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Como a Espanha construiu o sistema que a levou à final da Copa do Mundo; Confira

A Espanha que alcançou a final da Copa do Mundo de 2026 não surgiu de uma geração isolada de talentos, mas de um projeto construído ao longo de mais de uma década. O sucesso da equipe comandada por Luis de la Fuente representa a consolidação de um modelo que integra as categorias de base da Furia Roja, os principais clubes do país e uma identidade tática mantida desde as seleções juvenis até a equipe principal. Segundo análise publicada pela Fox Sports, esse sistema permitiu que a seleção transformasse conquistas na Eurocopa, nos Jogos Olímpicos e nas categorias inferiores em uma base sólida para voltar a disputar o título mundial.

A continuidade do trabalho é um dos principais fatores por trás da evolução da Espanha. Antes de assumir a seleção principal em 2022, Luis de la Fuente comandou as equipes sub-19, sub-21 e olímpica, conquistando títulos europeus e uma medalha olímpica. Esse percurso permitiu que boa parte do elenco chegasse à equipe principal já adaptada aos seus métodos, princípios táticos e exigências competitivas. Nomes como Unai Simón, Fabián Ruiz, Mikel Merino e Dani Olmo passaram por esse processo de formação, facilitando a transição e fortalecendo a identidade coletiva da Furia Roja.

Outro diferencial da Espanha foi a modernização de seu estilo de jogo. Embora mantenha a valorização da posse de bola, característica marcante desde a geração campeã mundial em 2010, a equipe atual atua com maior intensidade, acelera as transições ofensivas e busca mais profundidade pelos lados do campo. O sistema deixou de depender exclusivamente da circulação paciente da bola e passou a explorar velocidade, pressão pós-perda e movimentações constantes entre meio-campistas e atacantes, tornando-se menos previsível diante de adversários que adotam linhas defensivas compactas.

A integração entre clubes e seleção também exerce papel fundamental no sucesso da Espanha. A formação técnica dos jogadores em centros de excelência, como Barcelona, Real Madrid, Atlético de Madrid, Athletic Club, Villarreal e Real Sociedad, cria uma base comum de conceitos que facilita a adaptação à equipe nacional. Com isso, os atletas chegam mais preparados para assimilar as ideias da comissão técnica. O resultado é uma seleção capaz de preservar alto nível de organização, entendimento coletivo e competitividade, mesmo diante de mudanças pontuais no elenco ao longo das competições.

Na Copa do Mundo de 2026, esse planejamento ficou evidente durante toda a campanha. A Espanha apresentou uma das defesas mais consistentes da competição, sofreu apenas um gol antes da decisão e eliminou adversários tradicionais como Portugal, Bélgica e França nos mata-mata. Além da solidez defensiva proporcionada por Pau Cubarsí, Aymeric Laporte e Unai Simón, o meio-campo comandado por Rodri garantiu controle das partidas, enquanto Lamine Yamal, Nico Williams, Dani Olmo e Mikel Merino ofereceram criatividade e capacidade de decidir confrontos equilibrados.

Outro aspecto destacado pela Fox Sports é que o modelo da Espanha não gira em torno de uma única estrela. Mesmo contando com jovens de enorme projeção internacional, a seleção prioriza o funcionamento coletivo acima das individualidades. Rodri representa essa filosofia ao exercer um papel essencial na organização da equipe, equilibrando os setores e garantindo estabilidade em campo. Assim, os jogadores mais ofensivos atuam com maior liberdade para criar e finalizar. O resultado é um elenco competitivo, versátil, taticamente disciplinado e preparado para responder a diferentes cenários de jogo.

Às vésperas da decisão contra a Argentina, De la Fuente destacou que sua equipe chega à final confiante, adaptada às diferentes circunstâncias enfrentadas ao longo do torneio e consciente de que disputar o título já representa a confirmação de um projeto vencedor. Independentemente do resultado da final, a campanha comprova que a Espanha voltou ao topo do futebol mundial graças a um sistema estruturado, baseado em continuidade, formação de atletas e evolução tática, elementos que a transformaram novamente em uma das principais referências do futebol internacional.

Foto: Getty Images

Por que a Espanha montou uma equipe competitiva com Luis de la Fuente, antes da final da Copa do Mundo de 2026?

Após eliminar a França nas semifinais, a Espanha chega à final da Copa do Mundo de 2026 como uma das seleções mais consistentes do futebol internacional graças a um projeto que começou muito antes da atual campanha. Sob o comando de Luis de la Fuente, a equipe nacional consolidou um modelo baseado na continuidade, na valorização das categorias de base e na manutenção de uma identidade de jogo que acompanhou diversos atletas desde as seleções juvenis até o elenco principal. O resultado é uma geração que alia talento, experiência e entendimento coletivo, credenciais que colocam os espanhóis na decisão contra a Argentina em busca do segundo título mundial de sua história.

A trajetória de De la Fuente explica boa parte desse sucesso. Antes de assumir a seleção principal no fim de 2022, o treinador passou anos trabalhando nas categorias inferiores da Real Federação Espanhola de Futebol. Conquistou a Eurocopa Sub-19 em 2015, a Eurocopa Sub-21 em 2019 e levou a seleção olímpica à medalha de prata nos Jogos de Tóquio, em 2021. Esse ciclo permitiu que desenvolvesse uma filosofia própria e acompanhasse a evolução de uma geração que, anos depois, se transformaria na espinha dorsal da equipe principal.

Após assumir a seleção principal com a saída de Luis Enrique, Luis de la Fuente encontrou uma equipe talentosa em renovação. Rapidamente, promoveu a integração entre veteranos e jovens, mantendo a posse de bola, mas acrescentando mais intensidade, verticalidade e velocidade pelos lados. Os resultados vieram logo: em 2023, conquistou a UEFA Nations League, encerrando um longo jejum de títulos. Em 2024, levou a Espanha ao título da Eurocopa com uma campanha perfeita de sete vitórias em sete jogos.

Grande parte desse sucesso da Espanha na Copa do Mundo de 2026 passa pela evolução de jogadores que cresceram sob sua orientação. Unai Simón tornou-se um dos goleiros mais seguros da Europa, enquanto Rodri assumiu o papel de principal referência no meio-campo, controlando o ritmo das partidas e oferecendo equilíbrio tático. Fabián Ruiz, Mikel Merino, Dani Olmo e Mikel Oyarzabal também participaram desse processo de amadurecimento, formando uma base experiente. Paralelamente, uma nova geração ganhou protagonismo com Lamine Yamal, Nico Williams e Pau Cubarsí, atletas que acrescentaram velocidade, criatividade e personalidade à equipe.

Essa combinação entre continuidade e renovação fez da Espanha uma seleção extremamente competitiva. A equipe passou a disputar todos os grandes torneios como candidata ao título e consolidou uma identidade coletiva capaz de superar adversários de diferentes características. Na Copa do Mundo de 2026, essa força foi novamente demonstrada durante a campanha até a final, reforçando o trabalho desenvolvido por De la Fuente desde as categorias de base.

Às vésperas da final contra a Argentina na Copa do Mundo, Luis de la Fuente destacou que a Espanha está preparada para qualquer cenário, graças à capacidade de adaptação desenvolvida nos últimos anos. Mais do que depender de talentos individuais, a equipe consolidou um forte jogo coletivo, resultado de um projeto iniciado nas categorias de base e aperfeiçoado na seleção principal. Independentemente do desfecho, a campanha confirma o retorno da Furia Roja ao grupo das grandes potências do futebol mundial.

Foto: AFP/Getty Images

Será que a Espanha poderá se tornar uma das gerações mais fortes de todos os tempos na história da Copa do Mundo?

A Espanha entra na final da Copa do Mundo de 2026 diante da Argentina cercada por uma discussão que ultrapassa a possibilidade de conquistar o bicampeonato mundial. A campanha conduzida por Luis de la Fuente levanta o debate sobre a capacidade desta geração de ser lembrada como uma das mais fortes da história do torneio. Embora comparações com equipes históricas dependam dos resultados acumulados ao longo dos anos, o conjunto de conquistas e a continuidade do projeto colocam a atual Fúria Roja entre as seleções mais dominantes do futebol internacional.

O ponto de virada ocorreu após a eliminação para o Marrocos nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2022, quando a Real Federação Espanhola decidiu manter a filosofia de formação iniciada nas categorias de base. Em vez de promover uma ruptura, apostou no trabalho de Luis de la Fuente, treinador que conhecia profundamente a nova geração após conquistar a Eurocopa Sub-19, a Eurocopa Sub-21 e conduzir a equipe olímpica à medalha de prata em Tóquio. O resultado foi a construção de um elenco que chegou à seleção principal com identidade tática consolidada e grande entrosamento.

Esse processo transformou jovens promessas em protagonistas do futebol mundial. Rodri consolidou-se como o líder técnico do meio-campo, Unai Simón tornou-se uma referência no gol, enquanto Fabián Ruiz, Mikel Merino, Dani Olmo e Mikel Oyarzabal amadureceram sob o mesmo modelo de jogo. Paralelamente, talentos como Lamine Yamal, Nico Williams e Pau Cubarsí deram novo dinamismo à equipe, formando uma combinação equilibrada entre experiência e juventude.

Os resultados apareceram rapidamente. A Espanha conquistou a UEFA Nations League de 2023, venceu a Eurocopa de 2024 de forma invicta e chegou à Copa do Mundo de 2026 mantendo um dos melhores desempenhos entre todas as seleções participantes. Antes da decisão contra a Argentina, os espanhóis acumulavam uma impressionante sequência de invencibilidade e haviam eliminado Portugal, Bélgica e França no mata-mata, confirmando a consistência de um grupo que alia organização defensiva, posse de bola e intensidade ofensiva.

Naturalmente, o peso histórico dessa geração dependerá da capacidade de transformar sua superioridade em títulos duradouros. Equipes como Brasil de 1970, Alemanha de 1974, França de 1998 e 2018 e a própria Espanha campeã entre 2008 e 2012 construíram seu legado por meio de conquistas consecutivas. A atual equipe espanhola reúne características semelhantes ao apresentar um projeto de longo prazo, uma base formada nas seleções inferiores e jogadores que atuam juntos desde a juventude.

Caso conquiste o Mundial de 2026, a Espanha encerrará um ciclo iniciado nas categorias de base com a maior conquista possível no futebol. Mais do que um título, confirmará que a aposta na continuidade, na formação de atletas e na manutenção de uma identidade de jogo permitiu construir uma geração capaz de figurar entre as mais fortes de todos os tempos na história das Copas do Mundo.

(Foto: Getty Images)