Khamzat Chimaev
Lutas UFC

Como números de Chimaev contra Du Plessis se comparam aos grandes wrestlers da história do UFC?

O wrestling tem sido uma das maiores forças do sucesso de diversos campeões na história do UFC. Ao longo das décadas, nomes como Georges St-Pierre e Khabib Nurmagomedov consolidaram carreiras baseadas no domínio absoluto do grappling, transformando lutas em verdadeiras demonstrações de imposição física e estratégica. Em 2025, Khamzat Chimaev parece ter se juntado a esse seleto grupo após conquistar o cinturão dos médios com uma atuação considerada a mais dominante da história da organização contra Dricus Du Plessis, no UFC 319.

Os números impressionam: Chimaev conectou 529 golpes, estabelecendo um recorde na organização, além de controlar o adversário por 21 minutos e 40 segundos dos 25 totais de luta, uma média de 85%. Mais do que isso, conseguiu 12 quedas em 17 tentativas, alcançando um índice de acerto de aproximadamente 71%. Em termos estatísticos, essa luta isolada coloca o checheno em patamares próximos, ou até acima, de gigantes como GSP e Khabib em suas melhores performances.

A questão que surge é inevitável: até que ponto o domínio de Chimaev pode ser comparado ao legado de St-Pierre e Khabib? E qual é a diferença entre esses estilos de luta que tanto marcaram a história do UFC?

Georges St-Pierre: o modelo de consistência

Georges St-Pierre é amplamente considerado o maior meio-médio da história do UFC e um dos maiores lutadores de todos os tempos. Sua carreira foi marcada pelo equilíbrio entre striking refinado e wrestling de altíssimo nível.

Nos números, o canadense impressiona: alcançou 90 quedas ao longo da carreira, recorde da divisão, com uma taxa de acerto de aproximadamente 74% — uma das mais altas da história, e que supera Chimaev contra Du Plessis. No entanto, com 90 quedas em 23 lutas de UFC, St. Pierre teve uma média de apenas 3.19 quedas por luta, o que evidencia o seu controle de chão, mas também evidencia como Chimaev foi efetivo em suas tentativas de queda.

Além disso, acumulou 2 horas e 42 minutos de controle no chão, incluindo 2 horas e 18 minutos apenas em lutas pelo cinturão meio-médio. Se formos comparar só as suas lutas pelo cinturão, ele tem uma média de tempo de controla de chão de 55%.

O grande diferencial de GSP era a consistência. Ele não precisava de números avassaladores em uma luta isolada, mas sim da soma de atuações em altíssimo nível ao longo de mais de uma década. Seu wrestling era usado de forma estratégica, sempre para neutralizar as armas do adversário e somar pontos, mesmo que isso gerasse lutas consideradas pouco empolgantes para o público.

Khabib Nurmagomedov: a pressão implacável

Se GSP era a personificação da técnica equilibrada, Khabib Nurmagomedov se destacou pela intensidade e pela pressão psicológica e física. O russo se aposentou invicto, com 29 vitórias, e entrou para a história como um dos grapplers mais dominantes da organização.

Seus números ilustram bem sua abordagem: taxa de acerto de quedas de 48%, o que pode parecer baixo à primeira vista, mas compensado pela insistência e volume, com uma média de 5.32 quedas a cada 15 minutos. Mais do que isso, manteve controle no chão em 54,6% do tempo de suas lutas no UFC, acumulando 1 hora e 29 minutos de domínio total no octógono.

Khabib não era conhecido pelo volume de golpes, mas pela eficiência de sua pressão. Seu estilo sufocante fazia com que os adversários se rendessem não apenas fisicamente, mas mentalmente. A diferença para GSP é clara: enquanto o canadense era metódico e calculista, Khabib era agressivo e implacável, buscando não só vencer, mas quebrar a resistência dos rivais.

Khamzat Chimaev: potência concentrada

No contexto dessa comparação, Chimaev surge como uma espécie de híbrido. Sua atuação contra Du Plessis mostra traços de ambos os estilos, mas potencializados em termos estatísticos. Conectar 529 golpes em uma única luta e controlar quase 90% do tempo no chão é algo que nenhum outro lutador conseguiu na história recente. Sua taxa de 71% de quedas bem-sucedidas também o coloca lado a lado com GSP em termos de eficiência.

A diferença é que Chimaev parece concentrar toda a potência de GSP e Khabib em lutas isoladas, transformando-as em verdadeiras exibições de força bruta. No entanto, ainda falta consistência: enquanto GSP e Khabib acumularam carreiras inteiras de domínio, Chimaev ainda está em fase de construção de legado.

Outro ponto relevante é a reação do público. Apesar dos números históricos, a luta contra Du Plessis foi recebida com vaias pela torcida em Chicago, que esperava um combate mais empolgante. Essa percepção pode ser um obstáculo para sua consolidação como grande estrela do UFC, já que o esporte, além de performance, depende de espetáculo.

Chimaev ainda tem um longo caminho a seguir, mas se seu reinado como campeão dos médios for dominante como foi contra Du Plessis, podemos estar falando do maior wrestler de todos os tempos no UFC. E por muito.

(Foto: Getty Images)