O retorno de José Mourinho ao comando do Real Madrid já começa com um calendário exaustivo. A equipe volta a campo em um formato de pré-temporada mais tradicional, com viagens curtas dentro do próprio continente europeu, e vai enfrentar uma sequência de compromissos que promete testar a profundidade do elenco montado durante o mercado de transferências europeu. Resolver a crise de lesões que marcou a temporada passada aparece como prioridade máxima do departamento físico do clube.
O motivo da pressa do Real Madrid está no adiamento da primeira rodada da La Liga para o clube, provocado pela presença de jogadores da equipe nas fases finais da Copa do Mundo. Com isso, o Real Madrid terá que encaixar quatro partidas do Campeonato Espanhol em apenas 14 dias logo na retomada das competições, um cenário não comum para o início de temporada e que normalmente só se repete em meses de calendário cheio, quando o time disputa também Copa do Rei e a UEFA Champions League.
O Real Madrid terá um calendário apertado no início da temporada
A estreia oficial da equipe está marcada para o dia 22 de agosto, contra o Espanyol, fora de casa. Depois, o Real Madrid recebe a Real Sociedad no dia 26 e o Málaga no dia 30, ambos jogos em casa, antes de fechar essa sequência inicial visitando o Real Betis, no dia 4 de setembro. São quatro jogos, sendo duas viagens, em um intervalo curto de tempo que deixa pouco espaço para recuperação física entre uma partida e outra.
Antes disso, o time de Mourinho ainda precisa cumprir a reta final da pré-temporada, com três amistosos programados para um período de oito dias, contra Ferencváros no dia 8 de agosto, Deportivo La Coruña no dia 12 e Schalke 04 no dia 16. Somando esses compromissos aos jogos oficiais, o Real Madrid vai disputar sete partidas ao longo dos 31 dias de agosto, uma carga de jogos que exige planejamento da comissão técnica para não repetir os problemas físicos do ano anterior. Jogadores como Cucurella, Mbappé, Tchouameni, Konaté e Bellingham, que só se reapresentam ao grupo na segunda-feira, dia 10, terão pouco mais de uma semana de preparação antes da estreia na La Liga.
A resposta do clube à crise de lesões
A temporada passada deixou marcas no departamento médico do Real Madrid, com 52 lesões registradas ao longo do ano, número que o próprio presidente Florentino Pérez relacionou ao desgaste provocado pelo Mundial de Clubes e à dificuldade de fazer uma pré-temporada adequada naquele período. Foi justamente esse histórico que levou o clube a reforçar sua estrutura física durante o verão europeu, com a contratação do médico Alexandre Creuzé, ex-chefe do departamento médico do Monaco, para tentar reduzir os índices de lesão do elenco.
Mourinho também pediu reforços para poder alternar o time sem perder qualidade, e o clube atendeu ao pedido com as chegadas de Cucurella, Konaté, Dumfries, Espí e Bernardo Silva, além de conversas por Diomandé e Rodri, que ainda podem se juntar ao grupo. Ainda assim, nem tudo corre da forma ideal para o técnico português, já que o lateral espanhol e o zagueiro francês recém-contratados vão chegar muito perto do início do campeonato, exigindo um processo de adaptação rápido dentro de um calendário apertado.
O elenco também já sofreu os primeiros baixas por lesão antes mesmo da estreia oficial. Huijsen sofreu uma distensão na coxa esquerda, enquanto Raúl Asensio deve ficar afastado por cerca de seis semanas, também por uma lesão muscular na coxa direita.
Esse é o início da era José Mourinho em seu retorno ao Santiago Bernabéu, 13 anos depois de sua primeira passagem pelo clube, entre 2010 e 2013. Quatro jogos oficiais em 14 dias, sete partidas somando a pré-temporada e uma reformulação profunda no departamento físico mostram a exigência que o Real Madrid impõe a si mesmo logo de início, com o objetivo de voltar a brigar por todos os títulos disputados na temporada 2026/2027.
Créditos da foto de capa: Javier Soriano / AFP



