada prova fosse uma final. O talento e a experiência dele podem salvar pontos, mas não podem salvar uma temporada inteira. E a mensagem que 2025 deixa para a equipe é clara: a distância entre sobreviver e avançar não será definida por “truques”, mas por consistência, justamente o que faltou de janeiro a novembro.
(Photo by Mark Sutton – Formula 1/Formula 1 via Getty Images)