O auxiliar técnico de Hansi Flick no Barcelona, Marcus Sorg, transformou-se em uma figura de destaque no banco de reservas do clube catalão após cumprir suspensão na última partida contra o Alavés. Agora, dias depois do episódio, o treinador alemão aproveitou sua coletiva para comentar a polêmica envolvendo a reação de frustração de Sorg durante o duelo válido por La Liga, usando o palco para reforçar o vínculo pessoal e profissional entre ambos. Os dois estarão novamente lado a lado nesta terça-feira (2), às 17h (horário de Brasília), no Camp Nou, no clássico diante do Atlético de Madrid, em jogo antecipado da 19ª rodada da competição nacional.
Durante sua fala à imprensa, Flick saiu em defesa de seu auxiliar e amigo de longa data. “A imagem que se criou após aquela partida foi curiosa. Não sei quem começou os comentários. Fiquei decepcionado porque perdemos muita posse de bola e tivemos dois cartões vermelhos no banco”, disse o comandante blaugrana, antes de revelar o verdadeiro motivo da irritação de Sorg: “Quando fizemos o terceiro gol, Marcus foi expulso, e tínhamos conversado antes — ele é meu amigo, a pessoa mais importante que tenho aqui — e aquela conversa ficou na minha cabeça. Eu só queria organizar os pensamentos, não discutir”, concluiu.
Essa, porém, não foi a primeira vez que Marcos Sorg ganhou os holofotes. Na temporada passada, em dezembro de 2024, ele precisou assumir o comando técnico do Barcelona por duas partidas após Flick ser expulso contra o Betis. Mais recentemente, também dirigiu o time na beira do campo no Santiago Bernabéu, quando a equipe acabou derrotada pelo Real Madrid por 3 a 1, em outubro. Na tabela de classificação da La Liga, o clube catalão lidera a competição com 34 pontos, um a mais que o rival merengue, que empatou por 1 a 1 com o Girona.

Quem é Marcus Sorg: um auxiliar técnico do Barcelona com influência no banco de reservas e títulos?
Antes de desembarcar no Barcelona, Marcus Sorg — nascido em Ulm, em 1965 — já acumulava uma carreira vasta e multifacetada. Como jogador, atuou como atacante e meia-atacante por clubes das divisões inferiores da Alemanha até 1999.
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No entanto, foi seu trabalho fora das quatro linhas que o colocou em evidência. Antes de tornar-se o braço direito de Flick no Barcelona, Sorg treinou o Freiburg na Bundesliga — posto do qual acabou demitido devido a resultados negativos — e comandou equipes de base como o Stuttgarter Kickers II e o sub-17 do Bayern de Munique. Formado em engenharia, é reconhecido por seu perfil calmo, comunicativo e extremamente metódico, características que compartilha com Flick.
O auge de sua carreira como treinador principal ocorreu à frente da seleção alemã sub-19, com a qual conquistou o Europeu Sub-19 da UEFA em 2014, participando da formação de talentos como Leon Goretzka e Joshua Kimmich. Em 2016, passou a integrar a seleção principal da Alemanha, primeiramente como segundo auxiliar de Joachim Low e, após a Copa de 2018, como primeiro assistente — função que exerceu ao lado de Flick até a demissão da comissão em setembro de 2023. O reencontro da dupla aconteceria no Barcelona, em 2024.

Marcus Sorg: a figura silenciosa que ganha protagonismo na engrenagem de Hansi Flick no Barcelona
Sob a direção de Hansi Flick, o Barcelona traça um objetivo claro nesta temporada: defender o título espanhol e consolidar uma fase de estabilidade esportiva. Nesse contexto, um nome tem crescido nos bastidores da Cidade Esportiva Joan Gamper: Marcus Sorg, o aliado mais próximo do técnico alemão.
Reservado, detalhista e totalmente alinhado às ideias de Flick, Sorg passou a ocupar espaço cada vez maior na rotina da equipe. Sua influência se tornou ainda mais evidente nos momentos em que Flick esteve ausente — por suspensão ou compromissos institucionais — ocasiões em que o auxiliar conduziu entrevistas e representou o grupo com firmeza, transmitindo com precisão a mensagem do treinador principal.
A confiança entre os dois tem raízes profundas. Sorg trabalhou com Flick por anos na seleção alemã, ajudou na reestruturação tática da equipe e ganhou notoriedade por sua leitura de jogo e organização metódica. No Barcelona, essa sintonia se tornou um diferencial: Sorg lidera sessões específicas de treinamento, participa ativamente da elaboração das estratégias e é visto como peça-chave para manter o elenco alinhado ao modelo de intensidade e disciplina que o treinador exige.
Dentro do elenco, jogadores e membros do clube o descrevem como um profissional sereno e meticuloso, capaz de equilibrar o ambiente mesmo nos períodos mais tensos da temporada. Seu papel na preparação estratégica — sobretudo na análise de adversários e no aperfeiçoamento do sistema defensivo — tem sido apontado como essencial para a competitividade do Barcelona ao longo do ano.
À medida que o Barça busca consolidar o bicampeonato consecutivo, Sorg se firma como uma das engrenagens mais relevantes do projeto. Mesmo longe dos holofotes, sua influência cresce de forma silenciosa, sustentando o trabalho de Flick e garantindo consistência ao modelo de jogo.
Com a temporada entrando em fases decisivas, a relevância de Sorg deixa de ser restrita aos bastidores: ele passa a figurar como uma peça estrutural da nova era do Barcelona.

Sorg e Flick: a dupla que tenta manter o Barcelona competitivo em meio a limitações do elenco
O Barcelona inicia mais uma temporada sob Hansi Flick com grandes expectativas — e desafios igualmente significativos. A busca por novos títulos depende diretamente da sintonia entre o treinador alemão e seu auxiliar Marcus Sorg, peça que ganha peso crescente no funcionamento técnico do clube. Juntos, os dois trabalham para extrair o máximo de um elenco talentoso, mas limitado em profundidade, a fim de manter o Barça competitivo nas principais competições.
Mesmo contando com referências como Raphinha, Marcus Rashford, Lamine Yamal, Lewandowski, Pedri e Dani Olmo, o clube convive com fragilidades claras: dependência de jovens, desgaste de veteranos e carência de opções consistentes em alguns setores. Nesse cenário, a parceria Flick–Sorg se torna essencial.
Responsável por grande parte da organização defensiva e dos comportamentos sem bola, Sorg se destaca por sua precisão tática e capacidade analítica. Flick, por sua vez, busca imprimir um estilo mais agressivo, marcado por pressão alta, verticalidade e ocupação racional dos espaços. O desafio é equilibrar essa intensidade com a preservação física e mental de um elenco reduzido.
A comissão técnica tem se empenhado em potencializar os recursos já disponíveis:
Raphinha é estimulado a assumir protagonismo nas transições, aproveitando sua velocidade e capacidade de finalização;
Rashford, recém-chegado, ainda oscila, mas é visto como peça valiosa para alternar entre centro e esquerda;
Yamal, mesmo com apenas 18 anos, é tratado como diferencial criativo, porém com manejo cuidadoso para evitar desgaste;
Lewandowski segue como referência ofensiva, mas com gestão de minutos mais rígida;
Pedri e Dani Olmo compõem o núcleo criativo do meio-campo, fundamentais para sustentar as ideias de posse e pressão pós-perda pretendidas por Flick.
A limitação do elenco faz com que cada ajuste tático tenha impacto ampliado. É justamente aí que Sorg ganha protagonismo: ele é quem traduz diariamente os conceitos de Flick e ajuda a manter o grupo equilibrado durante os momentos mais exigentes da temporada. A conexão entre ambos — construída desde os tempos de seleção alemã — viabiliza decisões rápidas, divisão clara de responsabilidades e uma leitura de jogo afinada.
Se o Barcelona conseguirá transformar esse trabalho em títulos ainda é uma questão em aberto. Mas dentro do clube há a compreensão de que o sucesso passa inevitavelmente pela dupla Flick–Sorg, que tenta superar limitações com metodologia, organização e gestão eficiente do elenco. Em uma temporada marcada por exigências elevadas, são eles que conduzem o projeto que busca alcançar voos ainda maiores.
(Foto: AFP/Getty Images)
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