Chega de testes. Agora começa “o sério”, como definiu José Mourinho. Depois de seis partidas de preparação, o Real Madrid encerra a pré-temporada invicto e volta suas atenções para a estreia em La Liga, contra o Espanyol, no sábado. Foram cinco vitórias e um empate no período, além de uma evolução que parece colocar a equipe em condições de começar a temporada em alta.
Os últimos sinais foram positivos. O Real Madrid não sofreu gols contra Deportivo La Coruña e Schalke e chegará a Cornellà com 243 minutos de invencibilidade defensiva. Os números ajudam a explicar a evolução, mas ainda não contam toda a história. Mourinho não conseguiu observar todas as suas principais peças juntas e ainda tem jogadores se recuperando de lesões.
Na prática, a pré-temporada serviu para dar algumas certezas ao treinador, mas também deixou dúvidas importantes antes da primeira partida oficial.
4-2-3-1 ganha força no Real Madrid

Entre as principais conclusões de Mourinho está a escolha do sistema. O 4-2-3-1 parece ser o desenho mais adequado para acomodar as principais peças ofensivas do elenco: Diomande, Bellingham, Vinicius e Mbappé.
O problema é que o quarteto ainda não conseguiu atuar junto. Vinicius foi o primeiro dos quatro a retornar e disputou três amistosos. Os outros três chegaram apenas na última semana e tiveram seus primeiros minutos diante do Schalke.
Na Alemanha, Mourinho chegou a utilizar uma linha com três jogadores atrás do centroavante, mas Mbappé ainda não teve a oportunidade de dividir o campo por muito tempo com Diomande, Bellingham e Vinicius. A tendência, portanto, é que o treinador utilize o francês como referência no ataque, enquanto Bellingham ocupa a faixa central e Vinicius e Diomande partem pelos lados.
O sistema, porém, não precisa ser engessado. Bernardo Silva é um dos jogadores que podem oferecer maior versatilidade ao meio-campo. Contra o Deportivo, por exemplo, Mourinho utilizou o português mais adiantado pela esquerda em um trio formado também por Camavinga e Valverde.
É uma alternativa que pode ganhar importância ao longo da temporada, principalmente quando Bellingham precisar atuar mais próximo do ataque.
Meio-campo ainda tem disputa aberta
Se há uma estrutura definida, a dúvida está em quem ocupará as duas vagas do meio-campo. Tchouameni, Valverde e Bernardo Silva aparecem como os principais candidatos, enquanto Camavinga surge como uma alternativa importante.
O francês, aliás, foi um dos jogadores mais utilizados por Mourinho na pré-temporada. Isso aconteceu muito por uma questão de calendário: Camavinga não disputou a Copa do Mundo e esteve à disposição desde o primeiro dia de trabalho, enquanto outros titulares chegaram posteriormente.
Ainda assim, suas atuações mantiveram vivo um debate que já existia na temporada passada. Camavinga mostrou que pode ser importante tanto na saída de bola quanto na condução e recuperação da posse.
Mourinho foi alterando a dupla de volantes conforme o elenco ficou completo. Camavinga começou ao lado de Cestero contra o Alcorcón e depois formou dupla com Valverde diante de Leganés, Fiorentina e Ferencváros. Em Riazor, foi a vez de Bernardo Silva atuar ao lado do francês, enquanto contra o Schalke o português jogou ao lado de Valverde.
Tchouameni ainda não entrou em campo por conta de uma sobrecarga muscular na coxa. Thiago também não pôde ser avaliado pelo treinador devido a uma lesão no joelho esquerdo.
Defesa ainda é o setor mais indefinido
A defesa é provavelmente o setor em que Mourinho menos conseguiu encontrar sua formação ideal. Lesões e diferentes períodos de retorno impediram que o treinador trabalhasse com todos os titulares.
Na lateral esquerda, Cucurella é considerado o dono da posição depois de retornar da Copa do Mundo, mas sua chegada tardia fez com que Carreras ganhasse espaço. O espanhol foi o jogador que mais atuou pelo Real Madrid na pré-temporada, com 322 minutos em campo.
Do outro lado, a disputa entre Trent e Dumfries continua aberta. O inglês acumulou 241 minutos, enquanto o holandês disputou 239. Os números, porém, precisam ser analisados com cuidado: em determinados momentos, Mourinho utilizou Trent como lateral e Dumfries mais avançado, pelo lado direito.
No centro da defesa, as lesões de Militão e Asencio limitaram ainda mais as opções. O brasileiro só deve retornar depois da primeira pausa para as seleções, enquanto Asencio participou apenas dos primeiros treinamentos.
Com isso, Rüdiger, Huijsen e Konaté aparecem como as principais alternativas para o início da temporada. Mourinho utilizou Rüdiger e Huijsen juntos em Riazor e novamente no segundo tempo contra o Schalke. Na Alemanha, Konaté formou dupla com Huijsen durante os primeiros 45 minutos. A tendência é que a disputa continue até que Militão e Asencio estejam novamente à disposição.
Ataque tem quatro nomes definidos

Se a defesa ainda gera dúvidas, o ataque parece ser o setor mais claro para Mourinho. Courtois é o titular absoluto no gol e, na frente, quatro nomes partem como favoritos: Diomande, Bellingham, Vinicius e Mbappé.
As opções para substituí-los, entretanto, também deixaram boas impressões. Güler foi titular nos quatro amistosos e mostrou que pode ser uma alternativa para a posição de meia-atacante, justamente o espaço que deve pertencer a Bellingham.
O turco terminou a preparação com duas assistências, para Valverde contra o Leganés e para Huijsen diante do Schalke. O novo sistema também pode favorecer suas características, já que Mourinho passa a ter uma posição específica para ele explorar quando Bellingham não estiver em campo.
Brahim Díaz, por sua vez, aparece como uma alternativa para o lado direito. O espanhol também ganha uma função mais definida no 4-2-3-1 depois de ter sido utilizado em diferentes posições durante a última temporada.
E há ainda a situação de Endrick. O brasileiro foi titular nos primeiros jogos de preparação e marcou contra a Fiorentina, mas perdeu espaço com a chegada de Mbappé. Agora, terá de disputar os minutos restantes com o francês na posição de centroavante.
Depois de seis jogos para observar o elenco, Mourinho finalmente terá de tomar suas decisões. O Real Madrid chega à estreia com uma campanha invicta, uma estrutura tática cada vez mais clara e algumas disputas ainda em aberto.
As experiências acabaram. Como o próprio treinador disse, agora começa “o bom”. E é contra o Espanyol, em Cornellà, que as primeiras respostas de Mourinho serão colocadas à prova.
Créditos da foto de capa: Víctor Carretero/Real Madrid CF via site oficial